Dois vírus da infância estão relacionados com o Alzheimer

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Dois vírus habitualmente contraídos nos primeiros anos da infância estão relacionados com o mal de Alzheimer, que devasta os últimos anos da vida de milhões de pessoas. Em uma demonstração do poder da ciência baseada em um grande volume de dados (big data), pesquisadores de 20 instituições dos EUA concluíram que a presença de dois membros da família Herpesviridae é muito maior no cérebro dos pacientes dessa doença. A conexão não significa que os agentes patogênicos causem o mal de Alzheimer, mas dá argumentos para uma das hipóteses sobre a origem ainda desconhecida dessa doença, postulada em meados do século passado.

O mal de Alzheimer é o principal tipo de demência senil. Na Europa, a incidência é de 11 casos por 1.000 habitantes. Na Espanha, 7% dos maiores de 65 anos sofrem de Alzheimer, percentual que chega aos 50% para os maiores de 80 anos. O mal, que começa destruindo a memória imediata, vai apagando cada vez mais lembranças, até afetar outras habilidades cognitivas. Descrita há mais de um século, ainda tem causas desconhecidas. Caracteriza-se pela formação de placas e novelos ao redor dos neurônios.

Quase sem querer, pesquisadores norte-americanos encontraram pistas que apontam um possível papel viral na enfermidade. Procurando os mecanismos concretos do Alzheimer para o desenho de possíveis fármacos, cientistas do Hospital Mount Sinai (Nova York) sequenciaram o material genético de amostras de regiões cerebrais (as mais castigadas pelo mal) de 622 pessoas mortas com a doença e de outras 300 que morreram com o cérebro intacto. A análise mostrou que os tecidos cerebrais dos primeiros continham uma quantidade anormalmente alta do herpesvírus humano tipo 6A (HHV-6A) e do herpesvírus 7 (HHV-7). Trata-se de dois vírus ainda pouco conhecidos pela ciência (ambos foram isolados há apenas 30 anos), que afetam o organismo em idades muito precoces, muitas vezes assintomáticos, e muito difundidos entre a população.

Os autores do estudo são precavidos sobre a relação causal: o avanço da doença poderia facilitar a presença do vírus, e não ao contrário

Graças ao impulso dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, os pesquisadores puderam usar amostras de quase 1.000 cérebros de outros bancos de tecidos cerebrais para repetir seu estudo. Conforme publicam na revista especializada Neuron, os resultados repetiram os do primeiro trabalho. Embora em geral todas as amostras tivessem o rastro de diversos vírus humanos muito comuns, no caso das pessoas que morreram com Alzheimer a prevalência desses herpesvírus mais do que dobrava a registrada em cérebros saudáveis. Mais relevante ainda, genes que sabidamente intervêm no Alzheimer apareciam infiltrados do material genético (RNA) dos vírus.

“Os estudos anteriores sobre a conexão entre vírus e Alzheimer foram sempre muito indiretos e correlativos. Mas pudemos realizar uma análise computacional mais sofisticada usando diversos níveis de informação genômica colhida diretamente do tecido cerebral de afetados. Esta análise nos permitiu comprovar como os vírus estão interagindo diretamente ou corregulando genes que sabidamente intervêm no Alzheimer”, diz em nota o pesquisador Joel Dudley, da Escola Icahn de Medicina do Mount Sinai e principal autor do estudo. “Não acredito que se possa afirmar que os vírus do herpes são a causa principal do Alzheimer. Mas o que é evidente é que interferem e participam das redes que estão diretamente por trás da patofisiologia da enfermidade”, acrescenta.

Os autores do estudo insistem em que há muito por pesquisar antes de determinar uma relação causal entre os vírus e o Alzheimer. De fato, a conexão que encontraram bem poderia ser na direção contrária: a maior presença desses vírus nos cérebros de pessoas com Alzheimer poderia ser atribuída a uma facilidade de propagação em meio a um processo neurodegenerativo como este.

É o que recorda Tara Spires-Jones, médica do Instituto para a Pesquisa da Demência do Reino Unido. “Sua análise são consistentes e apontam que estes vírus podem estar interferindo nas mudanças cerebrais nocivas que o Alzheimer provoca; entretanto, também é possível que as pessoas com a doença sejam mais suscetíveis a infecções cerebrais, pois o Alzheimer danifica a barreira entre a corrente sanguínea e o cérebro, que o protege das infecções”.

EL PAÍS Brasil

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Chega ao Brasil novo antibiótico contra superbactérias

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Um novo antibiótico vai ser disponibilizado no Brasil para o tratamento de infecções causadas por algumas bactérias resistentes. Com o nome comercial de Zerbaxa, o medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo do ano para o tratamento de infecções intra-abdominais e infecções do trato urinário mais complicadas. Ele estará disponível para uso ainda esta semana. De acordo com a agência, 25%  dos casos de infecção no país são causados por organismos multirresistentes.

Uma das indicações dessa medicação é para tratamento de doenças causadas pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, considerada uma das três bactérias mais resistentes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para tratar infecções bacterianas, os médicos normalmente optam por utilizar meropeném – classe de antibióticos considerada mais forte e de amplo espectro -, mas o uso indiscriminado pode elevar ainda mais os índices de resistência bacteriana. O objetivo agora é usar o novo tratamento como uma opção anterior aos meropeném para que ele seja utilizado apenas casos extremos.

Superbactérias

 

As bactérias super resistentes têm sido cada vez mais discutidas por organizações de saúde internacionais devido ao crescimento no número de casos reportados. Estima-se que 700.000 pessoas morram anualmente em todo o mundo por causa desse tipo micro-organismo Recentemente, dados revelam que até 2050 as infecções provocadas por superbactérias devem causar, anualmente, a morte de 10 milhões de pessoas em todo o mundo, número superior às previsões de mortes por câncer.

De acordo com Lessandra Michelin, infectologista na Universidade de Caxias do Sul (UCS), a utilização indiscriminada de antibióticos na medicina e na veterinária, assim como na agricultura e na pecuária, têm resultado em pressão seletiva de bactérias, o que significa dizer que elas morrem ou desenvolvem genes de resistência que serão passados para as próximas geração.

Por causa disso, antibióticos eficientes contra superbactérias são imprescindíveis já que, sem eles, muitos procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia para pacientes com câncer, por exemplo, poderiam ser suspensos ou postergados. “Nós utilizamos antibióticos em complicações infecciosas de diversos procedimentos hospitalares, o que possibilitou inúmeros avanços em várias áreas da saúde, incluindo os transplantes, por exemplo. Se as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos que temos disponíveis hoje, poderemos voltar à era pré-antibióticos, onde um simples ferimento infectado poderá causar graves danos”, alerta Clóvis Arns, infectologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Funcionalidade do Zerbaxa

ceftolozana-tazobactam, comercialmente conhecido como Zerbaxa, foi desenvolvido pela farmacêutica MSD e é de uso hospitalar para tratar pacientes com infecções intra-abdominais e infecções do trato urinário, ambas de maior complexidade. De acordo com estudos clínicos, o novo antibiótico demonstrou 87% de eficácia no tratamento de infecções intra-abdominais quando comparado ao tratamento padrão com meropeném (83%). Já para o tratamento de infecções do trato urinário causadas pelas P. aeruginosa, os números foram ainda mais expressivos, com aproveitamento de 75%, se comparados aos do levofloxacino (47%), que é um dos tratamentos contra esse tipo de infecção.

 

Pseudomonas aeruginosa

Cerca de 40% dos casos da P. aeruginosa detectados no país apresentam resistência aos carbapenêmicos, como o meropeném. O novo antibiótico será importante no tratamento de bactérias gram-negativas (bactérias de estrutura complexa), principalmente pseudomonas, que são resistentes a vários antibióticos.”O ceftolozana-tazobactam é uma arma importante que está chegando ao mercado para auxiliar os médicos nessa luta, pois ainda perdemos pacientes com infecções por bactérias multirresistentes”, explicou Lessandra.

 

POR QUE O NÚMERO DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS POR TENTATIVA DE SUICÍDIO DOBROU NOS EUA?

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Relatos de mães e pais pedindo ajuda após encontrarem seus filhos à beira da morte após tentativas de suicídio se tornaram comuns em fóruns online e redes sociais nos Estados Unidos.

“Minha filha tomou uma garrafa inteira de Lexapro e meia garrafa de Wellbutrin (ambos antidepressivos). Ela vomitou cinco vezes antes de me contar, quando acordei para trabalhar naquela manhã. Essa é uma visão que nenhum pai deveria ver”, conta Hammer, em um desabafo que deu origem a mais de 15 relatos semelhantes.

Ann diz que não sabe o que fazer para ajudar a filha. “Ela tem 15 anos e tentou se suicidar hoje ingerindo produtos de limpeza. (…) Ela já tinha tentado se matar vários meses atrás com um corte no pulso.”

Claudia fala sobre culpa e vergonha.

“Minha filha, uma criança linda e talentosa, teve uma overdose ontem e eu sinto vergonha por não tê-la ajudado e protegido suficientemente. Sinto culpa, porque meu trabalho é garantir que a vida dela seja boa e segura. Mas no fundo, muito no fundo, também sei que a vida hoje é incrivelmente difícil para as crianças. As cobranças e expectativas parecem se mover muito rápido para que eles acompanhem, e eles sentem que falharam.”

Phyllis fala sobre o filho, um menino de 15 anos. “Encontrei meu filho no meu quarto, em overdose depois de tomar meus remédios. Não consigo parar de pensar no que poderia ter acontecido. Não consigo dormir, não consigo comer, e aquela manhã não sai da minha cabeça. Encontrei-o deitado na minha cama, quase sem respirar.”

As tragédias se refletem nos resultados de dois relatórios divulgados recentemente nos EUA. Eles chamam atenção para um crescimento sem precedentes nas tentativas e mortes consumadas por suicídio entre crianças e adolescentes de todo o país.

As meninas encabeçam o grupo que mais cresce nesse ranking, evidenciando os impactos de problemas geralmente associados a adultos – como depressão, ansiedade, bipolaridade e pressão por padrões de beleza inatingíveis – na saúde mental de quem ainda frequenta a escola.

Recorde

De acordo com dados divulgados na semana passada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do governo americano, as mortes de meninas entre 15 e 19 anos por suicídio atingiram um recorde em 40 anos – e dobraram entre 2007 e 2015, com 5,1 casos para cada 100 mil.

O fenômeno atinge também crianças e adolescentes do sexo masculino, cujas mortes ainda acontecem em maior número, mas crescem em ritmo menos acelerado: 30% no mesmo período (são 14,2 casos para cada 100 mil), segundo o órgão oficial.

Em números absolutos, em 2015, foram registrados 524 suicídios de meninas e 1.537 de meninos entre 15 e 19 anos.

Outro relatório apresentado recentemente no Encontro Anual de Sociedades Pediátricas dos EUA aponta que as internações de menores de idade por pensamentos ou tentativas de suicídio dobraram entre 2008 e 2015.

O estudo se focou em crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos e, novamente, apontou que o grupo que mais registrou aumento nas internações é o das meninas – que atualmente respondem por 2 em cada 3 dos casos.

O suicídio é hoje a segunda principal causa de mortes de crianças e jovens em idade escolar (12 a 18 anos) nos EUA, ficando atrás apenas de acidentes.

O volume impressiona: a taxa de suicídios infanto-juvenis, segundo o governo americano, é maior que a soma das mortes por câncer, doenças cardíacas e respiratórias, problemas de nascimento, derrame, pneumonia e febre.

Pressão online

Chefe da ala de saúde comportamental do hospital pediátrico Cook Children’s, no Texas, a psicóloga Lisa Elliott diz que os dados recém-revelados “são absolutamente dolorosos, mas não são uma surpresa”.

“Nós precisamos tirar os estigmas da saúde mental”, diz a PhD, alertando para a incidência dos quadros entre menores de idade, e não só entre adultos. “Problemas de saúde mental têm que ser vistos pelos pais como qualquer doença, da mesma maneira que os problemas de coração são.”

Em coro com outros especialistas, ela afirma que o quadro se agrava pelo uso irresponsável de redes sociais, que pode gerar competitividade e uma busca por padrões de beleza e desempenho.

“As redes podem ter impacto negativo sobre a autoestima das meninas e isso aumenta o isolamento delas”, avalia Elliott. “Quando notam que não têm uma vida tão perfeita ou glamourosa quanto a de outros, elas concluem que ‘algo anormal ou errado está acontecendo comigo’.”

Segundo a psicóloga, a sensação de invisibilidade nas redes impulsiona práticas ligadas ao bullying entre jovens de ambos os sexos.

“O anonimato traz uma desumanização, uma perda de empatia pelos outros, especialmente aqueles diferentes de nós. Assim perdemos a capacidade de respeitar as opiniões diferentes, o que infelizmente resulta em mais bullying e mais isolamento.”

À BBC Brasil, Eileen Kennedy-Moore, psicóloga e autora de diversos livros sobre saúde mental infantil, diz que não faz sentido proibir o acesso a redes sociais (“os celulares e tablets estão aí, não há como lutar contra isso”), mas que os pais precisam colocar “limites sensatos” na relação entre seus filhos e aparelhos eletrônicos.

“Adolescentes e crianças sempre tiveram a sensação de uma audiência imaginária, de que todos estão sempre olhando para eles”, conta a especialista, que vive e trabalha em Nova York.

“Com as redes sociais, a experiência de ser vigiado e julgado o tempo todo aumenta”, avalia.

Segundo Kennedy-Moore, os aparelhos eletrônicos “também precisam ser colocados para dormir, já que nada de bom acontece nesses telefones depois da meia-noite”.

“As relações online podem ser uma fonte de apoio e conforto. Pacientes de câncer, por exemplo, encontram grupos de apoio na internet que são maravilhosos”, diz Moore. “Mas amizades online não podem substituir as amizades cara a cara, e os pais precisam prestar atenção nisso.”

Economia e ‘contágio’

Daniel J. Reidenberg, diretor do Conselho Nacional para Prevenção de Suicídios, alerta para outras raízes associadas ao aumento dos suicídios infanto-juvenis.

“Há uma pressão extrema sobre esse grupo por competição, ambições e preocupações com o futuro”, diz.

“Crises econômicas também têm impacto, uma vez que alguns jovens se sentem um fardo para as famílias. Jogos, vídeos, TV e filmes também influenciam muito as mentes dos jovens. Outra chave para a questão são outros suicídios a que esses jovens expostos. O contágio do suicídio é real, e os jovens são particularmente sensíveis a ele”, diz o especialista à BBC Brasil.

Segundo Lisa Elliott, enquanto meninos que tentam cometer suicídio apelam para métodos mais violentos, como o uso de armas, os casos de meninas são normalmente associados ao excesso de substâncias controladas e drogas ilícitas.

“Adolescentes não entendem completamente as drogas que estão ingerindo e suas potenciais consequências. Isso pode resultar em overdoses acidentais”, alerta.

De acordo com os entrevistados, os pais que buscam ajuda profissional normalmente contam que encontraram menções a suicídio nos telefones ou cadernos dos filhos, ou perceberam mudanças de comportamento, como isolamento e afastamento dos amigos, irritabilidade, problemas de sono e em notas escolares e falta de interesse em atividades que antes agradavam.

“A tentativa mostra muitas vezes que as crianças querem dizer que estão muito bravas ou tristes, mas não sabem como articular isso”, avalia Kennedy-Moore. “E muitas pesquisas mostram que a maioria dos que tentam se suicidar acaba se arrependendo do ato.”

Para Elliott, os dados apontados pelas pesquisas não devem ser ignorados pelos pais – cujo maior erro costuma ser achar que histórias como as que abrem esta reportagem nunca acontecerão com pessoas próximas.

As referências a suicídios no noticiário, segundo a especialista, podem servir como oportunidade para conversas sobre o tema entre pais e filhos.

“Pergunte a eles por que acham que isso está acontecendo e se sentem algo semelhante”, diz. “Assim, você pode descobrir muito sobre o que eles ou seus amigos estão vivendo.”

A presença dos pais nas vidas das crianças e jovens é a estratégia mais eficaz, segundo os entrevistados.

“Muitas vezes, nós enchemos a agenda dos nossos filhos com atividades porque pensamos que é saudável, quando seria melhor ter mais tempo com relações humanas saudáveis e realmente gastar tempo em família com qualidade, sem dispositivos eletrônicos”, afirma Elliott.

 

 

CAFÉ AUMENTA A POSSIBILIDADE DE SOBREVIVÊNCIA AO CÂNCER DE INTESTINO, DIZ ESTUDO

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O consumo habitual de café poderia aumentar as possibilidades de sobreviver ao câncer de intestino e proteger os pacientes de reincidências, informa estudo divulgado pela publicação britânica Journal of the Clinical Oncology.

Um grupo de cientistas descobriu que os pacientes que recebiam tratamento e que consumiam altas doses de café, quatro ou mais xícaras por dia, tinham cerca de 42% menos possibilidades de registrar reincidência da doença que aqueles que não consumiam a bebida. O estudo também mostrou como os pacientes que bebiam café tinham 33% menos possibilidades de morrer de câncer que os demais pacientes.

O médico Charles Fuchs, diretor do Centro de Câncer Gastrointestinal de Boston, nos Estados Unidos, afirmou ter comprovado que “os consumidores de café têm um risco menor de desenvolver câncer, além de que a sobrevivência e as possibilidades de cura aumentam consideravelmente”.

Apesar dos resultados do estudo, Fuchs mostrou-se cauteloso com os potenciais benefícios do café como tratamento alternativo para os doentes de câncer de intestino. “Se bebe café habitualmente e está sendo tratado de câncer do intestino, não deixe de beber, mas se não é um consumidor habitual e se pergunta se deve começar, primeiro consulte o seu médico”, declarou o pesquisador.

Ainda que seja a primeira vez que um estudo relaciona o consumo de café à redução do risco de reincidência de câncer, investigações prévias indicaram que a bebida poderia proteger contra vários tipos de tumores malignos, incluindo os melanomas, o câncer de fígado e o de próstata avançado.

BC BLOQUEIA R$ 3,4 MI DE BENDINE, PRESO NA LAVA JATO

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O Banco Central, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, bloqueou R$ 3.417.270,55 do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine. O confisco foi informado ao magistrado nesta segunda-feira, 31.

Bendine foi preso na quinta-feira, 27, na Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato. O ex-presidente da Petrobrasé suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht. Nesta segunda, Bendine será ouvido pela Polícia Federal.

Moro decretou o bloqueio de R$ 3 milhões de Bendine, de outros dois investigados na Cobra, os publicitários André Gustavo e Antônio Carlos Vieira Junior e da empresa de ambos, a MP Marketing e Planejamento Institucional e Sistema de Informação LTDA. O confisco superou em R$ 417.270,55 o valor determinado pelo magistrado.

No Banco do Brasil foram confiscados exatamente R$ 3 milhões de uma conta de Bendine. Em outra conta, no Bradesco, foram bloqueados 417.253,09. Na Caixa Econômica Federal foram encontrados R$ 17,46.

A MP Marketing teve R$ 36,41 confiscados.

O BC bloqueou R$ 18.386,81 de Antonio Carlos Vieira Junior – R$ 17.467,58 de uma conta no Banco do Brasil e R$ 919,23 de outra no Safra.

André Gustavo Vieira Junior teve R$ 637.285,53 confiscados – R$ 631.210,15 de uma conta no Banco Original e R$ de outra no Banco BRB.

Uma pesquisa do CFM (Conselho Federal de Medicina) com médicos neurologistas e neurocirurgiões de todo o Brasil indica que 76% dos hospitais públicos onde eles trabalham não apresentam condições adequadas para atender casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Apenas 3% dos serviços avaliados pelos médicos têm estrutura classificada como muito adequada e 21% como adequada, de acordo com estudo divulgado nesta segunda-feira (31).

O CFM ouviu 501 médicos que trabalham em serviços de urgência e emergência de unidades de saúde pública de todo o país. Eles responderam a um questionário sobre a situação do atendimento a pacientes com AVC, considerando critérios como o acesso exames de imagem em até 15 minutos, disponibilidade de leitos e medicamentos específicos, triagem dos pacientes identificados com AVC de forma imediata, capacidade numérica e técnica da equipe médica especializada e qualidade das instalações disponíveis, entre outros pontos baseados em parâmetros internacionais e nacionais de atendimento ao AVC.

A percepção da maior parte dos médicos entrevistados aponta que as unidades públicas de saúde nem sempre estão preparadas para receber de forma adequada um paciente com sintomas do AVC, apesar de ser uma doença grave que está entre as principais causas de morte em todo o mundo.

“Nós fomos atrás dessa percepção em virtude do Acidente Vascular Cerebral ser a segunda principal causa de morte no Brasil, um dado epidemiológico. E é a principal causa de incapacidade no mundo e no Brasil, gerando inúmeras internações”, disse Hideraldo Cabeça, neurologista responsável pela pesquisa e coordenador da Câmara Técnica de Neurologia e Neurocirurgia do CFM.

Infraestrutura de atendimento é inadequada

Segundo a pesquisa, a infraestrutura de atendimento a AVC é inadequada em 37% dos serviços e pouco adequada em 39%, totalizando 76% de serviços que não se enquadram totalmente nos protocolos de atenção ao AVC estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Entre os itens essenciais que não estão disponíveis em mais da metade das unidades de saúde figura a tomografia em até 15 minutos e o acesso ao medicamento trombolítico, usado para dissolver o sangue coagulado nas veias do cérebro.

“Você não ter o uso do trombolítico em 100% dos serviços é um problema sério. Se o mesmo indivíduo chegar em locais diferentes, em um ponto ele vai ter atendimento próximo daquele que é recomendado e em outro local, não. E se tem o trombolítico, tem local pra fazer? Ele vai fazer na maca ou de forma respeitosa em um leito apropriado?”, questionou o neurologista.

A pesquisa aponta ainda que em 66,4% das unidades não havia apoio adequado do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). E em 87,9% dos hospitais não havia número suficiente de leitos para a demanda de AVC.

“Nosso objetivo é atender rápido e trazer menos prejuízos. Quanto menor o tempo de atendimento, maior a chance de menor sequela. Se você atende em um curto tempo, você aumenta a chance de benefício e recuperação desse indivíduo e seu retorno à sociedade” afirmou Hideraldo.

A rapidez no atendimento fez a diferença para a recuperação do treinador de futebol Ricardo Gomes. O então técnico do Vasco da Gama sofreu um AVC hemorrágico em 2011 na beira do campo, em um jogo contra o Flamengo. Ele foi prontamente atendido.

Seis anos após o acidente, Gomes ainda faz reabilitação para amenizar as sequelas, mas retomou sua rotina de trabalho. O caso do técnico é lembrado em campanhas de conscientização promovidas pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e outras associações médicas.

Mortes e sequelas

Conhecido popularmente como derrame ou trombose, o AVC ocupa o segundo lugar no ranking de enfermidades que mais causam óbitos no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, último ano em que há dados disponíveis, morreram no país mais de 99 mil pessoas.

Os estados da região Norte são os que apresentam a maior incidência da mortalidade por AVC no país. Só no Amapá, de 2008 a 2014 houve aumento de 89,7% no número de mortes por AVC.

No ano passado, quase 177 mil pessoas foram internadas para tratamento de AVC no SUS (Sistema Único de Saúde) em todo o país. Quase 30 mil pacientes tiveram alta da internação por óbito. Se a tendência registrada até 2014 permanecer, a mortalidade poderá atingir novamente este ano o equivalente a mais da metade dos pacientes que passaram pelo SUS.

O AVC também é a primeira causa de incapacidade funcional no país e no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O paciente atingido pelo AVC pode ficar com sequelas como dificuldade para se locomover, falar, sofrer paralisia em um dos lados do corpo e perda de algumas funções neurológicas, entre outras.

Existem dois tipos de AVC, o hemorrágico, em que ocorre rompimento de artérias e sangramento no cérebro e o isquêmico, tipo mais frequente que representa 80% dos casos e é caracterizado pelo entupimento das artérias por um coágulo.

De acordo com os especialistas, a diferenciação imediata pelo médico entre um tipo e outro de AVC é determinante no sucesso do tratamento e na reversão de possíveis sequelas. A identificação na maioria das vezes é possível por meio do exame de tomografia ou pela ressonância magnética, dependendo do caso.

Capacitação

A disponibilidade de recursos humanos também foi considerada como inadequada (28%) ou pouco adequada (44%) em 72% dos hospitais onde atuam os especialistas que foram alvo da pesquisa. Os médicos entrevistados relataram que, em 69,6% dos serviços, não há equipes médicas em quantidade suficiente para atender os pacientes e que, em quase 50% dos serviços, não há oferta de treinamento para a equipe médica e multidisciplinar.

“É fundamental que neurologistas sejam capacitados para atender AVC. Existem no Brasil de 6 a 8 programas de especialização do neurologista em AVC, mas isso ainda é pouco diante do desafio que a doença requer. Outro ponto é a carência de recursos para pesquisa científica em AVC. A gente precisa testar os remédios que estão disponíveis no país, que são diferentes muitas vezes dos remédios usados lá fora. E precisa de pesquisas mais voltadas para a realidade nacional”, explica Octávio Marques Pontes Neto, presidente da SBDCV (Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares).

Entre os poucos serviços que foram avaliados na pesquisa do CFM como muito adequados no país, está o do HC (Hospital das Clínicas), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto (SP). A capacitação dos profissionais e o tratamento do AVC como prioridade estão entre os motivos para a região atendida pelo hospital ter índices mais baixos de morte pela doença.

“A Organização Mundial da Saúde recomenda que –da porta do hospital até o início do tratamento trombolítico– o atendimento seja feito em no máximo 60 minutos. A gente conseguiu aqui no HC baixar esse tempo médio pra 29 minutos. É um hospital público, com todas as dificuldades, tem leito no corredor, mas a gente estruturou o atendimento, organizou e treinou todo mundo”, explicou Marques, que também é professor e chefe do Departamento de Neurologia Vascular do HC.

A cidade ainda conta com uma rede de atenção à urgência e regulação médica estruturada desde 2000, o que garante a rapidez do atendimento. “O paciente de AVC não pode ir de carro para o hospital, ele tem que ser orientado a ligar para o 192, porque o Samu já sabe qual o hospital naquela região que atende AVC e pode pré notificar o hospital”, explica Marques.

O hospital supera também os índices de oferta do medicamento trombolítico. Enquanto no Brasil estima-se que de 1,5% a 2% dos pacientes com AVC recebem o medicamento, na regional atendida pelo HC de Ribeirão Preto, em torno de 6 a 8% dos pacientes tem acesso ao tratamento.

Linha de cuidado

Em 2012, o Ministério da Saúde instituiu a Linha do Cuidado do AVC para a Rede de Atenção às Urgências e Emergências. Por meio da portaria 665, foi criado um manual de rotinas com orientações e critérios de atendimento ao AVC.

Desde o lançamento da linha de cuidado, o Ministério da Saúde credenciou 51 unidades no país como habilitadas para atender casos de AVC. Contudo, o presidente da SBDC alerta que seriam necessários pelo menos 200 unidades credenciadas em todo o território brasileiro por conta da dimensão do país.

“A estimativa da Organização Mundial de Combate ao AVC (World Stroke Organization) é de que, para cada 100 mil habitantes, precisaria de pelo menos 5 mil leitos. A unidade AVC é a principal intervenção na redução de mortalidade e incapacidade por AVC”, explicou o médico.

Prevenção

O Conselho Federal de Medicina vai compartilhar os resultados da pesquisa com os conselhos regionais, que encaminharão o documento às secretarias de saúde estaduais e municipais. O objetivo é alertar os gestores locais para que melhorem a estrutura de atendimento a fim de reduzir o número epidêmico de óbitos e pessoas incapacitadas.

“AVC tem tratamento, mas é uma emergência médica, o tratamento é extremamente efetivo, mas se for dado nas primeiras horas. Depois de 24 horas não tem mais o que fazer, na verdade é tratar a sequela e evitar complicação”, afirma Marques.

Além de recomendar a melhora na gestão do serviço de emergência e a ampliação das unidades credenciadas, com a incorporação de novas tecnologias, os especialistas ressaltam que a conduta dos pacientes também tem impacto na prevenção dos casos de AVC.

Os médicos alertam que é necessário fazer controle periódico de fatores de risco como a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, obesidade, colesterol alto e o sedentarismo. Segundo os neurologistas, entre 80 e 90% dos casos de internação e até de morte por AVC podem ser evitados se houver melhoria na estrutura do atendimento e se o paciente adotar hábitos saudáveis. Eles lembram ainda que, apesar de ser mais recorrente entre os idosos, a doença pode atingir pessoas em qualquer idade, até recém-nascido.

 

 

 

 

ANVISA APROVA REGISTRO DE NOVO MEDICAMENTO PARA CONTROLE DE DIABETES

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O endocrinologista Dr. Walmir Coutinho fala ao Revista Brasil sobre os medicamentos disponíveis e as formas de tratamento e controle da doença

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de mais um medicamento para controle do diabetes tipo 2. O Soliqua será fornecido com uma caneta aplicadora e é composto por duas moléculas na formulação: a insulina glargina e a lixisenatida. O medicamento deverá ser usado em adultos para melhorar o controle glicêmico quando outras opções de tratamento não estejam mais funcionando. Para falar sobre o tema o Revista Brasil conversou com o Doutor Walmir Coutinho, endocrinologista e diretor do Departamento de Medicina da PUC-Rio.

Atualmente, são 14 milhões de pessoas com diabetes no Brasil – cerca de 9% da população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, metade delas ainda não foi diagnosticada. Diabetes mellitus do tipo 2 é a mais comum e representa 90% dos casos. “O tratamento mais eficaz para controle da glicose é uso da insulina. mas a insulina usada isoladamente pode levar ao ganho de peso”, explica o médico. “O que se mostrou com a combinação da insulina com essa nova molécula é que você pode com uma simples injeção diária você pode controlar a glicose sem ganhar peso”.

O especialista alerta, por outro lado, que aliado aos medicamentos os portadores de diabetes nunca podem esquecer os benefício advindos de um estilo de vida adequado. “Está provado que o diabético com simples exercícios de leve intensidade pode inclusive diminuir o risco de morrer em decorrência da doença”, esclarece.

Ouça a entrevista completa no player acima.

O Revista Brasil vai ao ar de segunda a sábado, às 6h, pela Rádio Nacional do Alto Solimões e às 8h, pela rádios Nacional da Amazônia, Nacional de Brasília e Nacional do Rio de Janeiro.

Por que vemos “pontos pretos” antes de desmaiar?

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Quatro em cada dez pessoas no mundo terão pelo menos um episódio de desmaio ao longo da vida. Se você faz parte dessa estatística, sabe que antes de perder a consciência, o corpo costuma mandar sinais de que algo ruim vai acontecer, como sensação de fraqueza, de que os sons estão cada vez mais distantes e, principalmente, o aparecimento de “pontos pretos” na visão. E por que isso acontece?

De regra geral, o desmaio é um alerta que o cérebro envia ao corpo dizendo que não está recebendo sangue suficiente para funcionar a todo vapor.

Isso acontece, principalmente, quando há uma queda na pressão sanguínea, o que dificulta o “bombeamento” do sangue para todas as partes do corpo provocando, consequentemente, a falta de oxigenação.

Como o órgão fica no topo da cabeça, é o primeiro a sentir a redução do fluxo sanguíneo, uma vez que o corpo precisa vencer a gravidade para impulsionar o sangue lá para cima. Sem oxigenação, suas células não conseguem trabalhar corretamente, provocando a perda da consciência.

Aqueles “pontos pretos” que vemos antes do desmaio ocorrem porque as células da retina (responsáveis pela visão e localizadas no cérebro) também vão ficando, aos poucos, sem oxigênio. Sem ter o combustível para executar o trabalho, elas falham até deixarem de funcionar por alguns segundos.

Os sentidos são recuperados e o corpo volta a funcionar geralmente quando ficamos deitados, na posição horizontal. Isso porque, com todo o corpo na mesma posição, o sangue volta a circular com mais facilidade até a cabeça (já que ele não precisa “vencer” a gravidade).

Ficar muito tempo em pé pode provocar desmaio?

A falta de oxigênio aliado à gravidade também pode provocar desmaios quando, por exemplo, passamos muito tempo em pé, sem mover as pernas, como quando estamos em uma fila. Isso acontece porque, com o passar do tempo, o sangue vai se acumulando nas pernas até atingir um nível que passa a fazer falta em outras partes do corpo, como o cérebro. Logo, o sangue para de voltar para a circulação e se acumula nos membros inferiores.

O desmaio não acontece simplesmente porque ficamos muito tempo em pé, mas sim por ficar em pé sem contrair a musculatura das pernas. Essa contração é o que faz o sangue retornar para a circulação, ou seja, subir de volta ao coração e de lá para todo o corpo.

 

Por que algumas pessoas desmaiam ao levar um susto?

Ao reagir ao susto, nosso cérebro ordena a liberação de uma descarga de adrenalina na corrente sanguínea, um hormônio produzido nas glândulas suprarrenais que tem a função de preparar o corpo para o perigo. A adrenalina estimula a contração dos vasos sanguíneos, ou seja, o fluxo de sangue diminui, dificultando a chegada de sangue aos órgãos. O resultado? O cérebro recebe pouca oxigenação e acontece o desmaio.

Por que algumas pessoas desmaiam ao ver sangue?

Pode até parecer difícil de acreditar, mas desmaiar ao ver sangue pode estar relacionado com nossos ancestrais. Seria um tipo de reflexo primitivo que antes era usado como uma estratégia de sobrevivência.

“Acredita-se que, quando nossos ancestrais se sentiam ameaçados por predadores, era útil conseguir cair no chão e parecer estar sem vida”, disse Adam Fitzpatrick, cardiologista e diretor de uma clínica especializada em desmaios na Enfermaria Real do Hospital de Manchester, na Grã-Bretanha, em uma entrevista à rede de televisão BBC espanhola.

Até agora, não se sabe ao certo se a predisposição para o desmaio nessas circunstâncias está ou não relacionado à genética.

Especialistas consultados: Paulo Camiz, Clínico Geral e professor do Hospital das Clínicas de São Paulo, César Jardim, cardiologista do HCor, e Leandro Teles, neurologista.

SUCO DE LARANJA É ALIADO DA DIETA E COMBATE GORDURA NO FÍGADO

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É o que aponta um estudo fresquinho conduzido por pesquisadoras da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Se você faz ou já fez dieta, deve ter ouvido a recomendação de maneirar no suco de laranja (ou até evitá-lo). O conselho se baseia principalmente na quantidade de calorias fornecidas por um copo da bebida – em média, 110 kcal. Mas, segundo um estudo brasileiro publicado recentemente na revista científica Nutrition, o líquido extraído da fruta rica em vitamina C não atrapalha a dieta – e ainda contribui com muitos benefícios para a saúde.

A pesquisa foi a tese de mestrado da nutricionista e doutoranda Carolina Ribeiro, orientada pela nutricionista Thais Borges César, professora do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, em Araraquara (SP), que estuda suco de laranja há pelo menos 15 anos. Ao longo de mais de uma década, a docente viu em pesquisas os benefícios do suco no controle do colesterol, no combate aos fatores associados à síndrome metabólica e na redução da resistência à insulina, processo que leva ao diabetes.

Ao notar a má fama da bebida na mídia e até na literatura, Thais quis fazer uma investigação com obesos para mostrar o que já via em seus trabalhos: “que, além de não engordar, o suco de laranja não atrapalha uma dieta de emagrecimento”, diz a pesquisadora.

Foi aí que as experts brasileiras recrutaram 78 homens e mulheres adultos, com idades entre 18 e 65 anos e IMC maior que 30 e menor que 40 kg/m². Os voluntários foram divididos em dois times: o grupo Dieta, que recebeu um plano alimentar de cerca de 2.000 kcal por dia para perda de peso; e o grupo Suco de Laranja, cujo cardápio tinha o mesmo valor energético da outra turma, mas incluía duas porções diárias (500 ml) da bebida natural, consumidas nos lanches da manhã e da tarde. Nessas refeições, o pessoal do grupo Dieta foi instruído a comer um alimento não cítrico com valor calórico semelhante ao do suco – uma banana, uma porção de iogurte, biscoitos salgados ou doces…

Ao longo de 12 semanas, o estudo também investigou a ingestão de nutrientes como proteínas, carboidratos, vitamina C e folato; a composição corporal dos participantes e marcadores como glicemia, insulina, colesterol, triglicérides e enzimas hepáticas também foram avaliados.

Os resultados mostraram que, dentro de uma dieta de calorias reduzidas, o suco de laranja não atrapalhou a perda de peso. “Tanto os indivíduos que tomaram quanto aqueles que não tomaram a bebida emagreceram igualmente”, relata Thais. Ambos os grupos eliminaram 6 quilos em três meses, baixando em 8% a massa gorda e em apenas 3% a massa muscular. Também foi notável a diminuição da circunferência da cintura e do quadril – fator importante para afastar doenças cardiovasculares.

Vantagens do suco de laranja

O grupo que incluiu o líquido da fruta na dieta se destacou quando o assunto foi a redução dos níveis de glicose, insulina, triglicérides, colesterol total e LDL (ruim). Outro diferencial de quem bebeu o sumo da laranja foi a redução da gordura no fígado, quadro comum em obesos que compromete o funcionamento do órgão. Os exames apontaram um menor número de enzimas hepáticas, indício de que a inflamação no fígado melhorou. “A vitamina C e os flavonoides do suco de laranja têm ação anti-inflamatória e antioxidante, trazendo benefícios para a condição metabólica de órgãos como fígado e pâncreas”, explica a pesquisadora da Unesp.

A fruta é melhor que o suco?

Estudos e entidades médicas já defenderam que comer a fruta é melhor que o suco quando se trata do teor de fibras e até da ingestão de calorias – para fazer o suco usa-se muito mais laranjas do que quando comemos uma unidade, por exemplo. Para Thais César, porém, isso não significa que um é melhor que o outro. “A laranja chupada tem mais fibras? Tem. Mas quando você consome o suco ingere mais vitaminas, minerais e flavonoides, pois são necessárias mais frutas para prepará-lo”, pondera a professora.

Se seu objetivo é perder peso, não precisa excluir nem um nem outro do menu. “O cuidado deve ser com o total de calorias. Se a fruta e o suco estiverem dentro disso, não haverá problema”, avalia a nutricionista. Ah! Lembre-se que suco e néctar são coisas diferentes! “O suco é 100% integral e o néctar é quando você acrescenta água e açúcar”, adverte a docente. Então, dê preferência às versões feitas em casa ou que são integrais. Leia o rótulo e fuja daqueles produtos cheios de ingredientes que não são amigos da dieta e nem da saúde.

DICA DE SAÚDE!

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O AVC (Acidente Vascular Cerebral) decorre da alteração do fluxo se sangue no cérebro, seja pelo corte de suprimento do mesmo indo para essa área do corpo (obstrução de vasos sanguíneos – acidente vascular isquêmico) ou de uma uma hemorragia interna no órgão devido à uma ruptura em vasos sanguíneos na região (acidente vascular hemorrágico). Ambos os casos levam à morte de células nervosas na região cerebral atingida. O caso isquêmico é o mais comum, representando cerca de 80% dos casos.

Entre os sintomas e sinais de alerta para um AVC, temos:

– dor de cabeça muito forte, de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos;
– fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo;

– paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar);
– perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz;
– perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

Os sintomas acima são comuns para ambos os tipos: hemorrágico e isquêmico. No isquêmico, pode-se notar também uma tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação, alterações de memória, negligência espacial e alteração na capacidade de planejar atividades diárias. Já para o hemorrágico, podemos ter também vômito, confusão mental, perda de consciência, sonolência, convulsões e alterações no batimento cardíaco e na respiração.

Como fatores de risco, que podem ser evitados ou tratados para diminuir as chances de desenvolver o quadro de um AVC, temos:

– hipertensão;
– diabetes;
– tabagismo;
– consumo freqüente de álcool e drogas;
– estresse;
– colesterol elevado;
– doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias;
– sedentarismo;
– doenças do sangue.

Além disso, quanto maior a idade, maiores as chances do AVC surgir, especialmente após os 65 anos. Genética também pode constituir um importante fator de risco. Por isso é importante estar regularmente indo ao médico para a avaliação e balanço desses fatores.

NÃO HÁ LIMITE PARA TEMPO DE VIDA DOS SERES HUMANOS, DIZEM ESTUDOS

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Em cinco pesquisas publicadas na revista Nature, pesquisadores refutam a ideia de que o tempo máximo de vida das pessoas é de 115 anos

Cientistas chegaram à conclusão de que pode não existir um limite de tempo de vida para os seres humanos – ou, pelo menos, ninguém comprovou que exista essa fronteira. Convidados pela renomada revista Nature, pesquisadores de várias instituições espalhadas pelo globo publicaram cinco artigos na última edição da publicação contestando a ideia de uma “barreira” natural, proposta por cientistas americanos em 2016.

Em outubro do ano passado, o geneticista molecular Jan Vijg, em parceria com seus colegas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, publicou uma pesquisa na Nature em que concluía que a idade máxima para um ser humano é de 115 anos. Na época, diversos cientistas criticaram o estudo, afirmando que os métodos e as conclusões tiradas por Vijg e seus colegadas não foram bem fundamentadas.

Agora, pela primeira vez, esses críticos tiveram a chance de explicar cientificamente as suas opiniões na própria Nature. Dois deles, os biólogos Bryan Hughes e Siegfried Hekimi, da Universidade McGill, no Canadá, analisaram os dados da pesquisa de 2016 e chegaram à conclusão de que o tempo de vida humano pode ser ilimitado.

Os pesquisadores analisaram os períodos de vida dos supercentenários (pessoas com mais de 100 anos) de Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão desde 1968. Eles descobriram que tanto o tempo de vida máximo quanto o médio podem aumentar até um futuro previsível – no caso, até 2300, data usada na análise dos pesquisadores.

O artigo de Hekimi e Hughes ainda faz um histórico da expectativa de vida no Canadá para validar a sua pesquisa. Segundo os cientistas, em 1920, um cidadão do país esperava viver até os 60 anos, em 1980, essa expectativa aumentou para 76 anos e, agora, o canadense moderno espera viver até os 82 anos. Assim, para os biólogos, o tempo máximo de vida dos humanos segue a mesma tendência.

Em resposta aos cientistas do Canadá, os autores do estudo original disseram que as as projeções de vida até 2300 eram “imaginativas”, mas “não informativas”. “Acreditamos que nossa interpretação dos dados apontando para um limite para a vida humana de cerca de 115 anos continua a ser válida”, escreveram os pesquisadores em um adendo dentro do artigo de Hekimi e Hughes.

Em entrevista a EXAME.com, Siegfried Hekimi aponta que é impossível saber até quando o ser humano pode viver. Porém, ele acredita que o meio ambiente tem um grande impacto na expectativa de vida das pessoas. “Antes dos humanos, nenhuma espécie havia transformado o ambiente ao seu redor. Assim, a quantidade de tempo que nós vamos viver depende de como iremos controlar o meio ambiente.”

Críticas e mais críticas

Além da nova pesquisa, outros quatro artigos publicados na Nature criticam os métodos utilizados por Vijg e seu time. James Vaupel, demógrafo do Centro Max Planck Odense sobre Biodemografia do Envelhecimento, na Dinamarca, e autor de um dos estudos que criticam a pesquisa de 2016, disse ao site Live Science que o estudo usou uma versão desatualizada do banco de dados do Grupo de Pesquisa de Gerontologia e, por isso, suas conclusões não são corretas.

Outro problema é que a pesquisa de Vijg analisou a idade máxima de morte em um ano em vez da duração máxima alcançada. “Em muitos anos, a pessoa viva mais antiga do mundo era mais velha do que a pessoa mais velha que morreu naquele ano”, explicou.

Para chegar à conclusão de que o limite máximo de vida dos seres humanos é de 115 anos, Vijg e sua equipe analisaram os dados demográficos de quatro países – Reino Unido, EUA, Japão e França – com uma proporção elevada de pessoas com idade igual ou superior a 110 anos.

A partir disso, eles descobriram que a idade máxima relatada na hora da morte aumentou rapidamente entre 1970 e início da década de 1990, aumentando em cerca de 0,15 anos a cada ano. Mas, no meio do final dos anos 90, um platô foi atingido, com a idade máxima reportada anualmente em cerca de 115 anos. “Com base nos dados que temos agora, a chance de você ver uma pessoa de 125 anos em um determinado ano é de cerca de 1 em 10.000”, disse Vijg no estudo.

Para Maarten Pieter Rozing, professor do Centro de Envelhecimento Saudável da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e autor de uma das críticas, há uma explicação alternativa para os dados do estudo original. “A idade máxima está simplesmente aumentando ao longo do tempo e o que vemos como um declínio é um achado falso baseado em inspeção visual e estatísticas que não deveriam ser usadas dessa maneira”, disse ao site The Scientist.

Hekimi e Hughes concordam com a visão de Rozing. Em sua pesquisa, os cientistas usaram o método de inspeção visual do artigo original para dividir os dados em diferentes períodos de tempo. “Dessa forma, mostramos que também é possível criar modelos muito diferentes, incluindo modelos sem um limite de idade”, contou Hekimi em entrevista a EXAME.com.

Embora o trabalho de Vijg não tenha apresentado um argumento forte para um limite máximo para a vida humana, os autores das críticas explicaram que isso não significa que esse limite não exista. “Só estamos dizendo que o limite de vida pode ser de 115 anos, não que ele é”, adiciona Hekimi.

Em resposta às críticas, Vijg defendeu o estudo ao dizer que não concorda com nenhum dos argumentos apresentados. “Às vezes, porque eles foram baseados em um mal-entendido, às vezes porque eles estavam claramente errados e às vezes porque discordamos dos argumentos”, disse o pesquisador ao Live Science.