Como exames de sangue podem ‘prever’ cânceres

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A partir de um teste de sangue comum dá para diagnosticar bastante coisa. Um alto nível de triglicérides indica a necessidade de adotar uma dieta menos gordurosa, e taxas elevadas de ácido úrico são sinal de que é hora de aumentar o consumo de água, por exemplo. No entanto, o trabalho de cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, pode fazer com que uma informação ainda mais importante possa ser concluída a partir de hemogramas: a presença de câncer.

O método, que é apontado como o mais promissor dos últimos 30 anos, se guia pelo número de plaquetas (trombócitos) no sangue. Essas estruturas são responsáveis por processos como a coagulação sanguínea, mas em quantidades elevadas – situação que apareceria em um laudo médico com nome de trombocitose – podem indicar a presença de tumores, principalmente os ligados a cânceres no intestino e nos pulmões.

O estudo, publicado no periódico British Journal of General Practice, considerou dados de 31.261 pessoas com trombocitose e de 7,969 pacientes cujos níveis de plaquetas estavam normais. No caso do primeiro grupo, a chance de ser diagnosticado com câncer dentro do período de um ano foi de 11,6% para homens e 6,2% no caso das mulheres. A efeito de comparação, para homens e mulheres com quantidade normal de trombócitos, o risco ficou na casa dos 4,1% e 2,2%, respectivamente.

Em um segundo teste, que analisou diagnósticos feitos até seis meses depois do exame de sangue, as chances se mostraram ainda maiores – 18,1% para homens e 10,1% para mulheres.

De acordo com Willie Hamilton, um dos autores da pesquisa, o aumento anormal dos níveis plaquetas foi mais preciso para indicar câncer em homens do um dos métodos mais eficazes e utilizados para detectar a doença: o autoexame para identificar nódulos nas mamas de mulheres.

A técnica de olhar para o sangue para prever o surgimento de tumores já havia sido proposta por estudos anteriores. Você, leitor da SUPER, talvez se lembre de um estudo publicado em fevereiro deste ano que propôs a possibilidade de exames de sangue indicarem a ocorrência de câncer de mama. No caso, os elementos que serviram para o diagnóstico foram as fosfoproteínas presentes no plasma sanguíneo – 144 delas se mostraram especialmente elevadas em quem tinha a doença.

A pesquisa inglesa, no entanto, traz dados que permitem eleger as taxas de plaquetas como forma ainda mais consistente para detectar cânceres. Principalmente se levarmos em conta o caráter silencioso da doença, que faz com que sintomas surjam apenas em estágios mais avançados. De acordo com os pesquisadores, um terço das pessoas identificadas com câncer no pulmão e no intestino não tinham outros sintomas – apenas altos níveis de trombócitos.

“Sabemos que um diagnóstico rápido pode ser vital para o tratamento do câncer. Nossa pesquisa sugere que um número substancial de pessoas podia ter seu câncer identificado até três meses mais cedo se a trombocitose tivesse sido considerada no diagnóstico”, explica Sara Bailey, que liderou o estudo.

 

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GRIPE AUMENTA RISCO DE INFARTO POR ATÉ 1 MÊS APÓS

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Um estudo australiano recentemente publicado pelo periódico científico “Internal Medicine Journal” confirma uma relação já há algum tempo suspeita: infecções respiratórias, como gripe e pneumonia, aumentam o risco de infarto. Mas qual é a relação? Explicamos a seguir.

Relação entre infecção respiratória e infarto

Os pesquisadores da Universidade de Sidney analisaram 578 pacientes que, confirmadamente, sofreram infarto do miocárdio e descobriram que 21% dos pacientes que tiveram o ataque cardíaco apresentaram sintomas de doenças respiratórias nos primeiros 30 dias antes do mal súbito

Essa ligação tem motivo: segundo os estudiosos, a formação de coágulos no sangue tende a aumentar após as infecções respiratórias e inflamações e toxinas danosas aos vasos sanguíneos também ficam com graus elevados.

De acordo com os autores da pesquisa, anteriormente, outros estudos realizavam essa correlação sem a confirmação angiográfica do infarto. A angiografia é um exame que analisa o estado dos vasos sanguíneos através de uma inserção de uma pequena câmera nas artérias. É justamente por isso que essa nova descoberta – feita através desse exame – é tão importante.

“Estas conclusões confirmam que a infecção respiratória pode desencadear infartos. Estudos adicionais são indicados para identificar estratégias de tratamento para diminuir esse risco, particularmente em indivíduos que podem ter maior susceptibilidade”, conclui a pesquisa.

Período de risco para infarto

Outra questão descoberta é que o risco de infarto após gripe ou pneumonia não aumenta imediatamente após a infeção. Isso pode durar até os primeiros sete dias depois do surgimento de sintomas de doenças respiratórias. “Apesar de uma redução paulatina, o risco se mantém elevado durante um mês”.

POR QUE SARDINHA É UM DOS MELHORES ALIMENTOS QUE VOCÊ PODE CONSUMIR

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Apesar de ser bem mais acessível que o salmão e diversos outros tipos de peixes, a sardinha é um poderoso alimento que deve estar sempre presente no seu cardápio. Além de ajudar na saúde cardiovascular, a sardinha promove desenvolvimento cerebral e dos ossos e contribui até mesmo para o combate à depressão.

Benefícios da sardinha para a saúde

Um dos principais benefícios para a saúde do alimento é sua concentração de ácido graxo ômega 3, uma gordura boa que, por não ser produzida pelo organismo, necessita ser ingerida por meio da alimentação. A sardinha possui níveis melhores da substância do que o próprio salmão.

O peixe também é rico em vitamina D, que previne depressão e auxilia no desenvolvimento ósseo, no sistema imunológico e no metabolismo. Com elevados níveis de proteína, a sardinha garante saciedade, afasta o apetite exagerado e, consequentemente, contribui para o emagrecimento.

Poucos peixes são tão indicados para a saúde óssea quanto a sardinha. Isso porque, além da presença da vitamina D, o peixe ainda é boa fonte de cálcio, que fortalece os ossos e previne a osteoporose. Para se ter uma ideia, uma única lata de sardinha possui a mesma quantidade de cálcio de um copo de leite.

Sardinha: como escolher e consumir o peixe

Fazer uma boa escolha na feira ou no mercado é essencial para garantir todos os nutrientes da sardinha. O primeiro passo é verificar se as brânquias (camadas ao lado da cabeça do peixe) ainda estão vermelhas e se os olhos estão brilhantes. Além disso, analise o odor: o peixe não deve ter cheiro rançoso, que indica que processo de decomposição.

Para manter as propriedades da sardinha, não é recomendável fritar o peixe. O ideal é que seja consumido assado ou cozinho, como acompanhamento das refeições, sanduíches, sopas ou refogados. Se precisar apostar na versão enlatada, opte pela sardinha mantida em óleo vegetal, com maior presença de ômega-3. A gordura, porém, deve ser descartada no preparo.

 

REMÉDIO CASEIRO PARA GRIPE E RESFRIADOS: 6 RECEITAS QUE FUNCIONAM

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Veja o que realmente pode ser eficaz para os sintomas desses problemas

Gripes e resfriados são doenças virais que atingem as vias aéreas superiores (nariz, boca e garganta). A diferença é que gripe tem sintomas mais intensos do que os resfriados.

“Normalmente estes quadros são auto-limitados, ou seja, persistem em média de três a sete dias, e depois se resolvem sozinhos”, considera a nutróloga Lenina Matioli.

Remédios caseiros para gripe

Por conta disso, a especialista explica que remédios caseiros para gripes e resfriados não ajudam a curar esses quadros, apenas a amenizá-los levemente enquanto o organismo não completa este ciclo. Inclusive, os mesmo vale para os remédios de farmácia!

De acordo com Lenina, os remédios caseiros para gripe mais indicados popularmente e que ajudam a aliviar seus sintomas são:

Receita caseira para gripe Nutrientes Porque é eficaz
Suco de laranja com limão Vitamina C A ingestão contínua desta vitamina ajuda a reforçar o sistema imunológico
Xarope de alho Alicina A substância é anti-inflamatória, melhorando sintomas de congestão nasal
Suco de maçã com mel Propriedades hidratantes O mel ajuda a hidratar as mucosas das vias aéreas, ajudando na tosse seca
Alho fervido com mel Alicina e propriedades hidratantes Mistura os benefícios já citados de ambos os alimentos
Suco de caju Vitamina C Seu consumo pode ser intercalada com o limão e laranja, ajudando a ter maior aporte de vitamina C
Canja de galinha Proteínas, carboidratos e vitaminas Não melhora os sintomas, mas é uma refeição balaceada e ajuda a melhorar o equilíbrio do corpo

TESTE RÁPIDO PARA HIV GANHA REGISTRO NO BRASIL

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Exame detecta a presença do anticorpo do vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue. Resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou nesta quarta-feira (17) que registrou o primeiro autoteste para detectar exposição ao vírus da Aids que será vendido em farmácias e drogarias do Brasil. Segundo o órgão, o exame detecta a presença do anticorpo do vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue, e o resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.

Segundo Marco Colovatti, presidente da Orange Life, fabricante do teste, no momento estão sendo feitas as negociações com as redes de farmácias para distribuir o produto. Ele acredita que estará disponível para o consumidor em cerca de 30 dias. O fabricante não tem como informar o preço final ao consumidor, que depende dos intermediários, mas Colovatti acredita que será ao redor de R$ 50 por unidade.

A fábrica da Orange Life, no estado do Rio de Janeiro, tem capacidade para fabricar 100 mil testes por mês.

O exame rápido funciona para os dois subtipos do vírus que provocam a Aids e, de acordo com a Anivsa, demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%. No entanto, só pode indicar a presença do HIV após 30 dias da exposição ao vírus.

Se o resultado der positivo, recomenda-se confirmá-lo com um teste de laboratório. Em caso de resultado negativo, o teste deve ser repetido após 30 dias e outra vez depois de mais 30 dias até completar 120 dias após a primeira exposição.

Até o momento, testes de HIV eram feitos somente com intermédio de profissionais de saúde em laboratórios, centros de referência e unidades de testagem móvel.

A Anvisa definiui as regras para a venda de testes rápidos de HIV em novembro de 2015.

 

VITAMINA D REDUZ RISCO DE MENOPAUSA PRECOCE, REVELA ESTUDO

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Segundo pesquisa da Universidade Harvard, o consumo de vitamina D e leite de vaca pode contribuir para retardar o processo

Uma alimentação rica em peixes oleosos, como salmão, atum e sardinha, e ovos – ricos em vitamina D – pode evitar a menopausa precoce. De acordo com estudo publicado no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, o consumo de vitamina D através de alimentos e suplementos pode reduzir o risco da menopausa antes dos 45 anos em até 17%. Já os alimentos ricos em cálcio mostraram uma redução de 13%.

Estudos anteriores já haviam sugerido que a vitamina pode retardar o envelhecimento dos ovários. Cerca de uma a cada dez mulheres enfrenta a fase da menopausa precoce – antes dos 45 anos -, aumentando os riscos de osteoporose, doenças cardíacas e diminuindo a fertilidade.

Superbactérias irão matar 1 pessoa a cada 3 segundos em 2050: como devo me proteger?

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Nós estamos usando antibióticos da maneira errada e eles têm sido prescritos demais, inclusive em casos desnecessários. Quem disse isso foi a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois da divulgação de um relatório sobre a questão da resistência aos antibióticos. Agora, um novo documento, este elaborado a pedido do governo do Reino Unido, mostra dados ainda mais alarmantes. Veja a seguir.

Tomar muito antibiótico: o que isso está causando?

De acordo com o documento, se nada for feito, uma pessoa morrerá vítima de uma superbactéria a cada 3 segundos no ano de 2050.

Isso acontecerá porque as bactérias causadoras de doenças que hoje circulam se tornarão “mais fortes” e, por isso, resistentes aos antibióticos que temos hoje disponíveis.

Segundo o relatório, entre os motivos que causaram essa situação de preocupação que hoje vivemos estão:

  • O uso indiscriminado de antibióticos, muitas vezes usados em casos que não seriam necessários;
  • A ausência de saneamento básico e tratamento de água, que aumenta a necessidade de antibióticos para tratar doenças como infecção intestinal e diarreia, por exemplo;
  • Uso excessivo na agricultura e pecuária;
  • Investimento baixo no desenvolvimento de novos medicamentos;
  • Baixa remuneração, quando comparada a de médicos de outras especialidades, oferecida a infectologistas e especialistas em HIV.

Como posso me proteger?

A primeira atitude proposta é uma campanha para alertar as pessoas para que não tomem antibióticos por conta própria, sem prescrição médica.

Outra orientação é para que o diagnóstico de doenças se torne mais rápido, pois hoje em dia os antibióticos acabam sendo prescrito antes de que haja a confirmação através de exames de que há uma infecção bacteriana (situação em que essa classe de medicamentos é realmente necessária).

Também está recomendado o uso de outros métodos terapêuticos no combate a doenças bacterianas, como vacinas, fagoterapia (método em que um vírus é capaz de infectar as bactérias e curar doenças), lisinas (enzimas que agem sobre as bactérias), anticorpos, probióticos, estimulação imune e terapia com peptídeos.

Redução da utilização de antibióticos na agricultura e na pecuária, melhora do saneamento básico, aumento do investimento financeiro na área – principalmente para melhorar o pagamento dos profissionais que nela trabalham, criar novas drogas e melhorar as que já temos – e vigilância governamental do padrão de consumo de antibióticos também entram na lista.

 

Cafeína e dormir podem aliviar mais a dor crônica do que analgésicos

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Os pesquisadores usaram ratos para medir a relação entre as perdas de sono agudas ou crônicas e a sensibilidade a estímulos dolorosos

O estudo, conduzido por investigadores do Hospital Pediátrico de Boston e pela Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, Estados Unidos, e publicado na revista científica Nature conclui que, em vez de tomar analgésicos, os pacientes com dor crônica poderiam beneficiar de melhores hábitos de sono, com medicamentos para as insônias, e com agentes que aumentem o nível de alerta durante o dia.

Os pesquisadores usaram ratos para medir a relação entre as perdas de sono agudas ou crônicas e a sensibilidade a estímulos dolorosos.

Segundo Chloe Alexandre, doutorada em fisiologia do sono, os ratos foram privados de sono com brinquedos e atividades, imitando o que ocorre com as pessoas que, por exemplo, reduzem as suas horas de descanso vendo televisão à noite.

A sensibilidade à dor foi avaliada através da exposição dos animais a quantidades controladas de calor, frio, pressão e capsaicina (componente ativo das pimentas) e medindo o tempo que estes demoravam a reagir.

“Descobrimos que cinco dias de privação moderada do sono podem agravar significativamente a sensibilidade à dor em ratos saudáveis”, explicou Chloe Alexandre.

Surpreendentemente, os analgésicos comuns, como o ibuprofeno, não bloqueiam a hipersensibilidade à dor induzida pela privação de horas de descanso.

Os resultados mostram que os pacientes que usam este tipo de medicamentos para aliviar a dor podem ter que aumentar a dose dos mesmos para compensar a menor eficácia devido à falta de sono, o que aumentaria o risco de efeitos secundários.

No entanto, a cafeína e o modafinil, estimulantes que promovem as insônias, inibem a hipersensibilidade à dor causada em ratos privados do sono, mas não tiveram efeito analgésico nos ratos que não viram as suas horas de descanso reduzidas.

“Isto representa um novo tipo de analgésico que não se tinha considerado antes, um que dependa do estado biológico do animal”, disse o diretor do laboratório da investigação. Com informações da Lusa.

 

Este cobertor pode reduzir a ansiedade e melhorar seu sono

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Ele seria capaz de fazer o organismo aumentar o nível de hormônios que enfrentam a insônia e diminuir o dos que provocam estresse. Conheça seu segredo!

Um cobertor que reduz a ansiedade, diminui o estresse e de quebra melhora a qualidade do sono pode parecer algo vindo da ficção científica. Mas ele já existe e promete ajudar quem tem dificuldades de relaxar na hora de dormir.

Batizado de Gravity, o cobertor foi desenvolvido pelo designer americano John Fiorentino. De acordo com o próprio fundador, possui ação terapêutica e precisa pesar em média 10% do peso corporal do seu usuário, pois seu peso promove uma leve pressão em partes estratégicas do corpo. A ideia é que a pessoa se sinta abraçada pelo cobertor.

O peso do cobertor em contato com o corpo, ainda segundo Fiorentino, incita o organismo a aumentar os níveis de serotonina e melatonina e diminuir os níveis de cortisol, fazendo com que a pessoa consiga relaxar e consequentemente pegar no sono. A peça possui três tamanhos diferentes: para pessoas que pesam entre 45 e 69 quilos, 70 a 90 quilos e acima de 90 quilos.

Ainda um projeto, o Gravity está buscando apoiadores no KickStarter e é possível adquirir o seu com investimentos que partem de 169 dólares, sem incluir o frete de entrega. Ainda com alguns dias para que a campanha seja encerrada, o cobertor já tem cerca de 10 mil incentivadores e arrecadou mais de 1,8 milhão de dólares.

No site de divulgação, há citações a pesquisas científicas que foram usadas para produzir o Gravity. No entanto, elas ainda são escassas – e nenhuma foi feita especificamente com esse produto. Dito de outra forma, estamos longe de dizer que esse cobertor é capaz de atenuar a insônia, principalmente de pessoas com versões mais graves da condição.

Assista ao vídeo abaixo para entender melhor o Gravity:

 

Saiba por que falar sozinho faz bem à saúde

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Ao contrário do se imagina, conversar consigo mesmo em voz alta pode melhorar a performance na realização de tarefas e a organização dos pensamentos

Falar sozinho não é coisa do louco, ou pelo menos não deveria ser. Segundo Paloma Mari-Beffa, professora de neuropsicologia da Universidade de Bangor, no Reino Unido, em entrevista à rede americana CNN, conversar consigo mesmo pode ser normal e até mesmo saudável.

Apesar da fala ter como principal objetivo a comunicação interpessoal, a maioria das pessoas tem o costume de falar sozinha. Essa prática, inclusive, pode oferecer benefícios para a saúde mental, de acordo com informações da CNN.

Conversa interior

A conversa interior tem um papel fundamental na organização dos nossos pensamentos, nos ajuda a planejar ações, consolidar memórias e mediar nossas emoções. Em outras palavras, nos ajuda a controlar nossas vidas. Falar em voz alta pode servir como uma extensão dos pensamentos interiores, quando algum comando é ativado involuntariamente.

O psicólogo suíço Jean Piaget já havia observado como crianças pequenas controlavam suas ações assim que desenvolviam a linguagem. Quando se aproximam de superfícies quentes, por exemplo, as crianças geralmente dizem algo como “quente, quente” em voz alta e se afastam. Esse tipo de comportamento pode continuar na vida adulta. Pode parecer uma reação instantânea, mas quanto tempo realmente leva para realizar um pensamento?

Controle comportamental

Uma pesquisa, da Wake Forest School of Medicine, nos Estados Unidos, feita com macacos, mostrou que eles conseguem controlar suas ações ativando metas em um tipo de memória específico para determinada tarefa. Se a tarefa é visual, como identificar bananas, por exemplo, o macaco ativa uma área do córtex pré-frontal diferente da qual ativaria se fosse uma tarefa sonora ou olfativa.

Já quando humanos realizaram testes similares, em pesquisa publicada no periódico científico Neuroscience Letters, eles pareceram ativar as mesmas áreas do cérebro, independente do tipo de ação. No entanto, os pesquisadores descobriram que o cérebro pode operar de forma muito similar ao dos macacos quando fazemos as tarefas sem falarmos sozinho, seja em silêncio ou em voz alta.

Nesse estudo, os participantes tinham que repetir sons sem significado, como “blá-blá-blá”, por exemplo, enquanto performavam tarefas visuais e sonoras. Por não conseguirmos dizer duas coisas ao mesmo tempo, murmurar esses sons tornava os participantes incapazes de falarem sozinhos durante as tarefas. Sob essas circunstâncias, humanos se comportam como macacos, ativando diferentes áreas do cérebro para cada atividade.

Ainda, o estudo mostrou que falar sozinho não é a única maneira de controlar nossos comportamentos, mas é o mecanismo padrão. Nós preferimos dessa forma, entretanto, isso não significa que controlamos tudo o que pensamos e dizemos em voz alta. De acordo com Paloma, quando tentamos evitar pensamentos que passam pela nossa cabeça antes de dormir, por exemplo dizendo a nós mesmos para não pensar, ativamos ainda mais os pensamentos aleatórios.

Ansiedade e depressão

Embora esse mecanismo de ativação cerebral seja difícil de controlar, não é impossível e pode ser alcançado quando nos concentramos em algo com um propósito. Ler, por exemplo, é uma atividade mental que nos ajuda a suprimir os devaneios, sendo uma ótima forma de relaxar a mente. No entanto, um estudo descobriu que pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão não conseguem desativar os pensamentos aleatórios, mesmo realizando essas atividades não relacionadas.

Nossa saúde mental depende tanto da habilidade de ativar pensamentos relevantes em determinadas atividades como de suprimir os irrelevantes. Técnicas como meditação e atenção plena têm o objetivo de reduzir esse stress mental. Quando nossas mentes devaneiam de forma que não conseguimos controlar, entramos em um estado de incoerência que, em alguns casos, pode ser descrito como doença mental.

Conversa em voz alta versus silenciosa

A conversa interior nos ajuda a organizar nossos pensamentos e adaptá-los às nossas demandas, mas existe algo em especial sobre externá-los em voz alta? Por que não apenas guardá-los para nós mesmos, se não há ninguém ouvindo?

Em um recente estudo da Universidade de Bangor, pesquisadores mostraram que falar em voz alta, na verdade, melhora o desempenho nas atividades, até mesmo além do que é alcançado pela tática silenciosa. Os voluntários da pesquisa receberam uma série de instruções, que deveriam ler tanto em silêncio quanto em voz alta. Então, a equipe media a concentração e a performance dos participantes durante as tarefas e houve melhor desempenho em ambas quando as instruções foram lidas em voz alta.