OMS divulga lista de bactérias que requerem novos antibióticos

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta segunda-feira sua primeira lista de “patógenos prioritários” resistentes aos antibióticos, que inclui as 12 famílias de bactérias mais perigosas para a saúde.

Essa classificação, destinada a promover a pesquisa de novos antibióticos, evidencia, segundo informou a OMS em uma videoconferência, a ameaça que representam as bactérias gram-negativas resistentes a múltiplos antibióticos, com capacidade para resistir aos tratamentos.

Marie-Paule Kieny, subdiretora geral da OMS para sistemas de saúde de inovação, pediu aos governos que invistam em pesquisas para novos antibióticos.

Em comunicado, Marie-Paule indicou que a lista é “uma nova ferramenta para garantir que a pesquisa e desenvolvimento respondam a necessidades urgentes de saúde pública”.

“A resistência aos antibióticos está aumentando e estamos esgotando muito depressa as opções terapêuticas. Se deixarmos o problema exclusivamente à mercê das forças de mercado, os novos antibióticos, dos quais precisamos com urgência, não estarão prontos a tempo”, opinou a especialista.

A lista se divide em três categorias, de acordo com a prioridade: crítica, alta e média.

O grupo de prioridade crítica inclui as bactérias multirresistentes, que são especialmente perigosas em hospitais, residências de idosos e entre os pacientes que precisam ser atendidos com dispositivos como ventiladores e cateteres intravenosos.

Entre elas figuram as chamadas bactérias Acinetobacter, Pseudomonas e várias Enterobacteriaceae, como Klebsiella, E. coli, Serratia e Proteus, que podem provocar infecções graves e frequentemente letais.

Quanto às categorias de prioridade alta e média, a OMS indicou que outras bactérias mostram uma farmacorresistência em crescimento e provocam doenças comuns, como a gonorreia, e intoxicações alimentícias por salmonela.

Com essa classificação, a organização quer alertar os governos sobre a necessidade de estabelecer políticas que promovam a pesquisa científica básica.

Marie-Paule também especificou que o bacilo da tuberculose, cuja resistência ao tratamento tradicional foi aumentando nos últimos anos, não foi incluído na lista porque é objeto de outros programas específicos.

Outras bactérias, como os estreptococos dos grupos A e B e a Clamídia, têm baixos níveis de resistência aos tratamentos existentes e não representam atualmente uma ameaça significativa para a saúde pública, segundo a OMS.

Entre alguns dos critérios seguidos para incluir patógenos nessa classificação, foi levado em conta o grau de letalidade das infecções, se o tratamento requer ou não uma hospitalização longa e a frequência com que as bactérias apresentam resistência aos antibióticos existentes quando infectam pessoas.

Por sua vez, a professora Evelina Tacconelli, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas da Universidade de Tibinga e uma das autoras da lista, destacou que “os novos antibióticos desenvolvidos contra os patógenos prioritários que aparecem nesta lista contribuirão para reduzir as mortes causadas por infecções resistentes no mundo todo”.

Evelina advertiu, além disso, que “esperar mais trará problemas adicionais de saúde pública e repercutirá enormemente no atendimento aos pacientes”.

Antibiótico doxiciclina pode ser esperança no tratamento do Parkinson

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Um estudo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, sugere que o medicamento antibiótico doxiciclina – usado há mais de meio século contra infecções bacterianas – pode ser indicado em doses mais baixas para o tratamento da doença de Parkinson. Segundo os autores, a substância reduz a toxicidade de uma proteína conhecida como α-sinucleína, que em certas condições forma agregados que recobrem e lesam as células do sistema nervoso central.

A morte dos neurônios dopaminérgicos (produtores do neurotransmissor dopamina) é o principal evento relacionado ao desenvolvimento de sintomas como tremores, lentidão de movimentos voluntários e rigidez, entre outros. Não há atualmente fármacos capazes de impedir que esse processo degenerativo progrida.

A pesquisa contou com apoio da FAPESP e a participação de três cientistas brasileiros vinculados à Universidade de São Paulo (USP): Elaine Del-Bel, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), Leandro R. S. Barbosa e Rosangela Itri, ambos do Instituto de Física (IF), na capital.

“Temos dados animadores de experimentos com camundongos e uma grande esperança de que o efeito neuroprotetor também possa ser observado em pacientes humanos. Esse tratamento poderia impedir a evolução da doença de Parkinson e, portanto, pretendemos iniciar em breve um ensaio clínico”, disse Del-Bel em entrevista à Agência FAPESP.

A descoberta agora detalhada nas páginas da Scientific Reports ocorreu de forma fortuita, há cerca de cinco anos, quando Marcio Lazzarini, ex-aluno de Del-Bel, realizava o pós-doutorado no Max Planck Institute of Experimental Medicine, na Alemanha.

Para estudar possíveis alternativas terapêuticas contra o Parkinson em camundongos, o grupo recorreu, naquela época, a um modelo bastante consagrado para induzir nos animais uma condição semelhante à doença humana. O método consiste em administrar uma neurotoxina – a 6-idroxidopamina (6-OHDA) – que causa a morte dos neurônios dopaminérgicos.

“Mas para nossa surpresa, dos 40 animais que receberam a 6-OHDA, apenas dois desenvolveram sintomas de parkinsonismo, enquanto os demais permaneceram saudáveis. Uma técnica do laboratório percebeu que os roedores haviam sido alimentados por engano com uma ração que contém doxiciclina. Começamos então a investigar a hipótese de que a substância poderia ter protegido os neurônios”, contou Del-Bel.

O grupo repetiu o experimento e acrescentou um segundo grupo de animais que, em vez de receber a doxiciclina pela ração, foi tratado com injeções do antibiótico em doses baixas no peritônio.

“Foi um sucesso nos dois casos. Publicamos os resultados na revista Glia, em 2013, sugerindo que, em doses subantibióticas, a doxiciclina poderia ter um efeito anti-inflamatório, protegendo os neurônios dopaminérgicos”, contou Del-Bel.

Mecanismo de ação

Entender os mecanismos por trás do efeito neuroprotetor da doxiciclina tem sido o foco dos estudos mais recentes, realizados em colaboração com o grupo liderado pela pesquisadora Rosana Chehin, da Universidade de Tucumán, na Argentina, além de duas pesquisadoras do Instituto do Cérebro e da Medula Espinhal sediado em Paris, na França: Rita Raisman-Vozari e Julia Sepulveda-Diaz. A colaboração com Chehin tem apoio da FAPESP por meio de um acordo com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas de la República Argentina (Conicet), no âmbito do Programa SPRINT – São Paulo Researchers in International Collaboration.

Nesses novos ensaios, que envolveram métodos de caraterização estrutural e espectroscópicos, o foco foi a proteína α-sinucleína – considerada uma das principais causadoras da morte dos neurônios dopaminérgicos.

“A α-sinucleína é uma proteína desordenada pequena que, na presença da membrana

celular, se agrega formando fibras com uma ordem estrutural de empilhamento de folhas-beta ao longo do eixo. Chamamos essas fibras de amiloides. Já foi provado que grandes fibras amiloides dessa proteína não são tóxicas para as células e sim os chamados estágios oligoméricos, formados por pequenas quantidades de α-sinucleína agregada. Esses oligômeros são capazes de lesar a membrana dos neurônios”, contou a professora Itri.

Os pesquisadores sintetizaram pequenos oligômeros de α-sinucleína para estudar in vitro se a doxiciclina interferia no processo de agregação e de formação de fibras.

Com uma combinação de três diferentes técnicas – ressonância magnética nuclear, espalhamento de raios X a baixos ângulos e espectroscopia por infravermelho – foi possível perceber duas situações distintas. No meio sem doxiciclina, α-sinucleína se agrega em direção à formação de fibras amiloides. Já no meio contendo o antibiótico, a proteína forma outro tipo de agregado, com forma e tamanho diferente. Nos testes em cultura de células e membranas modelo, observamos que eles não causaram danos à membrana celular”, contou Itri.

Os testes em cultura foram feitos com células imortalizadas de neuroblastoma humano. Usando técnicas de microscopia eletrônica de transmissão, o grupo observou que a presença de doxiciclina no meio de cultura reduziu a agregação de α-sinucleína em mais de 80%. “Como consequência, aumentou a viabilidade das células em mais de 80%”, contou Del-Bel.

No âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, a professora da FORP-USP tem investigado mais profundamente os efeitos do tratamento com doxiciclina em camundongos. “A investigação também está vinculada ao projeto “Mecanismos celulares e moleculares envolvidos no papel de neurotransmissores atípicos em transtornos neuropsiquiátricos”, coordenado por Francisco Silveira Guimarães”, diz Del-Bel.

“Ainda não temos dados publicados, mas posso adiantar que a doxiciclina melhora os sintomas da doença no modelo animal. Resultados preliminares nos sugerem que, além da ação anti-inflamatória, de diminuir a liberação de algumas citocinas, a doxiciclina também altera a expressão de alguns genes-chave para o desenvolvimento do Parkinson”, disse Del-Bel.

Segundo a pesquisadora, evidências da literatura científica indicam que os agregados de α-sinucleína podem recobrir e lesar não apenas os neurônios, como também astrócitos e as demais células da glia. Além de Parkinson, portanto, esse processo está relacionado ao desenvolvimento de outras doenças neurodegenerativas, como a demência com corpos de Lewy (DCL) – o segundo tipo mais comum após o Alzheimer. Estudos futuros poderão investigar se a doxiciclina também pode ter efeito benéfico nessas outras situações.

O artigo “Repurposing doxycycline for synucleinopathies: remodelling of α-synuclein oligomers towards non-toxic parallel beta-sheet structured species” pode ser lido em: www.nature.com/articles/srep41755.

Agência FAPESP

Parceria entre Unicamp e Aché gera novas ferramentas para descoberta de fármacos

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Foi divulgado recentemente na plataforma aberta bioRxiv um dos primeiros frutos da parceria entre o Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (SGC-Unicamp) e o Aché Laboratórios Farmacêuticos – apoiado pela FAPESP.

O estudo descreve um composto químico candidato a ser usado em futuras pesquisas como um inibidor seletivo da enzima AAK1(proteína quinase 1 associada à AP2), considerada um potencial alvo para o desenvolvimento de fármacos.

Vinculado ao Structural Genomics Consortium (SGC) – parceria público-privada que reúne em diversos países mais de 400 cientistas de universidades, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos –, o centro da Unicamp, liderado pelos pesquisadores Jonathan Elkins, Katlin Massirer Opher Gileadi e Paulo Arruda, tem como objetivo desvendar a função de proteínas do tipo quinase, responsáveis por regular processos importantes do organismo, como divisão, proliferação e diferenciação celular. Embora sejam consideradas alvos prioritários para o desenvolvimento de fármacos, estima-se que apenas 40 das cerca de 500 proteínas desse tipo identificadas no genoma humano já tenham sido bem estudadas.

De acordo com Rafael Couñago, pesquisador do SGC-Unicamp e primeiro autor do artigo, a AAK1 é uma quinase envolvida no processo de endocitose, pelo qual diversos tipos de partículas do meio extracelular – como neurotransmissores, micronutrientes e até alguns vírus (hepatite, dengue e Zika, por exemplo) – são transportados para dentro das células.

“Evidências da literatura científica indicam que, quando a AAK1 é inibida, a endocitose ocorre com menor frequência. Mas para compreender sua função exata na célula e verificar se ela é um alvo terapêutico promissor, precisamos de um tipo de ferramenta conhecido como sonda química – uma pequena molécula capaz de se ligar seletivamente a essa enzima e inibir sua função em um modelo biológico”, contou Couñago.

Como explicou o pesquisador, já se sabe que a AAK1 é responsável por fosforilar a proteína AP2 (proteína adaptadora 2), isto é, ela catalisa a transferência de um grupo fosfato de moléculas de alta energia, como o ATP (adenosina trifosfato), para a AP2 e isso modifica a atividade da proteína-alvo na célula, fazendo com que o processo de endocitose ocorra mais frequentemente.

“Ainda é preciso detalhar melhor como ocorre essa regulação. Descobrir, por exemplo, em qual momento do processo de endocitose a ação da AAK1 é importante”, afirmou.

Triagem

Em busca de uma sonda química que possibilite estudar a AAK1, pesquisadores do centro do SGC sediado na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, triaram uma biblioteca de moléculas químicas por um método conhecido como high-throughput screening (triagem automatizada em larga escala), um tipo de ensaio bioquímico no qual a enzima é colocada para interagir com centenas de candidatos a inibidor simultaneamente. A coleção de compostos foi cedida pela farmacêutica GSK, uma das parceiras do consórcio.

No centro do SGC na Unicamp, os pesquisadores elucidaram a estrutura tridimensional do complexo formado pela molécula que se mostrou mais promissora nos ensaios de larga escala e a proteína quinase mais semelhante à AAK1 em humanos – denominada BIKE – por um método conhecido como cristalografia de raios X.

“A estrutura cristalográfica revela como se dá o contato íntimo entre a pequena molécula e a proteína. Nos permite identificar qual parte da sonda química é responsável pela grande afinidade que ela demonstra pela AAK1”, explicou Couñago.

Com a colaboração do time de inovação radical do Aché, liderado pelo diretor Cristiano Guimarães, foram feitos estudos computacionais para calcular custo energético durante a estabilização do processo catalítico.

“Essa análise nos mostrou que, quando substituímos na estrutura da pequena molécula candidata a sonda um grupo ciclopropil por um isopropil, sua atividade é dramaticamente reduzida. Isso porque o custo energético para formar o complexo torna-se muito maior, algo que não é possível perceber apenas olhando para a estrutura”, explicou Couñago.

Essa descoberta é importante porque, segundo o pesquisador, permite que essa versão alternativa da pequena molécula com o grupo isopropil seja usada como um “controle negativo” nos experimentos. Isso porque, embora a interação com a AAK1 tenha sido desligada, a candidata a sonda continua interagindo com todas as outras proteínas da célula normalmente.

“Podemos, então, fazer os mesmos experimentos usando a sonda química e usando o controle negativo e depois comparar os resultados. Dessa forma, aumentamos o grau de certeza de que os efeitos biológicos observados com o inibidor são devidos à inibição da função da AAK1”, disse o pesquisador.

Open Science

Um dos princípios-chave do modelo de parceria do SGC é o de “ciência aberta”, ou seja, todos os participantes do consórcio se comprometem a tornar públicos os resultados de suas pesquisas o mais breve possível. Por esse motivo, explicou Couñago, o artigo foi colocado disponível na internet mesmo antes de ser submetido ao processo de revisão por pares.

“Acreditamos que, desse modo, ampliamos a quantidade de pessoas que podem comentar o trabalho para que sejam feitas as correções devidas e aumentamos o impacto das descobertas”, avaliou.

Para o pesquisador, embora a pequena molécula tenha mostrado potencial para se tornar uma sonda química, ainda são necessários mais estudos de controle de qualidade.

“Agora estamos no estágio de captar colaboradores interessados em estudar a via da endocitose e a função da AAK1 nesse processo. O SGC não tem a capacidade de trabalhar com modelos biológicos variados e, por esse motivo, tenta alcançar a comunidade científica o mais cedo possível visando atrair colaboradores”, concluiu Couñago.

O artigo “Development of Narrow Spectrum ATP-competitive Kinase Inhibitors as Probes for BIKE and AAK1” pode ser lido em: http://biorxiv.org/content/biorxiv/early/2016/12/15/094631.full.pdf.

Agência FAPESP

Tirar os sapatos para entrar em casa protege contra doenças?

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Tirar os sapatos para entrar em casa, como fazem os japoneses, nos protegem mais do que o hábito ocidental de usar sapato em casa? Não há como negar que o costume evita trazer mais sujeira da rua, concordam os especialistas entrevistados pelo UOL. No entanto, pelo menos para adultos, a diferença em relação ao risco de pegar doenças infecciosas é zero.

O infectologista Gustavo Johanson, do Hospital Albert Einstein, argumenta que o risco de infecção por bactérias, vírus e fungos presentes nos sapatos é o mesmo dentro e fora de casa.

“A gente vive em mundo que tem microrganismos aos bilhões”, diz. “Ficamos expostos ao risco de infecção de uma forma contínua. A bactéria, o vírus ou o protozoário não sabem se a pessoa está no trabalho ou em casa.”

O médico lembra que temos mecanismos para nos proteger de bactérias, vírus e fungos presentes nos sapatos e o principal deles é a pele. “Apesar de o risco ser contínuo, ele é baixo.”

Cuidado com crianças

Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas, comenta que o hábito pode ajudar no caso de crianças que estão em fase de engatinhar, pois elas colocam a mão na boca frequentemente.

Elas podem levar à boca dejetos de animais como pombos, cães e gatos que se aderem aos sapatos e pegar parasitoses como toxoplasmose e infecções diarreicas.”

Jean Gorinchteyn, infectologista

Nos adultos, ressalta, a contaminação não é uma realidade, pois não existe o risco de contaminações por essa via.

O mesmo ocorre na praia, onde as crianças correm mais risco de contaminação justamente por colocar areia na boca, não por pisar no chão. “O chão está contaminado, mas vai ficar ali”, afirma Johanson. “No hospital e em casa, não se deve acondicionar nada no chão”, diz.

Ninguém nega o conforto psicológico e a facilidade de limpeza de se tirar os sapatos antes de entrar em casa. “Mas é questão de limpeza, higiene, não é de infecção”, diz Gorinchteyn.

Pesquisa revela que 22% das crianças brasileiras só comem o que gostam

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Fase crítica é dos 2 aos 6 anos, quando alimentos preferidos são eleitos

Criar hábitos alimentares saudáveis é um dos maiores desafios para quem tem filhos pequenos. O período mais crítico é quando a criança tem entre 2 e 6 anos, fase em que há uma diminuição natural no ritmo de crescimento e uma redução das necessidades energéticas e de apetite. Neste momento também a criança começa a esboçar uma maior independência e acaba “decidindo” quanto e o que irá comer.

É a hora da birra. A quantidade de alimentos torna-se muito variada e começam os caprichos à mesa. Pesquisa encomendada pela Mead Johnson Nutrition do Brasil revela que 22% das crianças brasileiras entre 2 e 6 anos só comem o que gostam e 34% rejeitam experimentar novos sabores. Mirella Pasqualin, nutricionista da RG Nutri Consultoria Nutricional, alerta que se trata de uma fase de relutância para novos alimentos.

— As crianças escolhem os alimentos ‘preferidos’ e passam a comer só eles. Esta fase é ainda mais complicada pois, um dia a criança pode ter vontade de consumir somente um alimento e no dia seguinte afirma que ‘não gosta mais’ daquele mesmo alimento da noite anterior.

Por ser uma fase de adaptação, Mirella ressalta que não é recomendado forçar a alimentação, mas os pais e responsáveis devem persistir e oferecer diferentes tipos de alimentos, para que a criança crie hábitos alimentares equilibrados.

— Uma alimentação restrita, como aquela em que as crianças só consomem algum tipo de alimento, contribui para o consumo inadequado de nutrientes. Consequentemente, o estado de saúde, crescimento e desenvolvimento da criança podem ser comprometidos. A monotonia alimentar é caracterizada pela falta de variação de alimentos e pode levar à falta de apetite, interesse na alimentação e paladar pouco desenvolvido.

A recomendação da nutricionista é se alimentar em quantidade adequada, o que depende da idade, sexo, rotina e estado nutricional de cada criança. Segundo Mirella, a alimentação deve ter qualidade, o que significa incluir todos os nutrientes diariamente na alimentação e é preciso levar em conta a harmonia entre os alimentos.

— Uma alimentação composta por apenas um tipo de alimento da pirâmide não é uma alimentação saudável, suficiente para o crescimento e o desenvolvimento das crianças. A melhor forma de evitar déficits ou excessos alimentares é promover o consumo de uma dieta equilibrada.

A refeição das crianças deve conter porções adequadas de cada um dos grupos principais de alimentos: base da pirâmide (arroz, pão, batata e massas); segundo andar da pirâmide (frutas, verduras e legumes); terceiro andar da pirâmide (feijões, lácteos e carnes) e topo da pirâmide (fontes de gorduras e açúcares, que devem ser consumidos em menor quantidade).

Distração à mesa

A pesquisa também aponta que 57% das crianças se distraem muito fácil quando estão comendo e 19% costumam pular refeições. Nestes casos, Mirella sugere horários fixos, local adequado e companhia para as refeições.

— Uma rotina alimentar é importante para a criança entender os momentos para se alimentar. As refeições devem ser feitas em um local tranquilo e sem distrações, para o foco ser direcionado somente aos alimentos. A criança deve ser incluída na rotina alimentar da família, tanto em relação aos alimentos consumidos, como no horário das refeições.

Outra dica impotante é não usar a alimentação como moeda de troca. A criança precisa entender a importância de ingerir alimentos variados e não os consumir simplesmente porque depois terá sobremesa ou mais horas para brincar. Para incentivar as crianças a comerem melhor, variar as preparações pode ajudar. O tomate, por exemplo, pode ser picado em cubinhos, estar em pedaços no molho, ser preparado assado ou os pais podem utilizar o tomate cereja no macarrão.

Incluir a criança em todo o processo das refeições também tem um efeito positivo. Ela pode ser levada para fazer as compras ou em uma horta para conhecer o alimento em sua forma mais natural. É possível também cozinhar com ela, para que entenda a transformação de cada alimento.

Um truque que pode funcionar é misturar o alimento com aqueles que a criança gosta: se o alimento de rejeição é a banana, preparar uma salada de frutas com a fruta favorita da criança e alguns pedaços menores de banana, por exemplo. Por fim,  servir o alimento de maneiras divertidas também pode gerar um interesse da criança por aquela refeição. Vale dizer que o creme de espinafre é a alimentação de heróis, que o suco de beterraba com cenoura deixa a pele bonita ou fazer um desenho no prato com os alimentos.

OMS alerta para risco de proliferação de febre amarela para países vizinhos

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O alerta sobre o risco de proliferação pela região derivou do registro de 1,2 mil animais mortos em diversas regiões do Brasil por mais de 400 doenças epizooticas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o risco de uma proliferação da febre amarela pela América do Sul por transmissão de animais. Segundo a entidade, o vírus pode ser levado para Argentina, Paraguai ou Venezuela.

Em informe publicado nesta sexta-feira, 3, a entidade destaca que apenas o Brasil, por enquanto, tem casos confirmados do surto. No Peru e Colômbia, os dados apontam apenas para “possíveis casos”. Ainda assim, a entidade insiste que não recomenda que governos estabeleçam uma restrição de viagens para locais com o surto confirmado.

O alerta sobre o risco de proliferação pela região derivou do registro de 1,2 mil animais mortos em diversas regiões do Brasil por mais de 400 doenças epizooticas (que afeta vários animais em uma mesma região). Os estudos já confirmaram que 259 deles haviam sido contaminados pela febre amarela. “A ocorrência de doenças epizooticas em Roraima, fronteira com a Venezuela, assim como no Mato Grosso do Sul e Paraná, na fronteira com a Argentina e Paraguai, representa um risco de circulação do vírus a países fronteiriços, especialmente em áreas em que se compartilha o mesmo ecossistema “, indicou.

Para a OMS, porém, nada disso justifica qualquer tipo de barreiras a viagens. “A Organização Panamericana de Saúde e a OMS não recomendam qualquer tipo de restrições de viagem ou no comércio para países onde exista um surto neste momento de febre amarela “, destaca o relatório.

Por enquanto, a OMS aponta que não existem indícios de que o mosquito Aedes aegypti esteja implicado na transmissão do atual surto. “Entretanto, o potencial risco de uma reurbanização não pode ser descartado”, aponta.

Vacina
Na avaliação da entidade, governos precisam começar a estocar vacinas contra a febre amarela, assim como desenhar mapas das regiões que deveriam receber as doses de forma prioritária. O motivo: “a limitação na disponibilidade de vacinas”.

Dada essa situação, a OMS “recomenda que autoridades nacionais conduzam avaliações sobre a cobertura de vacinação contra a febre amarela em áreas de risco para poder focar a distribuição das vacinas”. “Além disso, é recomendado que se mantenha um estoque de vacinas em um nível nacional para responder a possíveis surtos”, disse.

“A medida mais importante de prevenção é a vacina”, diz a OMS, que sugere que isso seja feito em campanhas de imunização, seja de forma sistemática, para regiões afetadas ou para viajantes que estejam pensando em ir a zonas afetadas.

A entidade insiste que a vacina disponível no mercado é “segura e barata” e garante uma imunidade, num período de dez dias, de 80% a 100%. Segundo a OMS, essa taxa chega a 99% para vacinas de 30 dias. “Uma só dose é suficiente”, afirma, apontando que o governo brasileiro já distribuiu 7,8 milhões de doses.

Mortalidade
Até o dia 2 de fevereiro, a entidade somou 901 casos relatados no Brasil, sendo 151 confirmados e 708 sob investigação. Outros 42 deram resultados negativos. Desse total, a OMS aponta para 143 mortes, das quais 54 foram confirmadas como tendo sido causadas pela febre amarela, contra 86 sob investigação.

A taxa de mortalidade também chama a atenção da entidade. Na média, o índice de fatalidade é de 16%. Considerando contudo apenas os casos confirmados, ele chega a 36%.

Segundo o relatório, no Brasil, cinco estados já foram afetado : Bahia (10 casos), Espírito Santo (67), Minas Gerais (802), São Paulo (7) e Tocantins (4). Em São Paulo, porém, o índice de mortalidade é de 43%, contra apenas 12% no Espírito Santo.

Em números absolutos, a OMS aponta para 48 mortes em Minas Gerais, 3 em São Paulo e 3 no Espírito Santo.

 

Horário das refeições influencia saúde do coração, alerta pesquisa

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Falta de planejamento aumenta chances de doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes

O planejamento do horário de lanches e refeições — sem esquecer o café da manhã — é um fator fundamental para manter uma dieta saudável, o que poderia reduzir o risco de ataque cardíaco, derrame e outras doenças cardiovasculares. A conclusão é de um estudo da Universidade Columbia (EUA), publicado esta semana na revista “Circulation”, da Associação Americana do Coração.

O tempo da refeição pode afetar a saúde devido ao seu impacto no relógio interno do corpo”, explica Marie-Pierre St-Onge, professora de Medicina Nutricional de Columbia. “Vimos em estudos com animais que, quando eles recebem comida em uma fase inicial, como na hora em que estão dormindo, seus relógios internos são redefinidos de uma forma que pode alterar o metabolismo de nutrientes, resultando em maior ganho de peso, resistência à insulina e inflamação. No entanto, ainda precisamos realizar testes em humanos para saber se nossas conclusões são válidas”.

Marie-Pierre enfatiza que ainda é importante manter uma dieta saudável, priorizando frutas, legumes, grãos integrais, produtos lácteos com baixo teor de gordura, aves e peixe. O consumo de carne vermelha, sal e alimentos ricos em açúcares adicionados, por sua vez, deve ser limitado. No entanto, o estabelecimento de um horário para refeição também é um fator importante para prevenir as doenças cardiovasculares.

Estudos afirmam que as pessoas que comem diariamente o café da manhã são menos propensas a ter pressão arterial alta, enquanto quem ignora a refeição — cerca de 20% a 30% dos americanos — são mais propensos à obesidade e ao diagnóstico de diabetes.

“Sugerimos comer conscientemente, prestando atenção ao planejamento do que você come e quando você come refeições e lanches. Dessa forma, combatemos a alimentação emocional”, recomenda a pesquisadora. “Muitas pessoas acham que as emoções podem nos fazer comer quando não estamos com fome, o que nos faz procurar comidas muito calóricas e de baixo valor nutricional”.

Embora a pesquisa ligue os hábitos alimentares à saúde cardiovascular, ainda são necessários estudos que acompanhem os pacientes durante um longo período de tempo. Os cientistas também recomendam pesquisas clínicas que revelem como ocorre o planejamento das refeições.

Dado o estilo de vida cada vez mais ocupado das pessoas, é vital arrumar um tempo para comer sem distrações.

“Todas as atividades devem ter seu lugar em uma agenda ocupada, incluindo a alimentação saudável e a realização de atividades físicas”, assinala Marie-Pierre. — Essas atividades devem ser planejadas com antecedência e um tempo adequado deve ser dedicado a elas.