Saúde na internet

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O hábito de buscar informações sobre doenças na web põe em discussão a qualidade dos conteúdos oferecidos e provoca mudanças na relação médico-paciente

— Diga trinta e três. 

— Trinta e três… trinta e três… trinta e três… 

— Respire. 

— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. 

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? 

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Antes da Internet e ainda bem antes, quando a tuberculose era conhecida como “a peste cinzenta” ou “doença do peito”, Manuel Bandeira fez poesia diante de uma consulta médica de diagnóstico irreversível. Digite “Pneumotórax” hoje em sua ferramenta de busca. Você vai encontrar 133 mil ocorrências para o termo em segundos. Os versos do poeta brasileiro até aparecerão ali pela oitava página mas antes você terá uma infinidade de informações sobre essa urgência médica: o que é, quais os sintomas, como tratar, onde ir, sites úteis, links para consultórios, páginas tira-dúvidas, dicas de comunidades virtuais. O volume de referências disponíveis e o hábito cada vez mais comum entre os usuários que acessam a web para se informar sobre doenças gera excessos que preocupam especialistas ao mesmo tempo em que modificam a relação médico-paciente, com mais autonomia para o cidadão.

De acordo com os dados da última TIC Domicílios — pesquisa realizada anualmente com o objetivo de mapear formas de uso das tecnologias de informação e comunicação no país —, aproximadamente 46% dos usuários de internet no Brasil utilizam a rede à procura de informações médicas sobre saúde em geral e serviços de saúde, numa incidência maior entre mulheres e população economicamente ativa. Já o buscador Google divulgou recentemente que 1% das buscas realizadas no site em todo o mundo é sobre sintomas de doenças, fazendo com que a alcunha de “Doutor Google”, utilizada de forma jocosa pelos usuários para se referir ao gigante de buscas online, seja bastante apropriada.

Para a médica e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Helena Garbin, os indivíduos sempre procuraram informações sobre seu estado de saúde, mas é inegável que o surgimento da Internet trouxe um aumento significativo do acesso a informações amplificando assim os reflexos deste processo e alterando a relação entre os indivíduos. Como lidar com tantas informações diferentes e frequentemente contraditórias sempre ao alcance de um clique? Em que informação confiar? Como encarar o fenômeno que gerou até um termo próprio, os chamados “cibercondríacos”?

Segundo Helena, cibercondríacos são nada mais nada menos que hipocondríacos com acesso à internet. “Isto é, a internet e seus incontáveis locais com diferentes formas de obtenção de informação em saúde são os instrumentos que facilitam a hipocondria”, diz a pesquisadora, acrescentando que a preocupação maior que se coloca é em relação à qualidade da informação disponível. Para ela, além de verificar a credibilidade do conteúdo e das fontes, é importante manter-se alerta para a origem e reconhecimento do ambiente no qual a página está hospedada. Quando se fala de informação técnica, uma boa indicação, de acordo ainda com a pesquisadora, são sites suportados por universidades, hospitais, instituições da área da saúde e escolas de formação em outras racionalidades médicas que não a biomedicina a exemplo da homeopatia, acupuntura e ayurvédica.

“Mas se nos referirmos à informação dita ‘leiga’, a escolha de parâmetros é bem mais complicada”, adverte. A pesquisadora chama a atenção para o perigo do autodiagnóstico e da automedicação, que podem gerar consequências nefastas tanto para os indivíduos quanto para a saúde pública, uma vez que boa parte dos estudos mostra que não são adotados critérios durante as buscas. “Uma coisa é, por exemplo, usar uma medicação sintomática clássica para um aparente resfriado comum e procurar atendimento se não houver melhora”, diz, sem esquecer que mesmo isso apresenta riscos. “Outra coisa é juntar sintomas, fazer um diagnóstico na internet e se tratar por conta própria, ou parar medicação prescrita porque alguém do grupo de Facebook parou”.

Avaliando-a-qualidade-da-informação

Quem nunca digitou “dengue” ou “enxaqueca”, descreveu os sintomas de um mal estar ou acessou pelo nome um medicamento qualquer nos sites de busca? A prática tem se tornado tão frequente quanto realizar, pela web, uma consulta prévia ou posterior a uma ida ao médico, fazer comparação entre diagnósticos e buscar uma segunda opinião ainda que no universo virtual. Para os professores em saúde pública da Universidade de Brasília (UnB), Ana Valéria Machado Mendonça e Júlio César Cabral, isso abre espaços para erros sucessivos. “A possibilidade de semelhança entre diagnósticos pode conduzir a decisões erradas e, consequentemente, a um agravamento na saúde do indivíduo”, argumentam. Segundo os pesquisadores, a leitura e apropriação das informações, se não bem orientadas, levam a interpretações pragmáticas, algo que não cabe em se tratando de saúde. “Além disso, a adoção de procedimentos, medicamentos e doses erradas no tratamento pode agravar a doença e favorecer o aparecimento de outros problemas, por exemplo, intoxicação ou resistência à medicação”.

Atento à qualidade da informação disponível na web, o Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (LaISS), do Centro de Saúde Escola Germano Sinval de Faria da Ensp/Fiocruz, realizou um estudo para avaliar sites de saúde vinculados às temáticas da dengue, tuberculose e aleitamento materno. Somente em relação à dengue, foram avaliados 18 sites — entre portais de notícia, da iniciativa privada e do governo — e nenhum deles conseguiu alcançar mais de 70% de conformidade com os indicadores e critérios utilizados, divididos em qualidade técnica, interatividade, legibilidade, abrangência e precisão da informação.

Para André Pereira Neto, historiador e pesquisador da Fiocruz que coordena o estudo, a avaliação da qualidade da informação representa “um esforço no sentido de incentivar o empoderamento do cidadão”. No Brasil, ainda não existe um sistema que certifique a qualidade de sites sobre saúde. O Selo Sergio Arouca, lançado pela Fiocruz em junho, pode ser um primeiro passo nesse sentido. Com o objetivo de melhorar a qualidade da informação disponível nos sites de instituições vinculadas ao SUS, serão avaliados 50 sites de secretarias municipais e estaduais. O processo de avaliação tem início com um diagnóstico baseado em critérios e indicadores. “Serão indicados os pontos que estão com menor conformidade e que necessitam ser ajustados. Feitos os ajustes, o site é reavaliado e receberá o selo” (ver Radis 167).

Autocuidado-X-Estresse

André acrescenta que o excesso de informação em rede atrapalha, pois o cidadão tem dificuldade de discernir entre o certo e o duvidoso, o correto e o mentiroso. Por outro lado, ele acredita que o acesso à informação de qualidade pode aumentar a autonomia do cidadão. Helena Garbin, que há quatro anos defendeu tese de doutorado sobre o uso da internet para obtenção de informações em saúde, lembra que o acesso a informações técnicas e científicas ou vinda de pares pode facilitar a percepção de sinais de alerta para quadros agudos, agilizando a busca por atenção em saúde. “Também o conhecimento ampliado sobre seu próprio estado de saúde pode ser benéfico para um indivíduo, em especial para portadores de adoecimento crônico, por permitir uma melhor compreensão de seu adoecimento e de seu corpo e uma melhor observação das alterações no seu organismo”, diz, constatando que isso possibilita que ele se torne mais ativo em seu tratamento e consciente do autocuidado. Contudo, ela pondera, alguns estudos ainda apontam que a informação obtida pode gerar estresse e sofrimento diante das reais possibilidades de evolução de determinadas patologias e até colaborar para seu agravamento. “Além do risco de informações erradas e incompletas, é sabido que as pessoas tendem a acreditar em diagnósticos raros e graves encontrados na rede (e não somente na rede) para suas queixas comuns”.

A despeito disso, a pesquisadora diz que os grupos e comunidades virtuais de adoecidos podem desempenhar um papel importante, proporcionando uma recuperação de sentidos, oferecendo suporte e um retorno às questões humanas do adoecer. Além disso, permitem que as informações da vivência diária do adoecimento sejam trocadas entre os principais interessados. Ela lembra, entretanto, que algumas comunidades, assim como muitos sites, podem ser simplesmente veículos de empresas comerciais, interessadas em divulgação de medicamentos, de novas tecnologias, ou mesmo de valores que levem os usuários a buscar seus produtos.

“Paciente-informado”-e-médico-que-orienta

Em pesquisa que realizou no Facebook com pessoas vivendo com HIV, diabetes e hepatite C, André Pereira diz ter constatado que a troca de conhecimentos derivados da lida diária com a doença foi fundamental para a promoção de autonomia e o autocuidado. “A informação disponível e compartilhada na Internet está levando à construção do ‘expert patient‘ ou ‘paciente informado’, um paciente que se torna especialista em determinado assunto de saúde graças à quantidade de informação que possui”, acrescenta. André acredita que é por esta razão que a tradicional relação vertical entre médico e paciente vem sofrendo uma profunda alteração.

De acordo com Helena, as informações disponíveis na internet têm potencial para modificar a relação médico-paciente, ainda baseada em um significativo desequilíbrio de poder. “Elas tendem a elevar o poder decisório do paciente, colocando em questão a formação e autoridade profissional médica e desafiando o médico a estar constantemente atualizado”. A pesquisadora acredita que, em um sistema de saúde perfeito, seria fundamental o paciente colocar as coisas que encontrou em sua pesquisa, os dois discutirem a questão e assim criarem a possibilidade de decisões mais compartilhadas. “O médico poderia também orientar a busca de informações de seu paciente e possibilitar aos indivíduos optar racionalmente pela adoção de comportamentos considerados saudáveis”, diz. “Mas como é possível realizar essas tarefas, além das atividades clássicas de uma consulta médica, num mundo imperfeito de consultas de 10 ou 15 minutos e fila na porta?”, indaga.

Helena reitera que uma boa pesquisa na internet não substitui jamais os anos de formação em ciências médicas. “Saber tudo sobre uma patologia não se compara ao estudo de anatomia, anatomia patológica, semiologia, farmacologia”, afirma. Para Ana Valéria e Júlio César, é impossível fechar os olhos para o fenômeno de busca incessante por informações na internet. “Os profissionais de saúde devem lidar com essa realidade com a sensatez de quem deve reconhecer que a educação permanente passa pelo fato de inclusão tecnológica, uso de evidências para tomada de decisão e ainda uso de informação com qualidade para orientação das demandas dos serviços de saúde”, concluem, sugerindo que deveria se tornar obrigatório aos projetos de inclusão digital e social mediados por tecnologias inclusivas a orientação para os riscos da informação desassistida.

O que é automedicação?

A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são “percebidos” pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde.

O que é o uso indiscriminado de medicamentos?

O uso indiscriminado de medicamentos não se restringe somente à automedicação. Está relacionado à “medicalização”, ou seja, uma forma de encontrar a cura para as doenças e promover o bem-estar usando exclusivamente o medicamento.

Quais os riscos causados pela automedicação e pelo uso indiscriminado de medicamentos?

Uma das preocupações frente à automedicação e ao uso indiscriminado de medicamentos é o risco de intoxicação. Os analgésicos, os antitérmicos e os antiinflamatórios representam as classes de medicamentos que mais intoxicam.

Fonte: www.anvisa.gov.br/propaganda/folder/uso_indiscriminado.pdf

 

 

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Perda de memória e envelhecimento acelerado: os danos que a obesidade causa ao cérebro

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Lucy Cheke e seus colegas na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, recentemente convidaram um grupo de voluntários para fazer uma espécie de “caça ao tesouro” em seu laboratório.

Os participantes navegavam em um ambiente virtual a partir de uma tela de computador, escondendo vários objetos pelo caminho. Em seguida, tinham de responder a uma série de perguntas para testar o quanto se lembravam do que tinham acabado de fazer.

Ao analisar o que pode ter influenciado o desempenho de cada um, seria mais lógico imaginar que Cheke estaria mais concentrada no QI do participante do que no tamanho de sua barriga.

Mas ela encontrou uma ligação evidente entre o Índice de Massa Corpórea (IMC), usado para indicar o nível de obesidade, e um aparente deficit de memória: quanto mais alto o IMC do voluntário, pior ele se saía na tarefa.

O experimento de Cheke contribuiu para um corpo cada vez maior de evidências de que a obesidade está ligada ao “encolhimento” do cérebro e ao deficit de memória.

A pesquisa sugere que o excesso de peso pode contribuir para o desenvolvimento de distúrbios neurodegenerativos, como o mal de Alzheimer.

Surpreendentemente, o estudo também mostra que a relação entre a obesidade e a memória é uma via de mão dupla: estar acima do peso não só tem um impacto sobre o que somos capazes de recordar como também pode influenciar o comportamento alimentar no futuro, ao alterar nossas lembranças de experiências passadas envolvendo comida.

Obesidade e ‘idade mental’

Cheke partiu da hipótese de que a obesidade poderia afetar a capacidade de imaginação, pois outros estudos já comprovaram existir uma relação entre a memória e a imaginação – nosso cérebro tende a unir fragmentos de lembranças para prever como serão eventos no futuro.

Em 2010, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, nos EUA, relataram que adultos de meia-idade saudáveis, mas com mais gordura abdominal, tendem a ter um cérebro menos volumoso.

O problema é mais evidente no hipocampo, uma estrutura cerebral profunda que tem a função de aprender e guardar memórias – muito menor em obesos do que em pessoas mais magras.

Um estudo mais recente que realizou tomografias cerebrais de mais de 500 voluntários confirmou que há uma ligação entre estar acima do peso ou obeso e apresentar um grau mais avançado de degeneração cerebral por causa da idade.

Esses efeitos eram mais acentuados em pessoas na meia-idade, nas quais as mudanças relacionadas à obesidade correspondem a um aumento de cerca de dez anos na “idade mental”.

Menos memória, mais quilos

Mas a obesidade é um distúrbio complexo, causado por muitos fatores. Por isso, ainda não se sabe exatamente como ela afeta a estrutura cerebral e sua função.

“A gordura corporal é o principal indício de obesidade, mas há outros problemas, como a resistência à insulina e a hipertensão”, explica Cheke.

“Essas coisas andam de mãos dadas com fatores comportamentais, como comer demais ou se exercitar de menos. Tudo isso pode provocar alterações no cérebro.”

Uma inflamação no cérebro também pode ser um dos fatores. Psicólogos da Universidade do Arizona descobriram que o IMC alto está associado ao declínio da memória e a altos níveis de uma proteína que indica inflamação.

Isso é algo preocupante, ainda mais com as recentes evidências de que a atenção e a memória controlam o apetite e o comportamento alimentar. O que significa que um deficit de memória poderia provocar um ganho de peso.

As primeiras provas disso surgiram em um estudo de 1998, feito pela Universidade da Pensilvânia, nos EUA, que mostrou que pacientes com amnésia grave estavam sempre dispostos a comer logo após uma refeição, simplesmente porque não se lembravam que já tinham se alimentado momentos antes.

“Isso indica que quando decidimos o quanto ingerimos, não nos baseamos apenas nos sinais fisiológicos sobre a quantidade de comida no estômago, mas também em processos cognitivos, como a memória”, explica o psicólogo e pesquisador Eric Robinson, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido.

A atenção e a memória são elementos independentes entre si, mas ligados estreitamente. Não podemos nos lembrar de algo ao qual não prestamos atenção, assim como também nossa lembrança de algo tende a ser mais vívida quanto mais pensamos nela.

Por isso, é possível que uma memória vívida de um almoço pode reativar o estado psicológico do organismo, o que reduz a fome e, consequentemente, o tamanho da próxima refeição.

Por outro lado, alguém que está distraído durante o almoço pode sentir uma ausência de lembranças e, ao pensar no jantar, pode ter mais fome.

Esse ponto é particularmente interessante, principalmente porque há indícios de que comer demais é algo que pode prejudicar a memória. Ou seja, o excesso de comida e os problemas de memória se reforçam mutuamente, colocando o indivíduo em um ciclo perigoso.

Nova abordagem para a perda de peso

Essas descobertas podem trazer ideias para uma nova abordagem para ajudar as pessoas a perder peso e a manter um IMC saudável.

Robinson e seus colegas, por exemplo, desenvolveram um aplicativo de celular que estimula o usuário a comer com mais atenção.

“O programa encoraja a pessoa a tirar fotos de seus pratos e a responder perguntas sobre suas refeições”, explica o psicólogo. “A ideia é criar lembranças vívidas que deixem o usuário menos propenso a comer em excesso durante o resto do dia.”

A equipe de Cheke também está usando um aplicativo para coletar informações sobre o estilo de vida e o comportamento alimentar de voluntários.

O objetivo é tentar isolar os vários fatores que podem contribuir com a obesidade – principalmente os que estão relacionados à estrutura e à função cerebrais.

*Moheb Costandi é autor do livro “Neuroplasticity”(“Neuroplasticidade” em tradução literal, ainda não lançado no Brasil).

Menina faz cirurgia para retirada de tumor no rosto nesta terça nos EUA

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Melyssa, de 5 anos, ganhou viagem e tratamento em hospital especializado após pais, de Guarulhos, promoverem campanha na internet.

 

A menina Melyssa Braga, de 5 anos, tem a cirurgia para retirada de um grande tumor no rosto marcada para esta terça-feira (20) no hospital LSU Health Shreveport, em Louisiana, nos Estados Unidos. Os médicos são especialistas em tumores grandes e em pescoço e cabeça.

“Ela já passou pelo pré-operatório e vai para a cirurgia em poucas horas”, disse a mãe Caroline Braga. A mãe postou em página do Facebook que Melyssa entrou na sala de cirurgia por volta das 12h. No vídeo, ela disse que primeiro os médicos terão que tratar de uma via aérea para depois removerem o tumor.  A cirurgia deve durar 10 horas.

Melyssa viajou com os pais e irmão no dia 9 para os Estados Unidos depois de uma grande campanha promovida pela família na internet para arrecadar dinheiro e buscar ajuda para o tratamento. Moradores de uma comunidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, Manassés e Caroline Braga conseguiram arrecadar com a ajuda de parentes e amigos R$ 80 mil. Também ganharam as passagens e ajuda para retirada do visto especial.

Um médico brasileiro que trabalha há anos nos Estados Unidos soube do caso de Melyssa, se interessou e entrou em contato com a família. Além da cirurgia, o hospital também ofereceu um apartamento para que eles se hospedem durante todo o tratamento da criança.

Em um vídeo postado em seu perfil na internet, a mãe de Melyssa explica que depois de retirar o grande tumor os médicos vão instalar uma placa de titânio no rosto da menina. “Conforme ela for crescendo vamos ter de voltar aos Estados Unidos para trocar a placa no rosto. Quando ela tiver seis a sete anos vamos ter que voltar para que seja feita outra cirurgia para retirar um pedaço do osso da perna para ser colocado na mandíbula.”

Caroline diz que desde que chegou aos Estados Unidos a filha tem se mostrado debilitada e não tem se alimentado direito. O tumor cresceu muito nas últimas semanas e a ferida que provocou no rosto aumentou. “Ela fica tirando o tumor com a mão, deve ter pegado alguma bactéria da mão dela”, diz.

“Estou confiando muito em Deus para que ele faça um milagre”, disse. “Peço orações porque está sendo difícil ver minha filha desse jeito.”

A doença
A família de Melyssa descobriu o câncer chamado sarcoma desmoide em 2014. Durante uma brincadeira com a filha, os pais perceberam que o pescoço dela estava com um nódulo. Foram ao médico e, sem exames, receberam o diagnóstico de íngua e indicação de tratamento. Após idas e vindas ao pronto socorro do convênio, exames, tomografias e médicos especialistas, a mãe, levou a filha na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e lá foi constatado o tumor.

Após uma semana internada, muitos exames feitos e o tumor ainda maior, iniciaram o tratamento com anti-hormônio, que durou cerca de dois meses. Sem o resultado esperado, deram sequência com quimioterapia durante três meses. Mas com a imunidade baixa, e pouco resultado, os médicos constaram que Mel não poderia receber mais sessões da medicação.

“A última que ela tomou foi em maio de 2015. Ela estava com imunidade zero, com os glóbulos brancos baixos. Ela foi internada duas semanas, porque o organismo dela não estava mais aguentando”, conta a mãe.

Em uma conversa com o médico, a família soube que a quimioterapia não estava dando o resultado esperado, que Mel não aguentaria outros tratamentos e que os pais deveriam decidir se ela seria operada. “Eu perguntei se ela morreria fazendo ou não a cirurgia e ele disse que sim. Eu não acreditava, eu chorava”, lembra a mãe.

“Então, que não autorizava a cirurgia. Se fosse para ela morrer de qualquer jeito, que seja em casa, brincando, feliz, comendo. Ao meu ver de mãe, eu optei pela qualidade de vida dela. Melhor do que ela ficar até o último dia dentro de um hospital, sem comer, sem falar, debilitada”, lamenta.

O médico explicou para os pais que aquele era o momento de fazer a cirurgia, que depois não seria possível. “Eu procurei manter a calma, pensei, repensei, mas é uma decisão difícil”, conta o pai.

Desde que os pais optaram por não operar Mel pouca coisa mudou. Embora o tumor tenha crescido ainda mais, eles garantem que a filha não sente dores, não toma remédios e está sempre brincando. “Ela é cheia de vida”, garante a mãe.

Segundo os pais, as maiores dificuldades de Mel é uma ferida que apareceu no rosto dela, depois que um vasinho estourou e a pele não conseguiu conter e a gengiva que tem sido forçada ainda mais para dentro, por causa do tumor. Essas complicações fizeram a família repensar a cirurgia.

COMO PARAR UM SANGRAMENTO EM MENOS DE 1 MINUTO COM ESTE SIMPLES TRUQUE!

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Algumas pessoas têm pavor a sangue

Se esse for o seu caso, então a dica que trouxemos pode ajudar muito.

Existem lesões no nosso corpo que fazem  jorrar muito sangue e estancar a hemorragia não é tão simples.

Portanto, o que acha de aprender um truque que para o sangramento em dez segundos?

Antes de mais nada, é importante entender: no sangue humano, há glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.

Quando se trata de coagulação, desses três, as plaquetas são as mais importantes.

Elas são em forma de um disco (ou uma placa).

E, quando ocorre um sangramento, elas reconhecem uma substância liberada pelo corpo e correm em direção ao local da lesão.

Isso acontece sempre que nos ferimos.

Mas há recursos naturais que agilizam o processo.

Para estancar o sangue, em caso de ferimento externo, a protagonista deste post é a pimenta-caiena.

É bem fácil e rápido.

Passe-a um pouco no ferimento e logo ele vai parar de sangrar.

Isso acontece porque a pimenta é muito mais do que um ingrediente de cozinha.

Trata-se de uma poderosa alternativa para combater diversos problemas, como sangramento, enxaqueca, azia, constipação, gripe, dor nas articulações e infecção fúngica.

Além disso, ajuda contra obesidade, inchaço e dores no dente.

Falando em bebida: quanto é demais?

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A maioria dos especialistas concorda que o mais seguro é não beber.

 

COMO MUITOS FÃS DE ROCK, Tande Coelho, de 43 anos, vai ao bar com os amigos para tomar cerveja e ouvir música. Na maioria das vezes, ele gosta de tomar cerveja, mas, de quando em quando, troca a “loura gelada” pelo vinho tinto.

 

“Não bebo todo dia, mas, em média, de duas a três vezes por semana. Eventualmente, bebo sozinho em casa ou no bar perto de casa, mas isso é raro. A quantidade varia, mas diminuiu com a idade. Quando era mais jovem, bebia mais de 15 chopes em uma noite. Hoje, costumo tomar entre oito e dez long necks”, conta ele.

 

As chamadas long necks são as garrafas de 355 ml. Como meio litro de cerveja com 4% de graduação alcoólica contém 16 g de álcool puro, Tande e os amigos ingerem de 90 a 113 g de álcool cada vez que saem. No entanto, o Ministério da Saúde recomenda consumo zero tanto para homens quanto para mulheres.

 

As autoridades de saúde pública brasileiras estão cada vez mais atentas aos hábitos alcoólicos e ao consumo abusivo da bebida. Segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde, um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) feito em 2014, o álcool é consumido praticamente em todo o planeta. Estima-se que, só em 2010, indivíduos acima dos 15 anos consumiram em torno de 6,2 litros de álcool puro, quantidade equivalente a 13,5 g por dia.

No Brasil, o consumo estimado é de 8,7 litros por pessoa, quantidade superior à média mundial. Embora o Brasil apresente um consumo elevado, o consumo per capita caiu ao longo de cinco anos: passou de 9,8 litros por pessoa, em 2005, para 8,7 litros, em 2010.

 

“Aqui, temos uma situação de contraste. Enquanto 51% da população não consome álcool, 25% bebem mais de 80% das bebidas alcoólicas. De um lado, altas taxas de abstinência. Do outro, elevado consumo de uma parcela significativa da população”, analisa o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) e professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

A OMS pinta um quadro assustador dos efeitos do álcool sobre a saúde humana. No mundo inteiro, 3,3 milhões de mortes anuais resultam da bebida. Ou seja, quase 6% de todas as mortes são atribuídas total ou parcialmente ao álcool. No Brasil, o álcool esteve associado a 63% e 60% dos índices de cirrose hepática e a 18% e 5% dos acidentes de trânsito entre homens e mulheres, respectivamente, em 2012. Além disso, seu uso é fator causal de mais de duzentos tipos de doenças e lesões. De acordo com a OMS, também há uma relação entre o uso prejudicial de álcool e transtornos mentais e comportamentais.

 

Motivadas pelo desejo de melhorar a saúde e a segurança, as autoridades de mais de quarenta países criaram diretrizes nacionais para o consumo de bebidas. Mas, embora concordem que beber “demais” faz mal, parece que é difícil um consenso sobre o que é “demais”.

 

O Dr. Laranjeira explica que, apesar da falta de concordância sobre o nível seguro, há, sim, alguns consensos. Por exemplo: “grávidas e adolescentes não deveriam consumir álcool porque não existe dose segura para esses grupos”. Outro: “mulheres e idosos são biologicamente mais sensíveis às bebidas por terem menos massa muscular.”

 

“Em geral, um copo de vinho ou de cerveja, no máximo, seria a dose segura. O fato de alguns países estabelecerem um limite maior tem mais a ver com lobby da indústria do álcool do que com evidência de pesquisa científica”, afirma ele.

 

Embora meio litro de cerveja a 4% contenha 16 g de álcool puro, meio litro de cerveja lager com 5% contém 20 g. E há diferença entre o consumo médio diário e uma bebedeira.

 

“Dessas duas modalidades, a mais prejudicial para o fígado é a que consome quantidades razoáveis todos os dias. Embora ambas provoquem malefícios, a de longo prazo é a pior”, alerta o Dr. Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (ABRAD).

 

Em janeiro, o Reino Unido revisou a recomendação de consumo de álcool para apenas 16 g diários para homens e mulheres, um dos níveis mais baixos da Europa. Agora, o Conselho de Saúde dos Países Baixos recomenda que todos se abstenham inteiramente ou tomem, no máximo, uma dose-padrão por dia (definida pela  OMS em 10 g de álcool).

 

Apesar de estudos afirmarem que uma taça de vinho pode fazer bem, a maioria dos especialistas concorda que o teor de álcool mais seguro é zero. Como enfatiza Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, “os malefícios do álcool são tão impactantes que o ministério recomenda consumo zero. Quanto menos, melhor. Não importa se a meta é ou não realista. O que importa é salvar vidas”.

 

O Dr. Jaber explica: “O álcool é uma substância tóxica e, como tal, altera o metabolismo. Ele danifica o sistema imunológico, aumenta o risco de câncer e lesiona pâncreas, fígado e rim.” Não bastasse tudo isso, segundo ele, quem bebe diariamente “desenvolve tolerância e precisa de cada vez mais quantidade para obter o mesmo efeito de antes”.

 

A psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD), endossa a recomendação do Ministério da Saúde, mas considera que ela “não é eficaz”. Vários fatores – incluindo cultura, história e economia de cada país – fazem com que a maioria beba. Em muitos países, a bebida faz parte das refeições e dos rituais sociais. “Se for beber”, diz, “siga a recomendação da OMS: homens não devem consumir mais que três doses por situação e mulheres, duas”.

 

“Quem tem histórico de uso de drogas, transtorno alimentar, doença mental ativa – principalmente depressão, trauma ou ansiedade – ou doenças físicas como diabetes e problemas hepáticos e renais, deve se abster, pondera Ana Cecília, da ABEAD. “Nesses casos, a chance de agravamento do quadro é muito alta.”

 

As diretrizes só são úteis quando lhes damos atenção. Em última análise, é claro que tudo se resume às opções pessoais. Tande Coelho, por exemplo, parou de consumir bebidas destiladas, mas ressalva que só deixaria de beber cerveja por orientação médica em caso de doença grave. “Sempre pratiquei exercícios para compensar a vida boêmia. Corro três vezes por semana. Uma forma de manter a saúde em dia e o corpo funcionando bem”, diz Tande.

SELEÇÕES

Como não ficar diabético

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Em todo o mundo, grande parte da população está prestes a se tornar diabética. Só mudanças severas no estilo de vida podem fazer a diferença.

 

“SUA GLICEMIA ESTÁ ALTA DEMAIS. Você tem pré-diabetes.” Quando ouviu o médico atestar isso em julho do ano passado, Gail Tudor, 54 anos, videógrafa de casamentos do Reino Unido, ficou chocada. Como assim? Seu índice de massa corporal era normal, e ela seguia a alimentação recomendada pelo sistema de saúde britânico, com pouca gordura e muitas frutas, legumes e cereais. Além disso, Gail, mãe de dois filhos que mora no País de Gales, era muito ativa: patinava, caminhava e muito mais. Como já fazia essas coisas, o médico achou improvável reverter o caminho para o diabetes tipo 2. Ofereceram-lhe um tratamento à base de medicamentos e disseram-lhe que o mais provável seria que ela tomasse remédios pelo resto da vida. “Eu nem pude acreditar”, diz Gail. E decidiu descobrir o que poderia fazer para evitar o avanço do diabetes – sem recorrer a remédios.

 

O ENGENHEIRO APOSENTADO Frank Linnhoff, 69 anos, que mora perto de Bordéus, na França, sabia que a obesidade e o histórico familiar significavam risco elevado de diabetes tipo 2. O pai morrera com 70 anos de insuficiência renal causada pela doença; o irmão amputara uma perna aos 45 anos por causa dela. Diagnosticado com pré-diabetes alguns anos antes, Linnhoff se esforçava ao máximo para seguir a orientação médica de alimentação e exercícios, mas seu peso não parava de aumentar.

 

Em janeiro de 2015, ele se sentia tão mal que decidiu fazer um exame de sangue. O resultado mostrou que sua glicemia em jejum estava altíssima. Ele sabia que, se fosse ao médico, receberia o diagnóstico de diabetes.

 

“Fiquei tão chocado que passei a noite em claro, procurando respostas na internet”, diz ele. “Meu pai e meu irmão não tinham conseguido controlar o diabetes; eu não queria o mesmo destino.” Então decidiu sair sozinho do precipício.

 

Em agosto de 2015, com 57 anos, também ouvi do médico que minha glicemia em jejum estava na faixa pré-diabética. Como Gail, eu não tinha excesso de peso. Meu IMC era saudável, de 23,7. Fazia exercícios três vezes por semana e dava dez mil passos por dia. Além disso, depois de 25 anos escrevendo sobre saúde, havia três décadas que eu seguia todas as recomendações alimentares. O que mais poderia fazer?

 

Comecei a pesquisar a literatura médica, atrás de dados mais atuais.

 

Descobri que o pré-diabetes é um alerta de problemas futuros. No Velho Continente, só este ano dezenas de milhares de europeus e europeias descobriram fazer parte dessa estatística. Estima-se que de cada três adultos no Reino Unido, um seja pré-diabético, e a Fundação Internacional de Diabetes calcula que, na Europa, cerca de 5% dos adultos de 20 a 79 anos já convivem com a intolerância a glicose e correm mais risco de desenvolver diabetes. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de um em cada três adultos americanos são pré-diabéticos, mas apenas 11% das pessoas estão cientes de sua condição.

 

No Brasil, os dados do Ministério da Saúde informam que há 14 milhões de diabéticos, 90% deles com o tipo 2 da doença. Estima-se que 12% da população como um todo já se enquadre no diagnóstico de pré-diabetes.

 

O pré-diabetes torna dez vezes maior o risco de diabetes tipo 2, com seus níveis assustadores de doença cardíaca, AVCs, cegueira, lesões neurológicas e hepáticas e amputação de membros. Além disso, os danos aos tecidos e vasos sanguíneos podem começar bem antes do surgimento do diabetes tipo 2.

 

Geralmente acompanhada ou seguida de hipoglicemia, o pré-diabetes está ligado a problemas com a insulina, hormônio que remove o açúcar do sangue e o leva para as células, que o usam para produzir energia ou o armazenam como gordura. No pré-diabetes, ela é produzida em quantidade tão grande que o sistema não funciona mais com a mesma eficácia, num processo chamado resistência à insulina. O resultado é que circula açúcar demais no sangue, o que provoca aumento da glicemia e do risco de diabetes tipo 2.

 

A boa notícia é que o pré-diabetes é reversível com mudanças do estilo de vida. A escolha é sua. Na verdade, desde o diagnóstico, Gail Tudor, Frank Linnhoff e eu vencemos o pré-diabetes e melhoramos nossa saúde.

 

Se você ou algum conhecido têm pré-diabetes, eis o que é preciso saber:

 

1. Quem corre risco?

 

Ter excesso de peso ou ser obeso, inativo ou de uma família com histórico de diabetes tipo 2 são condições que aumentam a probabilidade de receber o diagnóstico de pré-diabetes. Mulheres como Gail, que tiveram diabetes gestacional, correm risco muito maior de apresentar pré-diabetes ou diabetes tipo 2. O mesmo acontece com mulheres que deram à luz bebês com mais de quatro quilos – como eu.

 

Eu também sofria de um problema hormonal e genético relacionado com o pré-diabetes, chamado síndrome do ovário policístico (SOP), que provoca pouca fertilidade, possível aumento de peso e outros sintomas. Uma característica importante da SOP, como do diabetes, é a resistência à insulina.

 

“O segredo é a ação da insulina”, observa o Dr. Jason Fung – nefrologista canadense cujos pacientes, em sua maioria, têm diabetes tipo 2 –, que recentemente escreveu o livro The Obesity Code (O código da obesidade) para explicar que a insulina, a resistência à insulina e o cortisol, um hormônio do estresse, são os gatilhos hormonais mais importantes da obesidade e do diabetes tipo 2. Segundo o Dr. Fung, para revertê-los é preciso cuidar deles.

 

2. Como o pré-diabetes é diagnosticado?

 

Como não costuma ter sintomas, o pré-diabetes é percebido com o resultado de exames de sangue, em geral um dos seguintes: 1) glicose plasmática em jejum, exame em que o sangue é tirado de manhã antes de comer, com quantidade de açúcar entre 5,6 e 6,9 mmol ou 100 e 125 mg/dl; 2) exame de tolerância a glicose, feito duas horas depois de tomar 75 g de uma bebida doce, com açúcar entre 7,8 e 11 mmol ou 140 e 199 mg/dl; ou 3) hemoglobina A1c, exame único que reflete a média trimestral do nível de glicose no sangue, com resultado entre 5,7% e 6,4% ou 39 a 46 mmol/mol. Em todos esses três exames, resultado mais alto significa diabetes tipo 2 já instalada.

 

3. Emagrecer, mas como?

 

Há anos já se sabe que perder 5% a 10% do peso, não importa como, pode ser um fator-chave para reverter o pré-diabetes ao menos por um tempo. Mas, como temos conhecimento, é difícil manter a maioria das dietas, e a pessoa acaba recuperando o peso, às vezes mais do que perdeu. Com esse ganho e a volta à alimentação habitual, o mau resultado costuma retornar aos exames.

 

Mas há uma nova abordagem um tanto controvertida: milhares de pessoas, como Gail Tudor, Frank Linnhoff e eu, emagrecemos e revertemos os fatores de risco de diabetes eliminando da alimentação o açúcar e os carboidratos amiláceos ou refinados (pão, batata, arroz, macarrão, flocos de cereais, biscoitos e bolos) e aumentando a proporção de gordura saudável.

 

A digestão transforma todos os carboidratos em açúcar – o mesmo açúcar que provoca a liberação de insulina. Assim, eliminar ou reduzir a maioria dos carboidratos a menos de 100 g por dia (e até a 20 g por dia) baixa a quantidade de açúcar no sangue e, portanto, a necessidade de insulina para reagir a ele, como explica o Dr. Fung. Isso ajuda a nos ressensibilizar à insulina. “Na verdade, o diabetes e o pré-diabetes deveriam se chamar intolerância a carboidratos”, explica o Dr. Aseem Malhotra, cardiologista do Reino Unido, assessor do Fórum Nacional de Obesidade britânico e fundador e ex-diretor científico da campanha “Action on Sugar” (Ação sobre o açúcar) para remover ou reduzir o açúcar acrescentado à alimentação.

 

As dietas pobres em carboidratos existem há anos, mas o toque novo é o acréscimo de gordura saudável. As gorduras de laticínios, nozes, peixe e ovos (inclusive da gema) são saudáveis, enquanto o consumo excessivo de óleos vegetais e gorduras trans pode provocar doenças crônicas. Cada vez mais indícios mostram que a recomendação de evitar gordura comum nos últimos 30 anos está equivocada e que a gordura sacia, faz bem ao coração e ao cérebro e, comparada a outros grupos de alimentos, é o que tem o menor impacto sobre a liberação de insulina.

 

O Dr. Fredrik Nystrom, pesquisador de diabetes e chefe de medicina interna da Universidade de Linkoping, na Suécia, concorda. Seu conselho: “restrição de carboidratos combinada à dieta mediterrânea rica em gordura” (peixe, carne, legumes, verduras, queijo, nozes, amêndoas e azeite).

 

Um estudo publicado em junho de 2016 pela revista The Lancet Diabetes & Endocrinologyconstatou que a alimentação mediterrânea rica em gorduras não engorda; na verdade, os homens e mulheres que ficaram no grupo de muita gordura perderam mais peso e barriga do que o grupo que recebeu pouca gordura.

 

Em julho do ano passado, Gail Tudor começou a abordagem de pouco carboidrato e muita gordura (LCHF, na sigla em inglês); em maio deste ano, já tinha perdido mais de seis quilos, a maior parte nos três primeiros meses, embora emagrecer não fosse sua intenção, e a glicemia voltou à faixa saudável. Frank Linnhoff, que iniciou a LCHF em janeiro de 2015, perdeu mais de nove quilos, e hoje a glicemia e a pressão são normais. Passei a seguir a dieta no final de 2015 e, sete meses depois, tinha perdido quase cinco quilos e minha glicose voltou ao normal. Melhor ainda: a comida é deliciosa.

 

Dá certo com todo mundo? Nenhum estudo de longo prazo foi publicado, e as associações do diabetes da maioria dos países estão esperando para ver.

 

Mas a onda de entusiasmo de médicos e pesquisadores científicos, o conjunto cada vez maior de pesquisas e as dezenas de milhares de indivíduos que experimentaram endossam a abordagem LCHF como segura e eficaz. Entre os indícios, estão:

 

Num artigo publicado em janeiro de 2015 na revista Nutrition, 26 médicos especialistas internacionais
defenderam a restrição de carboidratos como primeira abordagem para controlar o diabetes e o pré-diabetes.

 

Em maio deste ano, o fórum diabetes.co.uk, do Reino Unido, anunciou que, como parte de um estudo com 120 mil inscritos em seu programa de dez semanas com pouco carboidrato e muita gordura, a maioria teve melhora da glicemia e emagreceu.

 

Durante quase uma década, o médico sueco Andreas Eenfeldt incentiva três tipos de pacientes, obesos, com pré-diabetes e diabetes tipo 2, a adotar a alimentação pobre em carboidratos e rica em gordura. “Em semanas e meses eles melhoraram, o diabetes foi revertido e conseguiram largar os remédios”, disse o Dr. Eenfeldt. Em 2010, seu livro Low Carb High Fat Food Revolution(A revolução da comida pobre em carboidratos e rica em gordura) fez sucesso e foi traduzido para oito idiomas. Em 2011, ele criou o site dietdoctor.com em inglês.

 

Hoje, esse site recebe dois milhões de visitas por mês e mostra mais de 300 depoimentos sobre a transformação da saúde com a LCHF. Eu, Gail e Frank buscamos ajuda no site para nossa transformação. Atualmente, Frank, além da dieta LCHF, pedala, dança, goza a vida e comemora o retorno da boa saúde. “Eu me sentia tão mal em janeiro de 2015 que nunca seria capaz de imaginar que estaria tão bem um ano depois.”

 

4. Podemos fazer mais?

 

Exercícios regulares, boa qualidade de sono e redução do estresse ajudam a melhorar o nível de glicose no sangue, segundo os especialistas.

 

  • EXERCÍCIO:Os músculos atuam como esponjas que absorvem a glicose do sangue. Quanto mais nos movemos, mais eles absorvem. Não é preciso treinar para uma maratona. Gail, que usa um monitor de glicose doméstico, observou que só precisa andar pela casa ou subir e descer a escada para a glicemia cair alguns pontos. A maioria dos especialistas recomenda meia hora diária de movimento de baixa intensidade.

 

  • BOA QUALIDADE DE SONO:Nos últimos anos, foi constatado que as noites maldormidas, a insônia e a privação de sono são fatores de risco tanto do ganho de peso quanto do diabetes. Sete a oito horas de sono de qualidade reduzem o risco. Algumas dicas para dormir melhor: não deixe TV, celular e computador no quarto, não permita animais de estimação na cama, minimize bebidas alcoólicas antes de se deitar, mantenha o quarto fresco, use fones de ouvido e crie uma rotina regular e relaxante para dormir.

 

  • REDUÇÃO DO ESTRESSE:O estresse faz subir o nível de cortisol no organismo (o sono insuficiente também), o que pode elevar o nível de açúcar no sangue. O estresse crônico aumenta a resistência à insulina, provoca ganho de peso abdominal e acentua o risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2. “Reduzir o estresse é importantíssimo”, observa o Dr. Fung. Algumas dicas para diminuir o estresse são meditar, praticar ioga e fazer exercícios de relaxamento.

 

 

BNDES libera recursos para Instituto Butantan desenvolver vacina da dengue

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O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue Reuters O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou apoio não reembolsável, no valor de R$ 97,2 milhões, à Fundação Butantan, para o desenvolvimento de vacina tetravalente contra a dengue. Os recursos, do BNDES Funtec (Fundo Tecnológico do BNDES), correspondem a 31% do investimento total, de R$ 305,5 milhões, e serão destinados ao custeio de ensaios clínicos e construção da planta de escalonamento para fornecimento da vacina. O BNDES Funtec é uma forma de apoio financeiro não reembolsável a projetos de pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação. Trata-se da continuidade do apoio do BNDES, em conjunto com o Ministério da Saúde, para o desenvolvimento da vacina de dengue pelo Instituto Butantan, uma iniciativa extremamente importante para a saúde pública, não só para o Brasil, mas para vários outros países em que a doença é endêmica. O projeto contribuirá ainda para a evolução das competências técnicas necessárias para o desenvolvimento de vacinas no País e formação de equipes qualificadas para condução de estudos clínicos. Considerando a faixa etária de indicação da vacina de dengue, o público beneficiado pela vacina será de cerca de 180 milhões de pessoas no Brasil, quase a totalidade da população. Apesar de ser esperado que sua liberação se dê em âmbito nacional, o impacto será mais fortemente sentido nas regiões endêmicas — em geral, as mais carentes do País, com saneamento básico precário e alta densidade populacional. Vacinas biológicas As vacinas são produtos biológicos baseados em organismos vivos, com estruturas moleculares complexas, e seus processos de desenvolvimento e produção podem variar consideravelmente. Os processos de pesquisa e desenvolvimento, registro e produção de vacinas têm elevado custo e complexidade, com tempo médio de desenvolvimento de 12 anos e custo total que pode atingir US$ 1 bilhão. Projeto O ensaio clínico em desenvolvimento pelo Instituto Butantan – o maior já realizado integralmente no Brasil – tem o objetivo de avaliar a eficácia e segurança da vacina em um grupo abrangente de voluntários. O estudo será integralmente realizado no Brasil, em parceria com o Instituto Adolfo Lutz e 14 centros de pesquisa, sob coordenação da USP, envolvendo aproximadamente 17 mil voluntários. O desenvolvimento clínico tem transcorrido de forma satisfatória, com resultados preliminares que demonstram segurança e eficácia da vacina. A planta de escalonamento será utilizada na etapa final dos testes clínicos e, uma vez registrada a vacina, estará apta a produzir 24 milhões de doses ao ano. Dengue Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue é uma doença infecciosa viral que se espalha rapidamente pelo mundo, sendo endêmica em mais de 100 países na África, nas Américas, no Mediterrâneo Oriental, no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental. A incidência global da doença aumentou 30 vezes nos últimos 30 anos, com ampliação e expansão geográfica para novos países. Os motivos para a disseminação não são claros, mas parecem relacionados à propagação do vetor (mosquito) em regiões de clima quente e chuvoso, com infraestrutura precária de saneamento básico. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se cerca de 390 milhões de casos de dengue no mundo. No Brasil, o maior surto ocorreu em 2013, com cerca de 2 milhões de notificações. Esse ano, até setembro, foi registrado mais de 1,4 milhão de casos prováveis, com 563 mortes confirmadas. A Fundação Butantan é uma entidade sem fins lucrativos, com autonomia financeira, administrativa e patrimonial, sediada em São Paulo, que atua como o braço financeiro e administrativo do Instituto Butantan. Estatutariamente, a Fundação Butantan tem como principal atribuição apoiar o desenvolvimento de atividades científicas, tecnológicas, culturais e de assistência social do Instituto.

 

Fundação de combate ao câncer precisa da sua ajuda

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Termina dia, 16, o prazo para a manifestação da sociedade civil em consulta pública para apoio à manutenção da Fundação do Câncer Ary Frauzino para renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em Saúde – Cebas. O documento é fundamental para seguirem com as ações de pesquisa e controle do câncer, por isso, a entidade conta com o seu apoio.

Para participar, acesse o site, identifique a Fundação do Câncer pela sua Razão Social – Fundação Ary Frauzino para Pesquisa e Controle do Câncer -, clique em Manifestar, insira o seu nome e CPF, digite o texto: “Manifesto meu apoio à Fundação do Câncer”. Após, é só informar o código de segurança fornecido e, em seguida, clique em Salvar.

A consulta é exclusivamente online e disponível somente na página do Ministério da Saúde/Cebas. O Cebas é um certificado concedido pelo Governo Federal, por meio de Ministérios, às organizações privadas, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social que prestam serviços em suas respectivas áreas.

Fundação do Câncer

A Fundação do Câncer é uma instituição sem fins lucrativos, criada em 1991, que capta recursos e investe em prevenção, diagnóstico precoce, assistência, programas e projetos relacionados a transplante de medula óssea e sangue de cordão umbilical, cuidados paliativos e pesquisa. Tem como missão promover ações estratégicas para a prevenção e o controle do câncer em benefício da sociedade. Apoia o Instituto Nacional de Câncer – Inca e todas as atividades do Programa Nacional de Controle do Câncer e presta consultoria para estados e municípios para melhoria de processos no tratamento de câncer.

Manteiga ou margarina? Qual é mais saudável, afinal?

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Conheça as diferenças entre os dois alimentos

No Brasil, um hábito cotidiano e muito popular é o pingado, mistura de leite com café, e um pão francês – seja na chapa, quentinho ou mesmo fresquinho.
Quem não gosta daquela manteiga ou margarina derretida no pão quentinho?
A manteiga e a margarina são paixões nacionais. Hoje em dia começam a rivalizar com o requeijão, mas ainda ganham em quase todas as padarias de norte a sul. São também ingredientes muito presentes no café da manhã em diversas preparações, como bolos e massas. Você sabe quais são suas principais diferenças?

Gorduras

A primeira diferença que se destaca entre as duas é a composição de seus nutrientes. Ambas são ricas em gorduras, porém a manteiga contém colesterol e uma quantidade maior de gordura saturada. Já a margarina tem maior teor de gordura insaturada em sua composição e, por ser um produto de origem vegetal, não possui colesterol.

Produção

A manteiga é feita a partir da nata (creme) do leite, ou seja, é um produto de origem animal. É batida até que se forme um creme homogêneo e pode ser feita em casa. Já a margarina é produzida a partir do óleo vegetal, por meio de um processo chamado hidrogenação, que transforma o óleo de líquido em sólido. Depois desse processo, são adicionados outros produtos para ajudar em sua composição final, como os aditivos.

Nutrientes

A manteiga possui mais minerais, como cálcio e magnésio. No entanto, a quantidade de vitaminas acrescidas à fórmula costuma ser menor. As mais utilizadas são as vitaminas lipossolúveis, que podem ser adicionadas na formulação das margarinas, melhorar sua composição alimentar – e também para dar uma reforça no marketing do produto. Em relação ao sódio, o famoso sal combatido, quando em excesso, por todos os profissionais de saúde, deve-se ficar atento ao rótulo. A descrição da quantidade desse composto é obrigatória nos produtos e varia de marca para marca.
Verifique sempre as informações do rótulo e fique atento às diferenças. Seja margarina ou manteiga, lembre-se que o valor calórico é elevado, muito mais que o açúcar ou a proteína. E não se esqueça que qualquer uma das duas deve ser consumida com moderação.

 

 

 

Se você acha que norte-americanos e europeus estão na frente no desenvolvimento de veículos autônomos, é melhor fazer uma viagem até a Rússia. Afinal, a indústria automotiva de lá aplica a tecnologia há décadas nos modelos da Lada.

Brincadeiras à parte, vale a pena ver o bizarro acidente envolvendo um Laika e um Mercedes-Benz Classe E.

O condutor do Mercedes vinha em alta velocidade e não conseguiu frear a tempo de evitar o choque com o Lada, que havia invadido a faixa para fazer uma conversão à esquerda.

Com a força do impacto (e o fato de possivelmente não estar usando o cinto de segurança), o motorista do Laika foi literalmente ejetado do carro pela porta do passageiro, caindo de cara no asfalto.

O veículo, porém, seguiu seu caminho como se nada tivesse ocorrido, cruzando de volta a avenida até estacionar perfeitamente em frente ao meio-fio. Milagrosamente ninguém se feriu nesse incidente mais do que inusitado.