Hipertensão arterial é um inimigo silencioso

d5817a2655abf197f9f9c2cf1541761a_M

Popularmente conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial é uma das doenças que mais matam no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que o mal atinge aproximadamente 30 milhões de brasileiros e mata 300 mil pessoas todos os anos no Brasil. Deste número, cerca de 25% da população brasileira, mais de 50% na terceira idade e 5% de crianças e adolescentes sofrem com o mal. Para reforçar a prevenção da doença, no próximo dia 26 de abril é celebrado o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial.

O cardiologista do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, Dalton Precoma, explica que a hipertensão arterial não apresenta sintomas que permitam antecipar o diagnóstico. “A hipertensão é silenciosa e por isso a prevenção é ainda mais importante. A doença pode surgir em crianças, adultos e idosos e exige acompanhamento médico frequente”, explica.

O especialista reforça que a mudança de hábitos como alimentação, tabagismo e a prática de exercícios físicos é fundamental para a prevenção do mal. “Um dos primeiros passos é reduzir o consumo de sódio na alimentação. Apesar da hipertensão arterial ser atrelada ao sal, o sódio é o responsável por contribuir para o agravamento da doença”, comenta.

Dicas para prevenir a hipertensão arterial

1. Tenha o costume de verificar a pressão ao menos uma vez por ano

2. Pratique exercícios físicos por 30 minutos ao menos quatro vezes por semana. O ideal são 150 minutos por semana

3. Reveja os hábitos alimentares e cuide do peso

4. Reduza o consumo de álcool. Sendo possível, não beba

5. Esqueça o hábito de fumar

6. Tenha momentos de lazer com a família e amigos. Evite o estresse

7. Procure um cardiologista e siga as orientações do profissional

Conheça 11 alimentos que são vilões

1. Sal

2. Embutidos

3. Alimentos enlatados

4. Bolachas

5. Sopas em pó

6. Refrigerantes e sucos diet

7. Alimentos prontos congelados

8. Macarrão instantâneo

9. Azeitonas e outros alimentos em conserva

10. Shoyu e outros temperos industrializados

11. Sanduíche de presunto e queijo

Medicamentos no SUS

O Ministério da Saúde informa que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente todas as classes de medicamentos necessários para o controle da hipertensão arterial. O programa Aqui Tem Farmácia Popular também ampliou a gratuidade de medicamentos para hipertensos. São mais de 15 mil farmácias e drogarias conveniadas ao programa.

Sobre o Hospital Angelina Caron

O Hospital Angelina Caron está localizado na cidade de Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba (PR). De caráter eminentemente social, o local é um centro médico-hospitalar de referência no Sul do País e um dos maiores parceiros do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. Recebe, anualmente, mais de 350 mil pacientes de todo o país, dos quais 95% pertencem ao SUS. Atua em todas as vertentes da medicina e é um centro tradicional de fomento ao ensino e à pesquisa. O setor de transplantes é um dos mais destacados, reconhecido internacionalmente, com cerca de 250 procedimentos por ano nas áreas hepática, renal, reno-pancreática, cardíaca e de tecidos corneanos. Mais informações no site http://www.hospitalangelinacaron.com.br.

Anúncios

Exame de sangue detecta ressurgimento de câncer com 1 ano de antecedência

tubo-de-ensaio

A partir de análie de DNA de tumor retirado, cientistas conseguiram rastrear no sangue sinais de câncer em início de formação; descoberta pode levar a novos tipos de remédios.

 

Médicos britânicos conseguiram identificar o retorno de um câncer um ano antes dos exames tradicionais, em uma descoberta animadora para o combate à doença.

A equipe conseguiu rastrear no sangue sinais de câncer quando este era apenas um pequeno amontoado de células invisíveis a raio-X e tomografia.

Isso deve permitir aos médicos tratar o tumor mais cedo, o que também aumentaria as chances de curá-lo.

O estudo também pode levar a novas ideias para remédios contra câncer, após notar como DNA instável permite a rápida evolução do tumor.

A pesquisa focou em câncer de pulmão, mas os processos estudados são tão básicos que as descobertas devem poder ser aplicadas a outros tipos de câncer.

O câncer de pulmão é o que mais mata no mundo, e o principal objetivo do estudo era acompanhar o seu desenvolvimento – a ponto de se espalhar por todo o corpo.

Exame de sangue

Para verificar se um câncer pode estar voltando, os médicos precisam saber o que exatamente têm de rastrear. Por isso, partiram de amostras de tumores de pulmões removidos durante cirurgias.

Uma equipe no Instituto Francis Crick, em Londres, analisou, então, o DNA defeituoso dos tumores para obter um “mapa genético” do câncer de cada paciente.

A cada três meses, eram realizados exames de sangue para verificar se pequenos vestígios do DNA do câncer teriam reaparecido.

Os resultados, divulgados na publicação científica “Nature”, mostraram que a recorrência do câncer pode ser identificada cerca de um ano antes do prazo normal de métodos atuais disponíveis na medicina.

Os tumores costumam ter, em geral, um volume de cerca de 0,3 milímetros cúbicos quando são detectados por exames de sangue convencionais.

Esperança

Para Cristopher Abbosh, do Instituto de Câncer UCL, a descoberta é significativa.

“Nós podemos identificar pacientes para fazerem o tratamento mesmo quando eles ainda não têm qualquer sinal clínico da doença e também monitorar como as terapias estão evoluindo.”

“Isso representa uma nova esperança para combater o retorno do câncer de pulmão após a cirurgia, algo que acontece em cerca de metade dos pacientes”, afirmou.

Por enquanto, esse novo método tem sido eficiente ao alertar sobre a volta do câncer para 13 dos 14 pacientes que apresentaram reincidência da doença. E a descoberta ajudou também a identificar quem estava livre, sem indícios da doença.

Em teoria, seria mais fácil curar um câncer que ainda está muito pequeno, no início, do que fazê-lo quando ele já está grande e visível de novo.

No entanto, são necessários mais testes para confirmar a eficácia do método.

Chales Swanton, do Instituto Francis Crick, disse à BBC: “Nós podemos agora organizar testes clínicos para responder à questão fundamental – se você tratar a doença das pessoas quando não há evidências de câncer em uma tomografia ou em um raio-X, você terá mais chances de conseguir curá-la?”

“Nós esperamos que seja isso. Que se nós começarmos a tratar a doença quando existem apenas algumas poucas células cancerígenas no corpo, nós aumentaremos a chance de curar um paciente”, completou.

Janet Maitland, de 65 anos, é uma dos pacientes participando dos testes.

Ela viu o câncer de pulmão tirar a vida de seu marido e acabou diagnosticada com a doença no ano passado.

“Era meu pior pesadelo, o câncer de pulmão, então foi como se o meu pior pesadelo se tornasse realidade. Fiquei aterrorizada e devastada.”

Ela passou por cirurgia e teve seu tumor retirado – agora os médicos dizem que ela tem 75% de chance de ficar livre da doença pelos próximos cinco anos.

“Eu pensava que nunca mais iria melhorar e agora sinto como se estivesse vivendo um milagre”, afirmou.

Evolução

O exame de sangue é, na realidade, a segunda grande descoberta feita pelos cientistas envolvidos em um vasto projeto que pesquisa o câncer.

A primeira descoberta, considerada chave nas pesquisas, foi sobre o papel da instabilidade do DNA na reincidência do câncer.

Diversas amostras de 100 pacientes contendo 4,5 trilhões de pares de bases de DNA foram analisadas. O DNA é “empacotado” em conjuntos de cromossomos que contêm milhares de instruções genéticas.

A equipe no Instituto Francis Crick mostrou que os tumores que apresentavam “caos cromossômico” maior – a capacidade de remodelar facilmente grandes quantidades de DNA para alterar milhares de instruções genéticas – tinham mais chances de voltar.

Charles Swanton, um dos pesquisadores, disse à BBC: “Você tem um sistema ali em que uma célula cancerígena pode alterar seu comportamento rapidamente ganhando ou perdendo cromossomos ou partes de cromossomos.”

“É a evolução ‘bombada'”.

Isso permite que o tumor desenvolva resistência a remédios, a capacidade de se esconder do sistema imunológico e de se deslocar para outros tecidos do corpo.

‘Animador’

A primeira implicação da pesquisa será para o desenvolvimento de remédios – entendendo o papel-chave da instabilidade cromossômica, cientistas poderão achar formas de contê-la.

“Espero que sejamos capazes de desenvolver novas formas de limitar isso e que possamos reduzir a capacidade de evolução de tumores – e quem sabe até fazer com que eles parem de ‘se adaptar'”, observou Swanton.

Os cientistas dizem que só estão começando a entender as descobertas que serão possíveis por meio da análise do DNA de cânceres.

Caminhar aumenta fluxo de sangue para o cérebro

LEAD-MentalIllness_0

Praticamente todo mundo já ouviu falar que caminhar faz bem para a saúde, mas um grupo de pesquisadores da Universidade Highlands do Novo México, EUA, encontrou mais um inusitado benefício da prática. Segundo eles, o impacto dos pés no chão produz ondas de pressão nas artérias que alteram significativamente o suprimento de sangue para o cérebro, podendo ajudar a aumentá-lo.

Até pouco tempo atrás, achava-se que o fluxo de sangue para o cérebro era regulado de forma involuntária pelo corpo, sendo pouco afetado por mudanças na pressão causadas por exercícios. Recentemente, no entanto, cientistas da mesma universidade americana e de outras instituições descobriram que o impacto dos pés no chão durante a corrida geravam forças equivalentes a entre quatro e cinco vezes a da gravidade terrestre. Estas forças, por sua vez, produziam ondas de pressão nas artérias que se sincronizavam com a frequência cardíaca e o ritmo das passadas, regulando a circulação de sangue no cérebro de forma dinâmica.

Experimento com ultrassom

Diante disso, os pesquisadores decidiram verificar se algo parecido acontecia nas caminhadas. Para tanto, eles usaram ultrassons para calcular o fluxo sanguíneo em ambos hemisférios cerebrais a partir de medidas tanto da velocidade destas ondas quanto do calibre das artérias carótidas de 12 jovens adultos saudáveis enquanto ficavam parados em pé ou andavam de forma constante num ritmo tranquilo, de cerca de 3,6 km/h. Eles então constataram que embora o impacto dos pés no chão durante uma caminhada seja muito menor do que numa corrida, andar calmamente ainda produzia ondas de pressão poderosas o bastante para elevar o fluxo de sangue para o cérebro.

— O que é mais surpreendente é que demoramos tanto para finalmente medir estes óbvios efeitos hidráulicos no fluxo sanguíneo para o cérebro — diz Ernest Greene, líder do estudo, que apresentou seus resultados em palestra ontem durante a reunião anual da Sociedade Americana de Fisiologia (APS, na sigla em inglês) como parte da conferência Experimental Biology 2017, que acontece desde sábado e vai até amanhã em Chicago. — Há uma otimização de ritmo entre o fluxo sanguíneo cerebral e o caminhar. Tanto o ritmo das passadas quanto seus impactos com os pés estão dentro da gama de uma frequência cardíaca normal, de até cerca de 120 batimentos por minuto, quando nos movemos de forma apressada.

Cardiologista e diretor de pesquisas da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex), Claudio Gil Araújo lembra que o fluxo de sangue para o cérebro não é regulado por um único mecanismo, mas reconhece que a descoberta do grupo americano, embora aparentemente em caráter preliminar, reforça a noção de que o corpo busca sincronizar seus ritmos para atingir um equilíbrio entre o metabolismo e a atividade motora.

— Nosso corpo é um mecanismo complexo que nenhuma máquina conseguiu imitar ainda, com um acoplamento entre a respiração e a atividade cardíaca e entre a ação motora e a resposta cardiorrespiratória — destaca. — Assim, num organismo saudável, o cérebro tem uma espécie de comando central, uma função alta e sofisticada, que informa o corpo para realizar uma atividade motora e depois “ouve” as respostas do próprio corpo para modular esta atividade em busca, em última instância, da homeostasia, isto é, de manter todos seus parâmetros constantes, como a quantidade de oxigênio disponível para os músculos, mesmo em situações de estresse físico, como durante a prática de exercícios.

Outro que não se surpreendeu com a constatação dos pesquisadores americanos foi o especialista em preparação física e coaching em tempo integral Nuno Cobra Júnior. Segundo ele, o benefício das caminhadas para o fluxo sanguíneo cerebral já era conhecido desde a Grécia antiga, embora ele também admita que a descoberta de um mecanismo hidráulico envolvido neste processo seja um importante passo para aprofundar nossa compreensão da causa e do modo como isso acontece.

— Aristóteles já dizia que andar é a melhor forma de pensar — cita. — Sabemos também, por exemplo, que a atividade física leve ou moderada promove a neurogênese, isto é, a produção de novos neurônios, e que criamos novas conexões intraneurais através do aprendizado de movimentos novos. Tudo isso mostra a importância da atividade motora para a saúde cerebral. E é por isso também que os efeitos da atividade física no cérebro estão sendo cada vez mais estudados pela neurociência.

Já o neurologista Daniel de Souza e Silva, pesquisador em neurofisiologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ressalta que, embora o mecanismo descrito pelos cientistas americanos seja de uma simplicidade surpreendente, o material disponível sobre o estudo ainda é limitado, não trazendo, por exemplo, uma quantificação do efeito das caminhadas sobre o fluxo sanguíneo cerebral.

— Depois de demonstrado, este mecanismo se mostra um tanto óbvio, mas a falta de mais dados coloca em dúvida seu real impacto na saúde e funcionamento do cérebro — considera. — Por isso quem faz a prática clínica como eu fica muito cauteloso na hora de abraçar uma conclusão dessas. Ainda assim, prevejo para o futuro uma série de outros artigos e estudos se baseando e ampliando esta descoberta, já que estes achados costumam começar assim, como algo observacional.

 

 

Como usar a música para tornar o seu trabalho melhor

3d18cc0dd7463bc427a452ab83ab3e41

Música é bom. É bom ouvir música no carro. É bom ouvir música no banho. É bom ouvir música em todos os lugares, até mesmo enquanto trabalhamos de casa. A música tem o poder de ajudar na concentração, na autoconfiança e no alívio do estresse.

Um recente estudo investigou os efeitos da música no cérebro de pessoas que estavam sob o efeito de bloqueadores de opióides (que interferem na habilidade de sentirem prazer) e no de indivíduos que tomavam placebo. O resultado mostrou que os analisados que usaram os bloqueadores aproveitaram muito menos a música em relação aos que consumiam placebo. A conclusão foi de que a música tem um efeito similar ao prazer da comida no cérebro.

Isso faz sentido. No entanto, esses efeitos não são necessariamente compatíveis no ambiente de trabalho. Ainda assim, podemos imaginar que a música possa ajudar as pessoas a serem mais produtivas, levando-se em conta, claro, que ouvir música no trabalho exige um equilíbrio delicado.

 

Como a exposição ao silêncio pode beneficiar o seu cérebro (e a sua saúde)

17820116_1392962204093500_693029201_o

Pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada e repetida ao silêncio pode resultar em melhora na saúde.

Nos últimos anos, os pesquisadores têm destacado o poder peculiar do silêncio para acalmar nossos corpos, aumentar o volume em nossos pensamentos internos e sintonizar nossa conexão com o mundo. Suas descobertas começam em pesquisas sobre o contrário do silêncio – o barulho.

Muito já se escreveu sobre a “poluição sonora”, uma expressão criada na década de 1960, quando os cientistas descobriram que a exposição diária ao barulho intenso das estradas e aeroportos estava ligada a uma variedade de problemas de saúde: doenças cardíacas, problemas de sono, pressão alta e, menos surpreendentemente, perda auditiva. Os sons podem ser tão intensos que podem até causar danos muito mais imediatos, forte o suficiente para rasgar um buraco em seus tímpanos.

Se a exposição excessiva a sons altos é ruim para nós, a falta de som significa a falta de danos físicos causados pela poluição sonora. O silêncio é neutro. Segundo um artigo de Daniel Gross publicado na revista Nautilus, diversas pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada e repetida ao silêncio pode resultar em saúde melhorada, assim como a exposição prolongada e repetida ao ruído pode debilitá-la.

Estudos de fisiologia humana ajudam a explicar: as ondas sonoras vibram os ossos da orelha, que transmitem o movimento para a cóclea em forma de caracol. A cóclea converte as vibrações físicas em sinais elétricos que o cérebro recebe. O corpo reage imediatamente e poderosamente a esses sinais, mesmo no meio do sono profundo. Pesquisas neurofisiológicas sugerem que os ruídos ativam primeiramente a amígdala cerebeloza, aglomerados de neurônios localizados nos lobos temporais do cérebro, associados à formação de memória e à emoção. A ativação solicita uma liberação imediata de hormônios do estresse, como o cortisol. Pessoas que vivem em ambientes barulhentos, muitas vezes experimentam níveis cronicamente elevados de hormônios do estresse.

Em 2011, a Organização Mundial de Saúde concluiu que os 340 milhões de habitantes da Europa Ocidental – aproximadamente a mesma população dos Estados Unidos – perderam anualmente um milhão de anos de vida saudável por causa do ruído. Eles até argumentaram que três mil mortes por doenças cardíacas eram, em sua raiz, o resultado de ruído excessivo.

Então, a primeira conclusão é que o silêncio é bom pelo o que ele não faz – não acorda, não nos irrita ou não nos mata. Mas quais seriam então seus benefícios pelo que faz?

O artigo de Gross cita algumas pesquisas com interessantes revelações e a maioria delas foi descoberta por acaso, como no caso do pesquisador Luciano Bernardi que realizava um estudo dos efeitos fisiológicos da música em 2006. Bernardi queria mostrar o impacto da música relaxante no cérebro, e, para sua surpresa, descobriu que entre as faixas musicais, em trechos de silêncio inseridos aleatoriamente revelaram-se muito mais relaxantes do que a música “relaxante”. As pausas em branco que Bernardi considerava irrelevantes, em outras palavras, tornou-se o objeto de estudo mais interessante.

Outra pesquisadora citada no artigo que analisou esta questão foi a bióloga regenerativa da Universidade Duke, Imke Kirste. Em 2013, ela estudava os efeitos dos sons no cérebro de ratos adultos. Como Bernardi, ela pensou no silêncio como um controle que não produziria um efeito. Mas para sua grande surpresa, Kirste descobriu que duas horas de silêncio por dia levaram ao desenvolvimento celular no hipocampo, a região do cérebro relacionada à formação da memória, envolvendo os sentidos. Isso era profundamente intrigante: a ausência total de insumos estava tendo um efeito mais pronunciado do que qualquer tipo de entrada testada.

O crescimento de novas células no cérebro nem sempre tem benefícios para a saúde. Mas, neste caso, Kirste diz que as células pareciam se tornar neurônios funcionais. “Vimos que o silêncio está realmente ajudando as novas células geradas a se diferenciar em neurônios, e se integrar no sistema”.

Imagine, por exemplo, que você está ouvindo uma música que gosta muito quando o rádio de repente desliga. Neurologistas descobriram que se você conhece bem a música, o córtex auditivo do seu cérebro permanece ativo, como se a música ainda estivesse tocando. “O que você está ‘ouvindo’ não está sendo gerado pelo mundo exterior”, diz David Kraemer, que conduziu esses tipos de experimentos em seu laboratório de Dartmouth College. “Você está recuperando uma memória”. Os sons nem sempre são responsáveis pelas sensações, às vezes nossas sensações subjetivas são responsáveis pela ilusão do som.

Alguns cientistas esperam que essas descobertas possam conduzir a tratamentos potenciais para pessoas com distúrbios associados ao abrandamento do crescimento celular no hipocampo, como demência ou depressão. Mas até agora, pelo menos, a neurociência do silêncio parece sugerir isso: para o cérebro, o silêncio faz bem.

 

 

Cientistas ligam peso extremo a enxaqueca

66cb72c5-6105-4f65-b915-ed3c6f5d84ea

Obesos têm 27% mais chance de sentir dor e pessoas abaixo do peso, 13%, diz estudo

Tanto a obesidade como a magreza extrema são fatores de risco para a enxaqueca, de acordo com um novo estudo realizado por um grupo de cientistas dos Estados Unidos e publicado nesta quarta-feira, 12, na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.

O estudo, coordenado pela neurologista Lee Peterlin, da Universidade Johns Hopkins, concluiu que as pessoas obesas e as abaixo do peso têm, respectivamente, uma probabilidade 27% e 13% maior de sofrer de enxaqueca, em comparação aos indivíduos com peso normal.

Os resultados se basearam na análise de 12 estudos, envolvendo 289 mil pacientes, que tinham dados disponíveis sobre enxaqueca e Índice de Massa Corpórea (IMC).

“Como a obesidade e a magreza extrema são condições potencialmente modificáveis, é importante que os médicos e os pacientes de enxaqueca estejam conscientes desses fatores de risco. Agora vamos estudar se os esforços para redução ou ganho de peso podem atenuar o risco da doença”, disse Lee.

O IMC é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal referência para a classificação das faixas de peso. O índice é determinado pela divisão do peso do indivíduo, em quilos, pelo quadrado de sua altura em metros. A obesidade é definida por um IMC acima de 30, enquanto as pessoas abaixo do peso são as que têm IMC menor que 18,5.

De acordo com Lee, a relação de risco encontrada entre obesidade e enxaqueca é moderada. A escala da relação é a mesma da observada com transtornos bipolares e doença cardíaca isquêmica – problema que causa dor e desconforto que acontece quando parte do coração não recebe sangue suficiente.

A idade e o sexo foram variáveis importantes, segundo pesquisadores, na associação entre IMC e enxaqueca. “Isso faz sentido porque os riscos envolvidos na obesidade e na enxaqueca são diferentes entre homens e mulheres e entre jovens e idosos. Tanto a obesidade como a ocorrência de enxaqueca são mais comuns em mulheres e em jovens”, disse Lee.

A pesquisadora afirma que não se sabe ainda exatamente como a composição corporal pode afetar a enxaqueca.

“O tecido adiposo, que é a gordura, secreta uma ampla gama de moléculas que poderiam ter um papel no desenvolvimento ou no desencadeamento da enxaqueca”, sugeriu Lee.

Incapacitante. A enxaqueca é um tipo de cefaleia que costuma provocar dores latejantes de um lado só da cabeça, eventualmente acompanhadas de náuseas, vômitos e intolerância a sons, luz e cheiros fortes.

De acordo com o neurologista Mário Peres, do Hospital Albert Einstein, a enxaqueca acomete 15% da população brasileira em geral, mas a ocorrência é de duas a três vezes mais comum entre as mulheres.

“Na região Sudeste, 30% das mulheres sofrem com as crises. A doença é uma das principais causas de falta ao trabalho. A dor é, na maior parte das vezes, incapacitante”, disse Peres.

A doença muitas vezes é tratada com analgésicos, mas, de acordo com o médico, o principal tratamento é mesmo a prevenção. “As pessoas são massacradas pelas propagandas de analgésicos e acham que essa é a saída. Mas, muitas vezes, o abuso desses medicamentos pode agravar a condição”, disse.

O QUE DEVE SER EVITADO

1. Abuso de analgésicos

O uso muito frequente de analgésicos pode bloquear os mecanismos naturais de combate à dor, piorando a enxaqueca a longo prazo.

2. Consumo de álcool

O álcool em excesso dilata os vasos sanguíneos do cérebro e pode piorar as dores da enxaqueca.

3. Má alimentação

Alimentos como queijos, embutidos, chocolate ou café modificam a química cerebral, desencadeando crises de enxaqueca.

4. Sedentarismo

Atividade física regular com exercícios aeróbicos ajuda a aliviar a dor.

5. Estresse

A irritabilidade e a ansiedade, o excesso de trabalho e a falta de sono causam desequilíbrios no organismo que desencadeiam crises em quem já tem predisposição à enxaqueca.

Estadão

Anvisa aprova novo medicamento para câncer de pâncreas

25058365-6feb-4eff-8565-48a65b3499fb

Doença é considerada rara, de comportamento agressivo e alta taxa de mortalidade

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (10), o novo medicamento Abraxane (paclitaxel ligado à albumina).

O Abraxane é indicado para tratamento em primeira linha de pacientes com tumor de pâncreas metastático, que é uma doença rara de comportamento agressivo e alta taxa de mortalidade.

O novo medicamento será fabricado pela empresa Abrais BioScience, de Phoenix, EUA. No Brasil, a detentora do registro é a empresa Celgene Brasil Produtos Farmacêuticos Ltda., localizada em Vargem Grande Paulista, São Paulo.

A autorização foi para a forma farmacêutica pó para suspensão injetável, na concentração de 100 mg.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Anvisa 

Sim, respirar fundo acalma – e agora a ciência sabe o porquê

DSCN0004

Cérebro humano tem uma espécie de “marca-passo da respiração” – e ele também afeta o estado de espírito da pessoa

Pense em algo estressante.

Pensou? Então você certamente sentiu um pouquinho da aflição que a tal situação estressante provoca – porque, quando nos lembramos de algo (estressante ou não), nosso cérebro realmente vivencia aquilo de novo. Ou seja: a nível neuronal, não há tanta diferença entre uma experiência e a lembrança dela. Recordar um momento, seja ruim ou bom, produz no seu corpo efeitos análogos aos que você experimentou quando realmente viveu aquele momento. E isso está na raiz do grande problema psíquico do nosso tempo: a ansiedade. Ela é um efeito colateral do excesso de estímulos cognitivos (tanto os vindos do ambiente quanto os endógenos, gerados pelo próprio cérebro), mas também tem consequências físicas terríveis. Pensar demais pode arrasar o corpo.

Mas um novo estudo provou algo de que a sabedoria popular sempre suspeitou: também é possível fazer o caminho oposto, e usar o corpo para domar o cérebro. E é incrivelmente fácil: basta respirar.

Inspire. Expire. Fundo.

Respirou? Então você certamente sentiu algum grau de relaxamento. E agora sabemos o porque disso. A resposta está no chamado Complexo pré-Botzinger, um grupo de células que fica no bulbo neural (região que conecta o cérebro à medula espinhal) e foi descrito pela primeira vez em 1991. O Complexo funciona como se fosse um “marca-passo da respiração”, ou seja, é graças a ele que o seu organismo inspira e expira, milhares de vezes por dia, sem que você precise pensar nisso. Mas ele faz outra coisa também.

Cientistas da Universidade da Califórnia descobriram que o Complexo se comunica com outra área do cérebro: o locus coeruleus (LC), uma região que gerencia o nível de alerta -portanto, de estresse- do indivíduo. Respirar fundo e lentamente provoca alterações no Complexo, que envia sinais elétricos para o locus coeruleus, que deixa você calmo. Esse mecanismo também funciona no sentido oposto (tendemos a ficar ofegantes quando estamos nervosos), e ajuda a explicar a eficácia da meditação – que tem o controle da respiração como um de seus elementos centrais.

Vencemos o colesterol?

inteligencia-01

Uma nova classe de remédios contra o problema reduz o risco para infarto e AVC. Mas ainda não se sabe ao certo o seu poder real

A chegada de uma classe de remédios contra o LDL, o colesterol ruim, há dois anos, despertou entre os médicos a discussão se ela seria a opção que faltava para tirar as doenças cardiovasculares da lista das que mais matam no mundo. Alta concentração da gordura é um dos fatores de risco mais importantes para infarto e acidente vascular cerebral e até então o recurso mais eficaz contra o problema eram as estatinas. Recentemente, a divulgação dos resultados do maior estudo feito até agora sobre os medicamentos – inibidores de PCSK9 – indicou que eles são uma arma poderosa. Mas ainda há um caminho a ser percorrido e respostas a serem dadas antes de serem definidos como primeira opção de tratamento.

Indicação limitada

Há dois remédios na nova classe: o Repatha e o Praluent. O trabalho analisou o impacto do primeiro na redução de eventos cardiovasculares em pacientes de alto risco que não conseguiam baixar o LDL para as concentrações recomendadas.

Combinada às estatinas, a droga diminuiu em 27% a chance de infarto e em 21% a de avc. A taxa de LDL caiu em torno de 60%. “É um avanço. A diminuição do colesterol trouxe benefícios importantes”, diz o cardiologista José Francisco Saraiva, da Faculdade de Medicina da PUC/Campinas e coordenador do estudo no Brasil.

Para o cardiologista Marcus Malachias, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, há ponderações a serem feitas. A primeira é a indicação das drogas: não são para todos. “É para quem tem alto risco ou os que não toleram as estatinas”, diz. “Trata-se de um grupo pequeno.” O restante, afirma, obtém bons resultados com as estatinas. O médico ressalva ainda o custo do tratamento (cerca de R$ 2 mil por mês). “Os remédios podem ser considerados apenas para um nicho de doentes.”

“Fico indignado de ter de morrer clandestinamente”: o caminho de um doente terminal até a morte digna

1491414684_118351_1491494666_noticia_fotograma

José Antonio Arrabal, que sofria de ELA, cometeu suicídio porque queria decidir em que momento deixar de viver

Lentamente, porém de forma decidida, José Antonio Arrabal sorve com canudo dois frascos de medicamento. “É muito ruim, caramba, como é ruim”, comenta ele para a câmera no vídeo que gravou sozinho e ao qual o EL PAÍS teve acesso. É a execução daquilo que vinha planejando há vários meses, desde que a esclerose lateral amiotrófica (ELA) com que foi diagnosticado em agosto de 2015 passou a acelerar o processo de deterioração que vinha sofrendo: na manhã do dia 2 de abril de 2017, depois de sua família o deixar a sós, ele atentou contra a sua própria vida.

Está tudo organizado. Na mesa da sala de estar do apartamento de Alcobendas (Madri) onde vive há mais de 30 anos, este eletricista nascido em Riocabado (Ávila) há 58 anos preparou meticulosamente toda a documentação importante para o ato que iria cometer: sua carteira de identidade, seu histórico clínico, seu testamento, uma carta ao juiz, um documento em que faz a doação de seu cérebro e uma página em que escreve apenas “Não reanimação”.

Diante da dificuldade com que se movimenta a sua mão esquerda já inutilizada, é fácil imaginar o esforço que teve de fazer para preparar isso tudo. O mesmo capricho do homem habilidoso com as mãos que ele afirma ser –quer dizer, que era antes da doença–, como demonstram os móveis construídos por ele e a enorme gaiola com um periquito e um casal de belos diamantes Gould que acaba de perder sua última ninhada. É o mesmo cuidado com que colocou sobre a mesinha de centro os frascos de medicamentos comprados pela Internet, os quais inicialmente o farão adormecer e, em seguida, provocarão uma parada cardiorrespiratória.

Arrabal não deixou nenhuma margem para o improviso. Preparou até mesmo a leitura que pretende fazer enquanto aguarda que os medicamentos surtam seus efeitos. “Durante esse tempo, li os dois primeiros tomos da Trilogia del Baztan de Dolores Redondo”, diz ele, com uma voz que, durante o mês e meio passado entre as duas entrevistas que deu ao EL PAÍS se tornou bem mais cansada. “Cheguei a 24% do terceiro. Não terei tempo de concluí-lo”, admite, com ironia.

A poltrona é quase a única concessão que fez à doença no dia a dia de sua casa. Não houve obras de adaptação no banheiro nem em outros cômodos. “No total, levaria alguns meses e teria de gastar um dinheiro que, assim, fica para minha família”, diz. Por isso mesmo não foi para a Suíça, país que permite o suicídio assistido. “Custaria 12.000 euros”.

Não teve dúvidas desde que recebeu o diagnóstico de ELA. “Me informei um pouco e vi o que me esperava: acabar como um vegetal”, acrescentava em 10 de fevereiro, quando já acabava o tempo em que a mobilidade da mão direita lhe permitiria adiar o suicídio. Ainda em seu último dia, move-a compulsivamente, para provar que ainda vai lhe servir para tomar, sozinho, a medicação.

Em outubro do ano passado notou que a degeneração se acelerava. Teve de parar de pintar e precisou trocar o modelo de livro eletrônico por um com menos botões e mais simples, diante da progressiva dificuldade com a mão. Mas a falta de capacidade motora avançou. “Já preciso de ajuda para me virar na cama, para me vestir, para tirar a roupa, para comer, para me limpar. Só consigo beber com um canudinho em um copo de plástico, porque não posso segurar um copo de vidro”, relata no vídeo que deixou. Também precisa de ajuda para respirar, “principalmente à noite”.

“O que resta é degenerar-me até acabar como um vegetal. Eu sempre fui muito independente. Não quero que minha mulher e meus dois filhos hipotequem o tempo de vida que me resta cuidando de mim em vão”, diz. Fez tudo pensando neles. Escolheu o dia para suicidar-se porque naquela manhã sua mulher e um de seus filhos vão à piscina. O outro filho foi passar o fim de semana na casa de um amigo. “Disse a eles que demorem para voltar, para que já tenha passado tudo”. Quer gravar o processo principalmente por eles. “Assim ninguém poderá acusá-los de colaborar com o suicídio”, afirma.

Arrabal tem certeza sobre um ponto: se existisse uma lei de suicídio assistido e eutanásia, “poderia adiar” a decisão. “Teria aguentado mais tempo. Mas quero poder decidir o final. E a situação atual não me garante isso”, diz com uma indignação pausada, não se sabe se por seu caráter ou por causa dos problemas respiratórios. “Na verdade é triste não existir uma lei que regule esses atos. Tive de comprar os medicamentos pela Internet, o que não dá nenhuma garantia”.

Que não se pense que não quis lutar. Antes do diagnóstico de ELA tinha superado uma hipereosinofilia, uma doença grave dos glóbulos brancos. Depois se ofereceu para participar de um teste clínico no hospital Carlos III de Madri, um centro de referência na esclerose lateral. “Servir para alguma coisa”, diz. Mas não foi considerado apto para o estudo devido às sequelas de sua doença anterior. “Não faço isso por ser covarde nem por estar sozinho e pensar que não serei bem cuidado. Pelo contrário. Tenho uma mulher e filhos que sei que farão tudo por mim”, ressalta para prevenir acusações nesse sentido.