Cirurgia transforma dedo indicador de criança em polegar no RS

procedimento_1

A falta do dedo poderia comprometer 70% da função da mão da criança.
Procedimento é conhecido como policização e mudou dedo de lugar.

 

Um hospital de Porto Alegre realizou um procedimento para dar um polegar a uma criança de 1 ano e 9 meses. A cirurgia é pouco usual no Rio Grande do Sul, foi realizada 15 vezes nos últimos 20 anos. O dedo indicador da menina foi transformado em um polegar para amenizar os efeitos da deformidade, que poderia comprometer em 70% a função da mão.

A mãe, Suelen Tim, conta que a deformidade não foi detectada durante a gestação de Martina e da irmã gêmea. As duas nasceram de forma prematura. “Durante a gestação, a gente fez alguns exames e não apareceu, por ser uma gestação gemelar, e no nascimento é que se constatou que ela tinha a ausência do polegar”, explicou.

O pai da menina, Henrique Aguilar, diz que a imagem da filha sem o polegar era forte, e que ao mesmo tempo pensou nas dificuldades que poderiam ser enfrentadas por ela. “A gente ficou pensando em todas as dificuldades que ela teria ao longo da vida se não solucionasse isso”.

De acordo com o médico responsável pela cirurgia, Paulo Ruschel, a operação foi mais complexa que a troca de lugar do dedo. “Primeiro, a gente tem que manter a circulação, e a enervação, o dedo tem que se manter vivo. Então, a gente faz uma microcirurgia dos pequenos vasos que nutrem o dedo e, a partir daí, se faz todo o procedimento”, explicou Ruschel.

O procedimento é chamado policização, que fez com que o indicador fosse colocado no lugar onde deveria estar polegar. A cirurgia é considerada delicada pelos médicos, e levou mais de três horas para que fosse realizada a alteração da estrutura óssea, muscular e dos tendões.

O médico explica que o dedo indicador, que faz o movimento lateral, passa a fazer o movimento de oponência. Isso siginifica que ele passa a ficar de frente para os outros dedos, fazendo assim o movimento de pinça. Ele afirma ainda que a idade da criança ajudou na reconstrução.

“Ela volta a ter uma função de perto de um polegar normal, apesar de ter uma mão de quatro dedos (…)  entre dois e quatro anos que é a idade em que ocorre no cérebro essa plasticidade essa informação que é armazenada no cérebro da posição do polegar”, afirma.

Martina teve alta, mas ainda precisa de repouso, e vai ficar com o braço imobilizado por alguns dias. Depois ela passará por fisioterapia para descobrir os novos movimentos da mão. “Agora é vida que segue, e agora tudo o que ela quiser fazer, a gente vai fazer por ela também”, finaliza a mãe.

A cirurgia foi realizada no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e também é feita pelo Sistema Único de Saúde, SUS.

Anti-inflamatórios aumentam risco de infarto, diz estudo

istock_5235905_medium

Segundo estudo, o uso do ibuprofeno aumenta o risco de parada cardíaca em 30%, enquanto o consumo do diclofenaco pode aumentar a incidência em 50%

Um novo estudo publicado recentemente pela revista científica European Heart Journal apontou que medicamentos utilizados para combater dores e inflamações podem colocar em risco a saúde do coração. A pesquisa apontou que o uso dos anti-inflamatórios não-esteroides, conhecidos pela sigla AINEs,  diclofenaco e ibuprofeno está associado a um aumento no risco de infarto.

Não é a primeira vez que essa categoria de remédios é relacionada à ocorrência de eventos cardíacos graves. Em setembro passado, outro levantamento associou os AINEs a um risco aumentado de insuficiência cardíaca. Para o estudo atual, os pesquisadores analisaram as paradas cardíacas registradas na Dinamarca em um período de nove anos, entre 2001 e 2010. Do total de 29 mil pessoas que sofreram uma parada cardíaca, 3 mil delas haviam utilizado um anti-inflamatório desse tipo até 30 dias antes do ataque — o que equivale a 12% do total.  O levantamento mostrou que os mais consumidos naquele país antes do evento cardiovascular eram o ibuprofeno (51%) e o diclofenaco (21%).

O estudo apontou ainda que  o aumento do risco de parada cardíaca com o uso do ibuprofeno supera os 30%, enquanto o uso do diclofenaco pode aumentar a incidência em 50%. Os especialistas alertam que aqueles que têm diagnóstico de doença cardiovascular, como hipertensão, devem ter cuidado redobrado.

“Permitir que esses medicamentos sejam adquiridos sem receita médica e sem qualquer conselho ou restrição envia uma mensagem ao público que eles estão seguros”, disse Gunnar Gislason, coautor do estudo em uma nota reproduzida pela Sociedade Europeia de Cardiologia. “Nosso estudo reforça a evidência de efeitos cardiovasculares adversos dos AINEs e confirma que eles devem ser levados à sério e usados apenas após consulta com um profissional de saúde”.

De acordo com a bula do ibuprofeno, “dados epidemiológicos sugerem que o uso de ibuprofeno, particularmente na dose mais alta (2400 mg diariamente) e em tratamento de longa duração, pode estar associado a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos (trombose) com infarto do miocárdio ou derrame”.  E adiciona: “estudos epidemiológicos não sugerem que doses baixas de ibuprofeno (menos que 1200 mg diariamente) estejam associadas com o aumento do risco de eventos trombóticos (tromboses) arteriais, particularmente infarto do miocárdio”.

Na bula do diclofenaco, a fabricante também aponta que o medicamento não é indicado para quem tem doenças cardiovasculares e que pacientes de risco devem ter acompanhamento médico. “Se você tiver doença no coração estabelecida ou nos vasos sanguíneos (também chamada de doença cardiovascular, incluindo pressão arterial alta não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquêmica cardíaca estabelecida, ou doença arterial periférica), o tratamento com diclofenaco sódico geralmente não é recomendado.”

Saiba como treinar o seu cérebro contra a vista cansada

vista-cansada-20130606-069

Um novo estudo mostrou que é possível melhorar os sintomas – ou até evitar – a presbiopia a partir de uma série de exercícios visuais

Uma nova forma de treinamento visual pode retardar o aparecimento da presbiopia, condição popularmente conhecida como vista cansada. O problema consiste na perda do foco da ‘visão de perto’, atrapalhando atividades diárias como leitura, e ocorre devido ao envelhecimento. De acordo com estudo publicado no periódico científico Journal of Vision, fazer exercícios de desempenho visual, de forma contínua, também pode reduzir os sintomas.

Como funciona

melhoria do desempenho visual é resultado de treinos com determinados estímulos. O principal mecanismo utilizado baseia-se na observação de imagens, conhecidas como filtros de Gabor, em diferentes situações. Os filtros de Gabor estimulam, de forma otimizada, a parte do cérebro responsável pela visão. Grande parte do treinamento envolve a tentativa de observar os filtros colocados entre pequenas distâncias. O espaçamento entre eles é alterado, o contraste do alvo é reduzido e as imagens são piscadas em uma tela por frações de segundo, dificultando a visualização  .

Alguns especialistas expressaram ceticismo quanto a eficácia, mas outra série de estudos forneceu provas de que ele pode melhorar a acuidade visual, sensibilidade ao contraste e velocidade de leitura. Um estudo, publicado na revista Nature, também examinou funções do próprio olho e descobriu que nenhuma dessas melhorias se deram por conta de alterações oculares, mas sim do cérebro. Outro estudo testou a abordagem da técnica em 23 adultos, com cerca de 24 anos. Comparado com um grupo controle com outros 20 jovens, o grupo de tratamento aumentou a velocidade de reconhecimento de letras. Um treinamento parecido é efetivo no tratamento da ambliopia, também conhecida como ‘síndrome do olho preguiçoso’, que é a causa mais frequente da perda de visão em bebês e crianças, afetando 3% da população. Ele também pode melhorar a visão entre aqueles com miopia leve.

De acordo com informações do The New York Times, alguns dos pesquisadores destes estudos foram apontados como beneficiários financeiros do aplicativo GlassesOff, que oferece um programa com os treinos. No entanto, outros estudos sem ligações comerciais obtiveram resultados semelhantes. Uma pesquisa publicada no periódico Psychological Science treinou 16 adultos em idade universitária e 16 adultos mais velhos, por volta de 71 anos, com exercícios com filtros de Gabor por 1,5 hora por dia durante sete dias. Após o treinamento, a capacidade dos adultos mais velhos de enxergar imagens de baixo contraste melhorou.

Vista cansada

A crescente dificuldade de leitura, principalmente de letras pequenas, que começa na meia-idade é chamada presbiopia. A cada cinco anos, um adulto acima de 30 anos perde a capacidade de ver uma das linhas nos gráficos de leitura utilizados em consultórios de oftalmologia. A presbiopia afeta aproximadamente 80% dos adultos, por volta dos 45 anos de idade. Aos 50 anos, alguns já se preparam para o uso de lentes bifocais ou têm o costume de afastar o objeto de leitura, seja um livro ou o próprio celular, para conseguir enxergar melhor.

Os cientistas não sabem exatamente como o aprendizado perceptivo ajuda a melhorar a presbiopia, mas existem algumas pistas baseadas em como nosso cérebro processa essa informação visual. Depois de captar os dados de uma imagem, diferentes conjuntos de neurônios processam características separadas como bordas e cores. Em seguida, o cérebro coordena essas respostas para transformar essas características em algo reconhecível, como objetos, rostos, letras ou palavras. Em um ritmo normal de leitura, o cérebro tem cerca de 250 milissegundos para automaticamente identificar letras e palavras. Uma vez que o faz, está apto para receber a informação seguinte. Se o conjunto anterior de informações ainda não foi processado, a compreensão da próxima etapa fica comprometida.

O tempo de processamento visual pode ser desafiado e retardado por certos ruídos, como o baixo contraste ou fontes pequenas, por exemplo. Existe uma cadeia de processamento no cérebro enquanto ele tenta construir e, em seguida, compreender uma imagem. Portanto, aumentar e acelerar essa capacidade – através da aprendizagem perceptual – pode melhorar diversas funções da visão.

O que surpreende, segundo os cientistas, é que isso é possível em cérebros adultos. A neuroplasticidade – a capacidade das funções de processamento do cérebro de mudar para adquirir novas habilidades – é frequentemente associada à infância. Ela ainda é mais presente em crianças do que em adultos, mas para algumas habilidades, incluindo a visão, o cérebro pode ser mais adaptável do que se pensava.

 

Saúde preocupante

unnamed8

Em seis anos, país desativa 10,1 mil leitos pediátricos na rede pública

Brayan tinha só um dia de vida quando foi diagnosticado com disfunção cardíaca grave. Os médicos da maternidade avisaram à família que ele teria de ser transferido para um hospital especializado e passar por cirurgia o mais rápido possível. Quanto mais o procedimento demorasse, maior era o risco de morte. A vaga, porém, só saiu três meses depois, quando a família entrou com ação na Justiça. “Toda noite era uma angústia. A gente ia embora do hospital e não sabia se ele estaria vivo no outro dia”, diz a atendente Érica Bezerra de Melo, de 25 anos, mãe do bebê.

Brayan, hoje com 6 meses, aguentou esperar e sobreviveu à cirurgia. Já Luan, nascido em novembro, não suportou tamanha demora. Diagnosticado também com problema no coração, o bebê morreu com só 70 dias, após aguardar um mês por um leito que nunca foi liberado. “A gente tenta acreditar que ele veio para esse mundo numa missão. Ou a gente pensa assim ou fica revoltado”, diz a prima do menino, a estudante Maria de Jesus Araújo, de 19 anos.

A situação da rede hospitalar para crianças no País preocupa. Entre 2010 e 2016, o Sistema Único de Saúde (SUS) fechou quase 10,1 mil leitos de internação em pediatria clínica (para pacientes de 0 a 18 anos), segundo levantamento inédito feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria e obtido com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em 2010, a rede pública tinha 48,2 mil vagas do tipo (entre leitos próprios e conveniados). Em 2016, caiu para 38,1 mil.

Só em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais, estruturas necessárias para atender recém-nascidos em estado grave, como Brayan e Luan, faltam 3,2 mil leitos, conforme parâmetro da Sociedade de Pediatria. Segundo a entidade, são necessários ao menos 4 leitos do tipo por mil nascidos vivos. No País, a taxa atual é de 2,9.

“É uma situação gravíssima porque as crianças muitas vezes chegam a um serviço de pronto-socorro e não têm para onde ser encaminhadas. Sofrem a família, a criança e a equipe médica”, afirma Luciana Rodrigues Silva, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Ela atribui a situação à falta de investimento do Ministério da Saúde na área. “Muitos serviços estão fechando as portas por uma questão financeira. Há ainda casos de unidades desativadas porque não têm profissionais suficientes no quadro.”

Dificuldade. Nascido no interior do Tocantins, Luan foi um dos cinco bebês que morreram nos últimos meses no Estado à espera de transferência. No caso dessas crianças, a dificuldade era ainda maior do que a oferta do leito. Não há, em todo o Tocantins, serviço que faça cirurgia cardíaca infantil. O governo estadual depende da liberação de vagas em Goiás, que também enfrenta déficit de leitos.

“Como não há o serviço organizado aqui, sempre que surge paciente com essa necessidade, o Estado fica no escuro, tentando resolver de última hora e achar a vaga em outros locais”, explica Maria Roseli de Almeida Pery, promotora do Ministério Público Estadual (MPE) do Tocantins. Após as mortes dos bebês, ela entrou com ação civil pública para tentar obrigar a Secretaria Estadual da Saúde a criar uma unidade de saúde que absorva a demanda.

Maria de Jesus até chegou a procurar o MPE na tentativa de conseguir a transferência de Luan. “Entraram com ação, mas aí tem muita burocracia na Justiça, teve o feriado de carnaval no meio e as coisas não andavam. No dia 1º de março, na Quarta-Feira de Cinzas, ele não aguentou mais”, afirma.

O quadro dramático não se limita a regiões com estrutura mais precária. São Paulo, Estado mais rico do País, é também o que mais perdeu leitos pediátricos no período. No Estado, a Defensoria Pública acumula casos de crianças da capital que só conseguiram vaga por decisão judicial ou cuja sentença favorável chegou tarde.

“A fila é a coisa mais cruel que existe porque quem cuida da regulação dos leitos acaba tendo que brincar de ser Deus, organizando por gravidade os que vão conseguir”, afirma Flávio Américo Frasseto, defensor público da Infância e Juventude.

Embora tenha tido alta, Brayan vai precisar de cirurgias cardíacas no futuro. Para a família, fica o receio de enfrentar tudo de novo. “Não gosto nem de pensar para não sofrer por antecipação. Nossa maior preocupação é ele não conseguir leito quando precisar”, afirma a mãe.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Adoecer em segredo faz mal à saúde

QUANDO-A-MENTE-ENTRISTECE-O-CORPO-ADOECE-FOTO-02

Na era das redes sociais, é muito comum que as pessoas compartilhem on-line um diagnóstico ruim ou quando têm que se submeter a um tratamento ou cirurgia. No entanto, esse tipo de exposição ainda é um tabu para grande parte dos mais velhos. Muitas vezes, a doença é encarada como uma vergonha, algo que tem que ser escondido. Os argumentos variam: “não quero me tornar um inconveniente para os amigos”; “não quero despertar a piedade dos outros”; ou ainda, “não quero ter que aturar conselhos, nem ficar ouvindo histórias das mazelas alheias”. Os tempos mudaram e uma nova pergunta fica no ar: quais são os riscos e os benefícios de compartilhar informações sobre suas condições de saúde?

Para o psicólogo Paul Wicks, Ph.D. pelo Instituto de Psiquiatria do King´s College, em Londres, e um expert no tratamento de esclerose lateral amiotrófica (ELA) e mal de Parkinson, a resposta é sim! Em 2002, ele começou a moderar um fórum de pacientes com ELA que dividiam dúvidas, esperanças e medos on-line – inclusive dicas, como, por exemplo, as vantagens de se usar pijamas de seda ou cetim porque o tecido mais macio ajuda quem tem movimentos limitados a se mexer na cama. Wicks descobriu o PatientsLikeMe, criado pela família de um doente com ELA, e pediu para fazer parte do projeto, ampliando sua área de atuação. Hoje é vice-presidente de inovação do site, um amplo serviço com informações sobre as doenças, além de conectar pacientes e agrupar dados que eventualmente poderão ajudar a ciência. O que mais chama a atenção é que ele fala abertamente das enfermidades, de forma que a pessoa possa ter uma noção mais precisa do estágio em que se encontra. O que normalmente é tratado como informação privilegiada, disponível apenas para médicos, fica ao alcance do doente e de suas famílias.

Idosos com doenças crônicas passam mais tempo sozinhos ou com seus cuidadores do que com os doutores, por isso sua experiência e perspectiva também devem ser levadas em conta. Essa é uma visão que vem ganhando adeptos nos EUA: médicos e enfermeiros que se convenceram de que compartilhar enriquece e acelera a adoção de inovações. O C3N (Collaborative Chronic Care Network), por exemplo, é outra plataforma cujo objetivo é fazer com que pacientes tenham acesso a um grande volume de dados, interajam entre si e mandem contribuições para aperfeiçoar tratamentos. O ImproveCareNow é voltado para crianças e jovens portadores de Doença de Crohn e colite ulcerosa – também conhecida como a síndrome do intestino irritável – e já congrega mais de 15 mil pessoas. Nada disso seria possível sem a internet. Ela cria uma rede de apoio e solidariedade, faz com que todas as histórias sejam relevantes e pode mudar a forma como a medicina é exercida. Portanto, nada de ficar calado, porque adoecer em segredo faz mal à saúde.

Por que comer (muito) queijo não afeta o colesterol ruim

saude-queijos-20090104-001

Em pesquisa realizada na Irlanda, os participantes que mais consumiam queijos ricos em gorduras saturadas não apresentavam altos níveis de colesterol

 

O queijo pode não ser tão ruim para os níveis de gordura no organismo muitos imaginam. De acordo com estudo do Food for Health Ireland, da University College Dublin (UCD), na Irlanda, pessoas que incluem grandes porções de queijo na dieta são mais magras do que as outras. Além disso, o consumo maior do alimento não foi associado ao aumento nos níveis de colesterol. Na verdade, os participantes que preferiam produtos lácteos com baixo teor de gordura tendiam a níveis mais altos de lipoproteína de baixa densidade (LDL), o colesterol considerado ruim.

O estudo veio para fortalecer outras pesquisas que já sugeriam que a gordura presente no queijo não aumenta o colesterol ruim devido ao conjunto singular de ingredientes que ele contém. A gordura saturada pode aumentar o colesterol LDL, mas também o HDL, o colesterol considerado bom, de acordo com outra série de evidências.

Os cientistas estudaram o impacto de uma dieta rica em laticínios, ou seja, que incluíam alimentos como leite, queijo, iogurte, manteiga e requeijão, em 1.500 pessoas com faixa etária entre 18 e 90 anos. Eles descobriram que aqueles que consumiam diariamente grandes quantidades desses produtos apresentavam um IMC mais baixo, menores porcentagens de gordura, menor circunferência de cintura e menor pressão arterial.

Uma das explicações possíveis para o efeito benéfico do queijo é que as gorduras concentradas nesse alimento, como o ácido linoleico conjugado e o ácido vacênico e o oleico, têm efeito cardioprotetor — elas bloqueiam parte da formação de colesterol e triglicérides no fígado.

Colesterol ruim

Os resultados são polêmicos. Eles vão contra as atuais recomendações de saúde, que defendem a redução de gorduras saturadas — presentes no queijo — para manter os níveis de colesterol saudáveis. O colesterol é transportado no sangue ligado a lipoproteínas de baixa ou alta densidade. Quando há muita lipoproteína de baixa densidade (LDL) no sangue, ela adere às paredes das artérias e bloqueia o fluxo sanguíneo. Quanto maiores esses níveis, maiores os riscos de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).

A importância da atividade física

No entanto, para Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração, em São Paulo, essa questão vai muito além da alimentação. “Somente 20% do colesterol advém da alimentação, 80% é função hepática.” A prática de atividades físicas e outros fatores, como a ingestão de frutas e verduras, são peças essenciais para manter a produção de colesterol sob controle. “O colesterol ruim é a chave, enquanto o receptor do fígado é a fechadura. A gordura saturada ocupa essa fechadura, aumentando os riscos”, explica o médico.

 

Estudo mostra que baixo consumo de glúten pode levar à diabetes

mulher-na-dieta-gluten-free

Pesquisadores americanos descobriram que pode haver uma relação entre a proteína e a doença que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo

Na esperança de emagrecer, muitos entram na moda da dieta glúten free e diminuem o consumo dessa proteína. Um estudo, no entanto, mostra que as pessoas não deveriam parar de comer glúten se não são alérgicas a ele. Isso porque a proteína pode proteger o corpo de uma doença que afeta mais de 300 milhões de indivíduos no mundo: a diabetes tipo 2.

Cientistas americanos da Universidade de Harvard descobriram que os participantes da pesquisa que consumiram mais glúten foram 13% menos propensos a desenvolver a condição em comparação com as pessoas que ingeriram menos da proteína.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram informações obtidas por três estudos que, juntos, duraram 30 anos (1984-1990 e 2010-2013). Nessas pesquisas, os participantes precisaram responder a um questionário de frequência alimentar a cada dois e quatro anos.

Com essa base de dados, os cientistas estimaram a ingestão de glúten dos participantes e viram que a maioria dos voluntários comeu menos de 12 gramas por dia. Depois, eles analisaram quais pessoas desenvolveram diabetes tipo 2 durante o período do estudo. A doença é o tipo mais comum de diabetes e ocorre quando o corpo não é mais capaz de usar a insulina de maneira eficiente.

O que os cientistas descobriram é que cerca de 16 mil pessoas que participaram dos estudos desenvolveram diabetes tipo 2. Ao comparar o consumo de glúten aos riscos de desenvolver a doença, eles chegaram à conclusão que os voluntários que comeram mais glúten tinham 13% menos chances de desenvolver a condição do que os que não consumiram tanto a proteína (menos de quatro gramas diárias).

Além disso, os indivíduos que se alimentaram com menos glúten também tiveram uma menor ingestão de fibra de cereais.

Os pesquisadores ainda não sabem dizer por que os participantes que comeram mais glúten foram menos propensos a desenvolver a doença. A hipótese deles é que essas pessoas também comeram mais fibras, uma substância conhecida por proteger o corpo contra o diabetes tipo 2.

Mais de dois milhões de brasileiros são celíacos. Isso significa que essas pessoas não podem consumir glúten sem que seus sistemas imunológicos não reajam contra elas. O tratamento mais eficaz é a abstenção dessa proteína comumente encontrada em alimentos que contém trigo, aveia, centeio, cevada e malte.

Chikungunya pode levar a danos irreversíveis nos olhos, indica estudo

chikungunya-olhos1

Pesquisadores fazem acompanhamento da saúde ocular de pessoas que tiveram chikungunya em Feira de Santana, na Bahia. De 2015 para 2016, casos de chikungunya aumentaram 606%.

 

A característica mais marcante da chikungunya são as fortes dores nas articulações, que podem persistir por muito tempo depois da fase aguda da infecção. Lesões vasculares, inchaço, perda de sensibilidade e até queda de cabelo são sequelas que já foram identificadas na fase crônica da doença. Agora, pesquisadores brasileiros estão monitorando as complicações oculares que o vírus transmitido pelo Aedes aegypti pode desencadear

Resultados preliminares de um estudo conduzido em Feira de Santana, na Bahia, indicam que mais da metade dos pacientes com chikungunya avaliados apresentam alterações oculares que levaram, em alguns casos, à perda parcial ou total da visão de forma irreversível.

O oftalmologista Hermelino de Oliveira Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e coordenador do Hospital de olhos de Feira de Santana (Clihon), está à frente do projeto, feito em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A literatura médica já apontava para a possibilidade de a chikungunya afetar a saúde ocular. Um artigo de 2007 publicado na revista “Clinical Sciences” descreveu casos de neurite óptica, um tipo de inflamação do nervo óptico, em pacientes infectados pelo vírus na Índia. Mas o número elevado de casos registrados no Nordeste do Brasil permitiu fortalecer as evidências dessa associação.

Feira de Santana foi uma das primeiras cidades brasileiras a registrar casos de chikungunya em 2014. Uma iniciativa da Fiocruz e da UEFS passou a acompanhar pacientes com chikungunya na cidade para verificar os efeitos de longo prazo da doença. A equipe de Hermelino passou a fazer exames oftalmológicos nos pacientes que já eram acompanhados pelo projeto. “A gente criou um consultório itinerante e montou ao lado da sala de atendimento desse grupo”, conta o oftalmologista.

O atendimento oftalmológico se dá uma vez por mês e começou em novembro. Até o momento, foram avaliados 87 olhos de 44 pacientes com exames positivos para chikungunya.

Alertas contra o sono

chuvstvo_trevogi-1

Sono, cansaço e distração ao volante – além de embriaguez e excesso de velocidade – estão entre as principais causas de acidentes de trânsito, que todos os anos levam à morte cerca de 42 mil pessoas no Brasil, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) coordenado pelo Ministério da Saúde.

É um fenômeno global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que contabilizou 1,2 milhão de pessoas mortas a cada ano em acidentes de trânsito. No Relatório de Situação Global sobre a Segurança Rodoviária de 2015, a OMS, citando dados do SIM para o Brasil, indica que do total de mortes em acidentes automobilísticos 5% eram de motoristas de carros, 18% de passageiros desses veículos, 1% de passageiros e motoristas de ônibus, 2% de passageiros e motoristas de caminhões, 28% de motociclistas, 20% de pedestres e 23% outros, sem especificação.

Com tamanho problema, são sempre bem-vindas tecnologias que possam de alguma forma reduzir esses números. No Brasil, duas delas estão em desenvolvimento para tentar diminuir pelo menos os acidentes entre motoristas de caminhões e ônibus, causados por sono, cansaço ou distração.

A primeira é uma poltrona antissono, criada pelas empresas Marcopolo, TWE e Centro Multidisciplinar de Sonolência e Acidentes (Cemsa) que tenciona diminuir a fadiga do profissional e evitar que ele durma enquanto dirige. A outra, da Vale, é um dispositivo, chamado Brain Computer Interface (BCI), capaz de captar ondas elétricas do cérebro e, com isso, prever ações que um motorista de caminhão nas minas da empresa e, no futuro, em veículos pesados que trafegam em estradas, ou ainda maquinista de um trem irá tomar – como frear, por exemplo – e realizá-las antes que o condutor tome a iniciativa.

A cadeira de motorista da Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus, chamada Antisleep Seat, foi criada pela empresa em seu Innovation Center (MIC), localizado em Caxias do Sul (RS), em parceria com o Cemsa, de Belo Horizonte, e a companhia TWE, pertencente ao grupo canadense Woodbridge, fabricante da espuma moldada da poltrona. O Cemsa foi criado pelo especialista em distúrbios do sono e responsável pelo projeto da cadeira, Marco Tulio de Mello. “É uma empresa de pesquisa e o nosso objetivo é oferecer suporte a empresas no gerenciamento do risco de fadiga dos seus funcionários.”

A poltrona é equipada com quatro dispositivos – assento vibratório, manta térmica de aquecimento, ventiladores e alto-falantes para mensagens –, que atuam nos momentos de fadiga e sonolência do motorista com o objetivo de mantê-lo alerta. Os comandos da cadeira são acionados por um aplicativo de celular, desenvolvido pelo Cemsa, que se comunica com a poltrona por bluetooth.

Além de novas tecnologias, uma outra maneira de tentar reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito é examinar o motorista para saber se ele está usando drogas. Em março de 2016 entrou em vigor a Lei nº 13.103, de 2015, que obriga condutores profissionais de vans, caminhões e ônibus a fazer teste toxicológico sempre que vão renovar a carteira de habilitação, mudam de categoria, são admitidos ou são desligados de uma empresa.

Feito a partir de uma amostra de cabelo ou unha, o exame é capaz de detectar o uso de drogas como, por exemplo, cocaína, crack, heroína, maconha e anfetaminas, nos 90 dias anteriores ao teste. A lei é aplicada e fiscalizada pelos departamentos de trânsito de cada estado, no momento em que os motoristas atualizam seus documentos. “O consumo de álcool e outras substâncias psicoativas é cada vez mais comum entre esses profissionais”, diz o psicólogo Lúcio Garcia de Oliveira, do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Em fevereiro deste ano ele concluiu um estudo sobre os efeitos do uso múltiplo de drogas sobre o sono de motoristas de caminhão no Estado de São Paulo. A pesquisa contou com apoio da FAPESP, no âmbito do Programa Jovem Pesquisador.

Na pesquisa, que começou em 2012, Oliveira ouviu 684 motoristas. “Constatamos que, nos 30 dias anteriores à entrevista, 67,3% dos participantes haviam usado álcool, 34,6% de forma pesada, 26% como binge drinking [consumo episódico, excessivo, de uma grande quantidade de bebidas alcoólicas em um curto período de tempo] e 9,2% estavam sob o risco de desenvolver dependência”, conta Oliveira. “Além disso, 54,6% deles relataram o uso múltiplo de álcool e outras drogas. Nessa população, o consumo foi mais pesado, caracterizado pela adição de cinco doses, em relação àqueles que ingeriram apenas uma dose.”

Lei a íntegra da reportagem publicada na Revista Pesquisa FAPESP em http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/02/13/alertas-contra-o-sono/?cat=tecnologia.

Como ter uma supermemória, de acordo com a ciência

24c5b1ef0b23ac514752f4eecff3c45e

Uma técnica utilizada desde a Grécia Antiga pode tornar a mente altamente eficaz, mais que dobrando a capacidade de memorização, sugere estudo

 

Uma técnica simples, conhecida por ser utilizada na Antiguidade por oradores gregos e romanos, pode fazer com que qualquer pessoa tenha uma supermemória, sugere um estudo publicado nesta quarta-feira no periódico científico Neuron. Segundo pesquisadores da Universidade Radboud, na Holanda, o exercício, conhecido como Palácio da Memória, pode mais que dobrar a capacidade de guardar e resgatar lembranças, tornando as conexões cerebrais muito semelhantes às apresentadas por campeões mundiais de testes de memória. De acordo com os cientistas, o excelente desempenho em conservar lembranças não é devido a alterações físicas ou anatômicas – o único segredo para isso é o treino, capaz de ampliar as conexões da mente.

“Depois do treinamento percebemos que o desempenho em testes de memória melhora consideravelmente. Os exercícios não apenas induzem mudanças comportamentais, mas também levam a padrões de conectividade cerebrais muito parecidas com as vistas em ‘atletas de memória’”, afirma o neurocientista Martin Dresler, professor da Universidade Radboud, em comunicado.

Super memória

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram o cérebro de 23 “campeões de memória”, pessoas como Boris Konrad, um dos autores do estudo, capaz de memorizar cerca de 500 dígitos ou cem palavras em cinco minutos. Konrad, que é pesquisador na universidade holandesa e faz parte de uma elite de “campeões de memorização”, pessoas que participam de campeonatos como os organizados pelo World Memory Championships, ajudou os cientistas a entrar em contato com outros experts em guardar informações, que tiveram as conexões cerebrais estudadas por meio de ressonância magnética (fMRI). Os cientistas também analisaram o cérebro de 23 voluntários, com idade e condições de saúde parecidas com a dos “campeões de memória”, mas sem nenhuma habilidade notável em memorização de dados.

Surpreendentemente, os cientistas não verificaram diferença anatômica alhguma entre o cérebro dos “campeões de memória” e as pessoas comuns, mas perceberam que os “campeões” demonstravam padrões de conectividade cerebral bem mais numerosas que os voluntários. Por meio de entrevistas, o cientistas perceberam que os “campeões” não haviam nascido com nenhuma habilidade diferente de memorização, mas, utilizando técnicas mnemônicas, alcançaram os resultados excelentes em testes de memória.

Os pesquisadores resolveram, então, chamar 51 indivíduos que nunca haviam sido submetidos a técnicas de memorização e pediram para que fizessem dois tipos de exercício de memória – um deles o chamado Método loci ou Palácio da Memória”, técnica utilizada por oradores gregos e romanos para memorizar seus discursos, que consiste em fazer uma jornada imaginária por um local conhecido e relacionar alguns pontos da rota às informações que devem ser armazenadas. Os indivíduos tiveram as conexões cerebrais analisadas antes e depois da utilização das técnicas.

Antes do treinamento, sessões de trinta minutos diários durante quarenta dias, os voluntários conseguiram recordar entre 26 e trinta palavras de uma lista – depois, conseguiam recordar em torno de 65 palavras. Um dia após o treinamento, os indivíduos ainda eram capazes de se lembrar de 22 palavras a mais que antes da utilização da técnica. Segundo as análises de ressonância magnética, o cérebro de quem participou do treinamento mudava, exibindo padrões de conexões muito parecidos aos dos “campeões de memória”.

“Uma vez que alguém está familiarizado com as estratégias e sabe como aplicá-las, é possível manter o desempenho altíssimo, mesmo sem muito treinamento”, explica Dresler.

De acordo com os pesquisadores, o estudo demonstra que todos possuem “áreas cerebrais” que podem ser exploradas e expandidas, melhorando a memória e as conexões da mente.