NÃO HÁ LIMITE PARA TEMPO DE VIDA DOS SERES HUMANOS, DIZEM ESTUDOS

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Em cinco pesquisas publicadas na revista Nature, pesquisadores refutam a ideia de que o tempo máximo de vida das pessoas é de 115 anos

Cientistas chegaram à conclusão de que pode não existir um limite de tempo de vida para os seres humanos – ou, pelo menos, ninguém comprovou que exista essa fronteira. Convidados pela renomada revista Nature, pesquisadores de várias instituições espalhadas pelo globo publicaram cinco artigos na última edição da publicação contestando a ideia de uma “barreira” natural, proposta por cientistas americanos em 2016.

Em outubro do ano passado, o geneticista molecular Jan Vijg, em parceria com seus colegas da Faculdade de Medicina Albert Einstein, publicou uma pesquisa na Nature em que concluía que a idade máxima para um ser humano é de 115 anos. Na época, diversos cientistas criticaram o estudo, afirmando que os métodos e as conclusões tiradas por Vijg e seus colegadas não foram bem fundamentadas.

Agora, pela primeira vez, esses críticos tiveram a chance de explicar cientificamente as suas opiniões na própria Nature. Dois deles, os biólogos Bryan Hughes e Siegfried Hekimi, da Universidade McGill, no Canadá, analisaram os dados da pesquisa de 2016 e chegaram à conclusão de que o tempo de vida humano pode ser ilimitado.

Os pesquisadores analisaram os períodos de vida dos supercentenários (pessoas com mais de 100 anos) de Estados Unidos, Reino Unido, França e Japão desde 1968. Eles descobriram que tanto o tempo de vida máximo quanto o médio podem aumentar até um futuro previsível – no caso, até 2300, data usada na análise dos pesquisadores.

O artigo de Hekimi e Hughes ainda faz um histórico da expectativa de vida no Canadá para validar a sua pesquisa. Segundo os cientistas, em 1920, um cidadão do país esperava viver até os 60 anos, em 1980, essa expectativa aumentou para 76 anos e, agora, o canadense moderno espera viver até os 82 anos. Assim, para os biólogos, o tempo máximo de vida dos humanos segue a mesma tendência.

Em resposta aos cientistas do Canadá, os autores do estudo original disseram que as as projeções de vida até 2300 eram “imaginativas”, mas “não informativas”. “Acreditamos que nossa interpretação dos dados apontando para um limite para a vida humana de cerca de 115 anos continua a ser válida”, escreveram os pesquisadores em um adendo dentro do artigo de Hekimi e Hughes.

Em entrevista a EXAME.com, Siegfried Hekimi aponta que é impossível saber até quando o ser humano pode viver. Porém, ele acredita que o meio ambiente tem um grande impacto na expectativa de vida das pessoas. “Antes dos humanos, nenhuma espécie havia transformado o ambiente ao seu redor. Assim, a quantidade de tempo que nós vamos viver depende de como iremos controlar o meio ambiente.”

Críticas e mais críticas

Além da nova pesquisa, outros quatro artigos publicados na Nature criticam os métodos utilizados por Vijg e seu time. James Vaupel, demógrafo do Centro Max Planck Odense sobre Biodemografia do Envelhecimento, na Dinamarca, e autor de um dos estudos que criticam a pesquisa de 2016, disse ao site Live Science que o estudo usou uma versão desatualizada do banco de dados do Grupo de Pesquisa de Gerontologia e, por isso, suas conclusões não são corretas.

Outro problema é que a pesquisa de Vijg analisou a idade máxima de morte em um ano em vez da duração máxima alcançada. “Em muitos anos, a pessoa viva mais antiga do mundo era mais velha do que a pessoa mais velha que morreu naquele ano”, explicou.

Para chegar à conclusão de que o limite máximo de vida dos seres humanos é de 115 anos, Vijg e sua equipe analisaram os dados demográficos de quatro países – Reino Unido, EUA, Japão e França – com uma proporção elevada de pessoas com idade igual ou superior a 110 anos.

A partir disso, eles descobriram que a idade máxima relatada na hora da morte aumentou rapidamente entre 1970 e início da década de 1990, aumentando em cerca de 0,15 anos a cada ano. Mas, no meio do final dos anos 90, um platô foi atingido, com a idade máxima reportada anualmente em cerca de 115 anos. “Com base nos dados que temos agora, a chance de você ver uma pessoa de 125 anos em um determinado ano é de cerca de 1 em 10.000”, disse Vijg no estudo.

Para Maarten Pieter Rozing, professor do Centro de Envelhecimento Saudável da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e autor de uma das críticas, há uma explicação alternativa para os dados do estudo original. “A idade máxima está simplesmente aumentando ao longo do tempo e o que vemos como um declínio é um achado falso baseado em inspeção visual e estatísticas que não deveriam ser usadas dessa maneira”, disse ao site The Scientist.

Hekimi e Hughes concordam com a visão de Rozing. Em sua pesquisa, os cientistas usaram o método de inspeção visual do artigo original para dividir os dados em diferentes períodos de tempo. “Dessa forma, mostramos que também é possível criar modelos muito diferentes, incluindo modelos sem um limite de idade”, contou Hekimi em entrevista a EXAME.com.

Embora o trabalho de Vijg não tenha apresentado um argumento forte para um limite máximo para a vida humana, os autores das críticas explicaram que isso não significa que esse limite não exista. “Só estamos dizendo que o limite de vida pode ser de 115 anos, não que ele é”, adiciona Hekimi.

Em resposta às críticas, Vijg defendeu o estudo ao dizer que não concorda com nenhum dos argumentos apresentados. “Às vezes, porque eles foram baseados em um mal-entendido, às vezes porque eles estavam claramente errados e às vezes porque discordamos dos argumentos”, disse o pesquisador ao Live Science.

 

 

 

 

 

 

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5 DICAS PARA IDENTIFICAR SE UMA PINTA É SINAL DE CÂNCER DE PELE

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Na dúvida, o mais aconselhável é consultar um médico. Mas com as primeiras letras do alfabeto você consegue entender que tipo de pinta apresenta mais risco

Como a maioria dos tumores, o câncer de pele tem chances melhores de cura quando é diagnosticado cedo. E o autoexame de pintas e manchas podem ser grandes aliados para identificar os primeiros sinais dos diferentes tipos da doença – inclusive o câncer de pele mais grave, o melanoma.

Quem tem muitas pintas já deve ter o hábito de frequentar o dermatologista – que não só sabe dizer melhor que pintas devem ser removidas de acordo com seu aspecto como pode requisitar uma biópsia para chegar a um diagnóstico além de qualquer dúvida.

Mas você saiu do banho e resolveu dar uma geral nas manchinhas do corpo. Como saber se deve se preocupar e procurar um médico rapidamente? Não precisa consultar o Dr. Google (que provavelmente vai te deixar paranoico).

Segundo instruções da dermatologista Amy Derick para o site Business Insider, o passo a passo do autoexame passa pelas 5 primeiras letras do alfabeto:

A não é de Amor, como diria a Xuxa, mas de assimetria. Divida mentalmente a pinta na metade. Os dois lados dela são iguais? Se eles forem muito diferentes, já é o primeiro sinal de perigo.

B é de borda. De novo, a chave é a regularidade. Se a pinta não tiver uma borda arredondada, bem delimitada, e se espalhar sem formato definido, também pode ser indício de melanoma.

C: as pintas que tem mais de uma cor ou são muito escuras também podem representar riscos.

D é de diâmetro. Pintas maiores são associadas com melanoma, mas não deixe de prestar atenção nas pequenas também, porque o câncer pode ser pequeno, menor que o diâmetro de uma caneta, especialmente no começo.

E é de evolução. Volte nas categorias acima: se a pinta evoluiu, ou seja, mudou de formato, tamanho ou cor nos últimos tempos, é hora de ligar para o dermatologista, nem que seja por desencargo de consciência.

Se você só tem pintas clarinhas, pequenas e regulares, continue prestando atenção às novas que surgirem. E é bom lembrar que essas dicas não substituem check-ups frequentes com um especialista para o diagnóstico – nem o uso de filtro solar para a prevenção.

DORMIR MAIS DE 10 HORAS POR NOITE ELEVA RISCO DE INFARTO E AVC

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Segundo pesquisa recente, dormir muito pode ser mais perigoso à saúde do que ter noites de sono curtas. Prejuízos podem estar ligados à fragmentação do sono

 

Dormir mais horas do que o necessário traz mais riscos de problemas cardiovasculares do que dormir pouco. O alerta foi feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto do Sono na última edição do World Congress on Brain, Behavior and Emotions, congresso sobre o cérebro realizado em Porto Alegre entre os dias 14 e 17 deste mês.

Em um dos painéis do evento, os cientistas apresentaram evidências de uma série de estudos nacionais e internacionais que identificaram os riscos à saúde associados à prática de ter muitas ou poucas horas de sono por noite.

Em pesquisa da Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, e publicada no periódico Sleep Medicine neste ano, os autores concluíram que dormir de duas a quatro horas por noite aumenta em duas vezes o risco de sofrer infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Já entre os que dormem mais de dez horas, esse risco é sete vezes maior.

Pesquisadora da Unifesp e palestrante do congresso, Lenise Jihe Kim explica que o fenômeno pode estar associado às características do sono de quem dorme demais. “Basicamente, os grandes dormidores teriam maiores despertares durante a noite, ou seja, um sono mais fragmentado. E a cada despertar a gente eleva a pressão arterial e a frequência cardíaca. Isso, cronicamente, leva à hipertensão e à inflamação, alterações cardiometabólicas que favorecem um AVC ou um infarto”, diz ela.

A especialista explica que, até há poucos anos, os estudos dessa temática ficavam mais restritos aos riscos da privação do sono e não do excesso dele. “O assunto dos grandes dormidores é muito recente. Temos registros de alguns estudos um pouco mais antigos, mas pesquisas epidemiológicas com evidências populacionais são de 2016 para 2017”, diz.

Muitas horas de sono

Um dos primeiros estudos que já apontavam os riscos de passar muitas horas na cama — conduzido por pesquisadores de Baltimore, nos Estados Unidos, e publicado em 2009 no periódico Journal of Sleep Research — mostrou que o risco de morrer por uma doença cardiovascular era 38% maior entre os que dormem muito em comparação com quem dorme oito horas por noite. O índice é bem maior do que o encontrado entre os que dormem pouco. Nesse grupo, o risco de mortalidade era 6% maior.

Lenise explica que uma das hipóteses para o dado é que a pessoa que dorme demais, ao contrário daquele que sofre com insônia, não enxerga em si um problema de saúde. “Ela não reconhece bem os sintomas, acha que, por ter a oportunidade de dormir mais, não tem problemas e não procura serviços médicos. Mas a verdade é que os que dormem mais horas costumam sofrer mais com problemas como ronco e apneia do sono”, relata.

A especialista ressalta que não é só o número de horas que define um “grande dormidor”. “São aquelas pessoas que dormem mais do que a média da população, que é de sete a oito horas por noite, mas que fazem isso porque precisam dessa quantidade de horas. Não é simplesmente porque têm uma oportunidade de dormir mais em um fim de semana, por exemplo, é porque têm a necessidade de dormir muito para se sentirem bem no dia seguinte”, afirma.

Outros riscos

No outro extremo, o dos que passam poucas horas na cama, os pesquisadores apontaram como riscos problemas cardiovasculares, obesidade e outras doenças associadas ao excesso de peso.

“Dormir de duas a quatro horas por noite eleva o risco de ganhar peso em 200%. O motivo é que a restrição de sono provoca alterações metabólicas que alteram hormônios. Isso aumenta a nossa fome e diminui a sensação de saciedade. Ou seja, sem dormir direito, você vai comer mais do que comeria em um dia normal e vai preferir comidas calóricas, ricas em gordura e açúcares”, explica Monica L. Andersen, diretora do Instituto do Sono, professora da Unifesp e também palestrante do congresso.

Tumor

O sistema de defesa do organismo também fica mais frágil com a privação de sono, segundo Sergio Tufik, presidente do instituto e também professor da Unifesp. “Dormir pouco prejudica o sistema imunológico e deixa nosso corpo mais suscetível até mesmo ao crescimento de células tumorais. Essas células estão presentes em todas as pessoas, mas, com o sistema de defesa funcionando bem, a chance de as combatermos é maior”, explica.

(Com Estadão Conteúdo)

COMO A MUDANÇA BRUSCA DE TEMPERATURA PODE AFETAR O ORGANISMO

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Amplitude térmica como a ocorrida neste domingo pode desencadear crises respiratórias

A mudança brusca de temperatura sentida pelos gaúchos neste domingo pode desencadear crises respiratórias em pessoas que têm doenças ou alergias como asma, bronquite, enfisema pulmonar ou rinite. Por isso, quem já tem diagnosticado algum desses problemas deve ficar atento à previsão do tempo.

O pneumologista e chefe do serviço de pneumologia da Santa Casa, Adalberto Rubin, explica que organismo leva algum tempo até se adaptar com a mudança de temperatura. Além disso, o clima frio e a umidade elevada do ar irritam o aparelho respiratório, prejudicando principalmente idosos e crianças.

Para evitar as temidas crises de falta de ar, dor no peito e tosse, que podem levar a internação, é preciso redobrar o cuidado com o vestuário e manter as medicações já indicadas.

— É importante sair bem agasalhado, cuidando principalmente das extremidades (cabeça, mãos e pés). Evitar mudanças bruscas de temperatura como as por ar-condicionado ou com (a ingestão de)alimentos muito quentes ou frios.

Mesmo quem não tem problemas respiratórios precisa ficar atento à mudança de clima, já que a troca de temperatura é uma facilitadora para a proliferação de vírus gripais. Manter a vacinação em dia, principalmente das crianças, lavar as mãos, evitar o contato com pessoas doentes e lugares fechados são os principais meios de prevenção recomendados pelos especialistas.

O pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital São Lucas da PUCRS Alexandre Fiori lembra que não é a mudança de temperatura que deixa as pessoas doentes, mas, sim, o contato com o vírus, exceto para quem já é portador de alguma doença respiratória.

— Obviamente que você tem de aquecer o corpo, é uma forma de prevenção de uma queda de resistência do organismo, mas você só vai contrair uma infecção viral respiratória como resfriados e gripes se tiver contato com alguém doente. O que deixa as pessoas doentes não é o clima, mas, sim, a virose — destaca Fiori.

Atenção com os bebês

Os bebês são os mais vulneráveis a esse tipo de virose. Nesta época do ano, o maior motivo de internação de bebês é a bronquiolite — uma inflamação dos brônquios causada por vírus que pode provocar tosse e falta de ar.

Portanto, o pediatra sugere que os adultos não toquem nos bebês sem lavar as mãos e evitem o contato com eles quando estiverem doentes.

— Mesmo que não estejam doentes, se eles tocarem o bebê com as mãos sujas já é o suficiente para deixá-lo doente — alertou.

Evitar ambientes com aglomerado de pessoas e arejar a casa são outras dicas importantes.

— No frio, alguns pais fecham a casa e não deixam a criança sair na rua. Ninguém fica doente porque foi para a rua. O vírus se pega em local fechado e cheio de gente — completou.

O pneumologista Adalberto Rubin sugere aos pais que, se possível, não levem os filhos doentes para creche até que estejam recuperados, pois eles podem transmitir o vírus da gripe para outras crianças.

 

ENTENDA COMO O CONSUMO DE CHÁ E CAFÉ AJUDA A PROTEGER O FÍGADO

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De acordo com um novo estudo, o consumo frequente de chá de ervas e café pode ajuda a prevenir contra fibrose do fígado, condição que pode causar cirrose

 

Não são poucos os benefícios para a saúde associados ao consumo de chá e de café. Agora, um novo estudo acaba de dar mais um bom motivo para manter essas bebidas frequentemente no seu cardápio: proteger o fígado. De acordo com pesquisadores da Universidade de Erasmus, na Holanda, o consumo frequente de chá de ervas ou de café reduz o risco de rigidez no órgão, condição associada à cirrose.

A cirrose é uma doença crônica do fígado causada pela fibrose do tecido devido a danos prolongados e que prejudica suas funções essenciais, podendo ser fatal. Geralmente, seu aparecimento está associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, mas a doença também pode afetar pessoas obesas devido ao acúmulo de gordura e e está associada a outros fatores como um estilo de vida pouco saudável e hepatite.

Atualmente, tais condições, das quais existem mais de 200, classificam-se como a 12ª principal causa de morte em todo o mundo. Portanto, além de evitar o abuso do álcool e manter um estilo de vida saudável, a ingestão frequente das bebidas é mais uma forma de manter seu fígado saudável.

Estudo

No estudo, publicado recentemente no periódico científico Journal of Hepatology, os pesquisadores examinaram dados de 2.424 participantes com 45 anos ou mais. Como parte do estudo, cada participante passou uma série de exames, envolvendo medição de índice de massa corporal (IMC), peso e altura, além de exames de sangue, fígado e imagem do abdômen, a fim de rastrear possíveis cicatrizes no fígado, que dão origem à fibrose. Os hábitos alimentares e alcoólicos dos voluntários também foram analisados a partir de um questionário com 389 perguntas, incluindo detalhes sobre o consumo de chá e café.

A partir desses dados, os voluntários foram divididos em categorias, de acordo com o padrão de consumo das bebidas. No caso do chá, as opções eram zero consumo, moderado (até três xícaras por dia), frequente (mais de três xícaras por dia). No que diz respeito ao chá, foi analisado apenas o tipo de chá consumido:  verde, preto ou de ervas.

Prevenção

Os resultados mostraram que o consumo frequente de café (no mínimo três xícaras por dia) foi fortemente associado a baixos níveis de rigidez hepática. Os resultados se repetiram nas pessoas que consumiam qualquer tipo de chá de ervas e permaneceram mesmo após serem considerados fatores como estilo de vida e IMC dos participantes.

Além disso, em pacientes com gordura no fígado não relacionada ao consumo de álcool, o consumo frequente de café contribuiu para a redução da rigidez do órgão. Segundo os pesquisadores, isso indica que a ingestão das bebidas pode prevenir a doença antes mesmo dos primeiros sinais aparecerem.

Embora ainda não se saiba o mecanismo exato pelo qual as bebidas têm esse efeito protetor, acredita-se que os compostos anti-oxidantes presentes em ambos fluem na corrente sanguínea atingindo o fígado.

“Em uma dieta como a ocidental, rica em alimentos processados e artificiais, com pouco valor nutricional, potenciais benefícios em alimentos acessíveis e relativamente baratos, como o chá e o café, podem ser formas viáveis de reduzir os casos da doença”, disse Louise Alferink, principal autora do estudo, ao site especializado Medical News Today.

No entanto, os autores advertem que mais estudos são necessários para entender os mecanismos responsáveis por essa associação.

11 fatos que você não conhecia sobre o seu próprio corpo

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‘Vida após a morte’ de genes e órgão escondido no sistema digestório são alguns dos exemplos de fatos curiosos sobre o corpo humano

Estamos preocupados com o que acontece na política do Brasil, nos acontecimentos do mundo, na vida de nossos amigos e da nossa família. Mas e as últimas notícias com as descobertas sobre o nosso bem mais importante?Pensando nisso, a SicenceAlert preparou essa lista com as novidades encontradas pelos cientistas a respeito do corpo humano.

Vida após a morte
Segundo mostrou um estudo de 2016, milhares de genes continuam a se multiplicar em corpos humanos mesmo depois de quatro dias passados do falecimento da pessoa. Além disso, foi observado uma estranha atividade cerebral durante 14 horas após ser declarada a morte clínica de um paciente no Canadá. O caso continua sem explicação.

Super fígado
Além de conseguir transformar em energia a maioria dos alimentos que você joga pra dentro do estômago, o fígado também consegue diminuir e aumentar de acordo com o horário do dia. De acordo com uma pesquisa feita na Suíça, o fígado cresce em 50% durante as horas em que estamos acordados. Isso porque, durante o dia, sua atividade é bem maior do que à noite.

Desprotegidos
Em estudo recente feito nos Estados Unidos, cientistas descobriram que os testículos possuem uma pequena ligação com o sistema imunológico geral. Antes, acreditava-se que os órgãos não era protegidos pelos anticorpos e possuíam um esquema de defesa próprio. Acontece que o grupo de médicos percebeu que existe uma minúscula porta de entrada para os agentes, o que pode explicar questões referentes à esterilidade.

A origem do mal
Cientistas americanos conseguiram determinar as células responsáveis pela calvície e o tom grisalho dos cabelos. Segundo eles, os dois fatores são intrinsicamente ligados já que sua origem é definida pela existência de uma determinada proteína responsável por fazer os fios crescerem fortes e com cor. Infelizmente, mais pesquisas precisam ser feitas para chegar a uma cura definitiva, mas estamos chegando cada vez mais perto.

Eu estava aqui o tempo todo
Você possui um órgão escondido no seu sistema digestório e nenhum médico sabia da existência dele até o começo de 2017. Ele chama-se mesentério e sua função ainda é desconhecida pela ciência. Os médicos acreditam, no entanto, que obter mais sobre o órgão pode ajudar na cura de doenças abdominais e digestivas.

Um órgão de fôlego
Nosso pulmão está cada vez mais potente.  Além de coletar o oxigênio necessário para a nossa sobrevivência, cientistas norte-americanos descobriram que o órgão também é capaz de produzir mais de dez milhões de plaquetas por hora. Ou seja, eles são os responsáveis pela fabricação da maioria desses tipos de agentes no seu corpo do que qualquer outra estrutura.

Apêndice pra que te quero
O apêndice pode não ser tão inútil quanto se pensava. Segundo estudos recentes, o órgão pode ter tido sua importância diminuída ao longo dos anos, mas não perdeu sua utilidade. Os cientistas acreditam que ele possui um papel importante na manutenção do sistema imunológico do corpo e estimula a produção de bactérias benéficas no intestino.

Pane no sistema
Não dormir pode fazer com que você realmente vire um zumbi. Evidências mostram que a privação de sono crônica acaba causando uma espécie de auto destruição no seu cérebro. É como se ele começasse a realizar uma “limpeza” no hardware: o órgão vai passando a vassoura em sinapses e neurônios que começam a sobrecarregá-lo.

Funções secretas
O cerebelo sempre foi considerado a parte do cérebro responsável por controlar apenas as ações mecânicas de nosso corpo, como a respiração. Mas um grupo de neurocientistas americanos descobriu que ele pode estar associado ao sistema de recompensas da mente e ser muito mais importante do que pensamos.

Pequenos problemas
A população de bactérias que habita nossos intestinos parece ser a grande chave para muitos mistérios do corpo. Estudos já mostraram que elas estão ligadas ao surgimento do mal de Parkinson e à síndrome de cansaço crônico. Além disso, é essa cultura de microorganismos responsável por controlar nosso apetite e também ser responsável por dar início a lesões cerebrais que podem levar a ataques epiléticos.

À flor da pele
A eczema, uma doença da pele que atinge 20% das crianças e 3% dos adultos do mundo, até então era asssociada apenas à falta de uma proteína chamada de fillagrin. Mas uma pesquisa britânica mostrou que o caso é muito mais complexo do que parece. Um total de 17 proteínas parecem estar envolvidas no surgimento da doença. Agora, os médicos poderão trabalhar em um tratamento mais efetivo para o problema.

EXAME DE SANGUE DESCOBRE QUALQUER TIPO DE CÂNCER DEZ ANOS ANTES DE SE MANIFESTAR

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Dentro de dois anos, é possível que um simples exame de sangue possa identificar quaisquer tipos de tumores cancerígenos até dez anos antes que eles se manifestem no organismo. O exame é chamado entre seus desenvolvedores de “biópsia líquida” e é capaz de fazer uma extensa análise do DNA encontrado no sangue, de forma a prever qualquer sinal de eventuais tumores.

O procedimento está ainda sendo desenvolvido pelo Centro de Combate ao Câncer Memorial Sloan Kettering, nos Estados Unidos, de acordo com informações do jornal britânico Daily Mail. Até aqui as pesquisas já realizaram o teste para diagnosticar 161 pacientes de câncer nos pulmões, próstata ou mama.

Exame para detectar câncer precocemente

Os resultados apontam acerto em 90% dos exames. No caso de tumores difíceis de identificar, como o de pâncreas, o aproveitamento é mais baixo, de 55%, mas ainda assim bastante proveitoso, uma vez que este tipo de câncer geralmente é percebido somente em estágios avançados.

A “biópsia líquida” deve ser capaz de identificar qualquer tipo de tumor em qualquer órgão do corpo. No sistema, ocorre um processo complexo de análise de DNA que procura sinais que sejam relacionados ao aparecimento de tumores.

Se o desenvolvimento do projeto der certo, os pesquisadores preveem que seja aplicado como um exame de rotina, como os feitos para detectar colesterol alto ou elevada pressão arterial.

Os pesquisadores estimam que após a popularização deste exame, o número de mortes causadas pelo câncer possa cair até 50%. A empresa Grail, apoiada por multibilionários como Bill Gates, da Microsoft, e Jeff Bezos, da Amazon, tem como objetivo realizar os primeiros testes de mercado já em 2019.

VIX

 

Mesmo que você não beba, possivelmente conhece a história de alguém que tomou aquele pileque e saiu falando um monte de coisas que, depois do fim do efeito do álcool, acabou causando o bom e velho arrependimento.

De mensagens para pessoas do passado a danças no balcão da boate, tem gente que realmente faz o que não queria quando bebe em excesso. A questão é: será que não queria mesmo? Será que a bebida traz à tona um lado oculto da nossa personalidade ou será que a pessoa que somos quando bêbados é, na verdade, a mesma que somos quando sóbrios?

Uma pesquisa divulgada recentemente tem de tudo para acabar com as desculpas daquelas pessoas que, depois de um porre, dizem que não queriam ter feito nada. A verdade é que, ao contrário do que tendemos a imaginar, nossa personalidade não muda quando bebemos.

É fato que pessoas bêbadas se comportam de maneira diferente, geralmente ficando mais extrovertidas e expansivas, com menos medo e vergonha. Para descobrir se aquela história de “fez bêbado, pensou sóbrio” é verdade, os pesquisadores contaram com alguns voluntários, que foram divididos em dois grupos: os que receberam drinks feitos à base de Sprite com vodca e os que não ingeriram bebida alcoólica alguma.

Depois de consumirem a bebida, as pessoas tinham que realizar algumas atividades enquanto seus desempenhos eram avaliados por um grupo de pessoas que elas não conheciam.

As pessoas que beberam o drink com vodca ficaram mais extrovertidas do que a galera sóbria, e os observadores avaliaram seus comportamentos com base em cinco fatores de personalidade. O que se observou também foi que as pessoas bêbadas pareciam menos neuróticas, mas nas áreas relacionadas à conscienciosidade, abertura e conveniência, não houve diferença entre os grupos.

Outras considerações

É preciso levar em conta alguns fatores sobre a pesquisa: os participantes estavam em um ambiente não familiar; as doses foram medidas com a intenção de que eles não ficassem embriagados demais; e os voluntários que beberam álcool foram comparados a outras pessoas sóbrias, e não às suas próprias versões sóbrias.

As pessoas que avaliaram os fatores de personalidade não conheciam nenhum dos participantes, então vale frisar que as anotações nesse sentido não podem ser levadas totalmente em consideração, justamente porque a personalidade de cada pessoa é algo de extrema complexidade.

O que foi avaliado, na verdade, foram as mudanças óbvias de comportamento, que somos realmente capazes de notar até mesmo nas pessoas que não conhecemos.

Esclarescendo

Os pesquisadores deixaram claro que mudanças drásticas de comportamento, especialmente quando a pessoa fica agressiva, indicam que o indivíduo pode ser dependente de álcool ou pode estar com algum problema pessoal ou psicológico. Reagir mal não é, portanto, algo natural.

Os próprios participantes também fizeram um relatório de seus estados de consciência, com relação à abertura para se relacionar com outras pessoas e à afabilidade. De acordo com os pesquisadores, as maiores mudanças mesmo podem ser sentidas pelas pessoas quando bebem internamente e às vezes não podem ser vistas pelos que estão ao seu redor.

Ou seja: ainda que não haja diferença entre quem você é sóbrio e quem você é quando bebe, talvez a maior diferença seja vista apenas por você – a não ser que existam fotos da sua dança em cima da mesa do bar. Aí todo mundo poderá ver mesmo.

ESTUDO INVESTIGA MECANISMOS GENÉTICOS DA CÁRIE

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A digestão dos alimentos começa com a mastigação e a ação da saliva. Além de facilitar a digestão, a saliva tem em sua composição substâncias antimicrobianas que agem no combate a microrganismos que podem causar doenças na boca, entre elas a cárie.

Um destes agentes químicos é a betadefensina (DEFB1), um peptídeo antimicrobiano produzido a partir de informações transmitidas pelos microRNAs associados ao gene que dá origem ao peptídeo – o microRNA constitui uma classe de RNA não recombinante com papel fundamental na regulação da expressão gênica.

Um trabalho que acaba de ser publicado na revista Caries Research, publicação científica focada exclusivamente na pesquisa da cárie, investigou a associação do polimorfismo genético na betadefensina e microRNA 202 com a variação dos níveis do antimicrobiano e o aparecimento da cárie.

A pesquisa reuniu uma equipe de 12 profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro. A primeira autora é Andrea Lips (o estudo derivou do seu trabalho de doutorado), da Universidade Federal Fluminense, e a pesquisadora responsável pelo trabalho é a sua coorientadora de doutorado, Erika Calvano Küchler, Jovem Pesquisadora-FAPESP do Departamento de Clínica Infantil – Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

“É o primeiro artigo em Odontologia a estudar o polimorfismo genético em microRNA”, disse Küchler, que conduz a pesquisa “Avaliação do papel do estrógeno no desenvolvimento dentofacial”, apoiada pela FAPESP.

“A cárie é uma doença multifatorial complexa e que podemos prevenir. Nosso interesse neste trabalho foi tentar entender quais seriam os mecanismos moleculares, principalmente aqueles de origem genética, envolvidos no aparecimento da cárie em crianças”, disse.

O polimorfismo genético designa a existência de diferentes alelos (variações) de um mesmo gene. As formas mais comuns de polimorfismos genéticos são deleções, mutações e substituições das bases que compõem o código de cada gene. Quando há polimorfismo, a informação que o gene carrega é alterada, com consequências (ou não) para a sua ação no organismo.

Os pesquisadores queriam entender se existiria uma relação entre os níveis de betadefensina na saliva – e, portanto, maior ou menor suscetibilidade ao aparecimento da cárie – com a ausência ou a presença de polimorfismo tanto no gene responsável pela produção de betadefensina (DEFB1) quanto no microRNA 202, que atua na expressão daquele gene.

“Em alguns estudos, o polimorfismo no gene que codifica a betadefensina tem sido associado à cárie dentária em humanos. Nossa hipótese partia da ideia de que a falha na ação antimicrobiana das betadefensinas que previnem a formação da cárie poderia estar ligada a malformações (polimorfismos) no gene DEFB1 ou no microRNA 202”, disse Küchler.

“Nosso trabalho consistiu em duas partes. A primeira visou replicar os estudos entre o gene da betadefensina e a suscetibilidade à cárie na população brasileira, para verificar se obteríamos os mesmos resultados. A segunda parte deu um passo adiante, ao fazer uma análise para detectar a associação ou não entre polimorfismo no microRNA 202 e a suscetibilidade ao desenvolvimento da cárie”, disse.

Os níveis salivares dos peptídeos de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4 foram acessados a partir de amostras de saliva de 168 crianças (92 meninos e 76 meninas) entre 2 e 12 anos, da pré-escola e do ensino fundamental de Nova Friburgo, Rio de Janeiro.

Foram incluídas somente crianças livres de cárie (81 crianças) e crianças com grande quantidade de cárie, ou seja, quatro ou mais lesões (87 crianças). Para a coleta, as crianças precisavam estar sem comer nem escovar os dentes há pelo menos 30 minutos, de modo que a composição da saliva fosse a menos alterada possível.

As análises genotípicas de polimorfismo em DEFB1 e nos três genótipos do microRNA 202 (TT, CT e CC) foram feitas nas mesmas amostras, de modo a avaliar o impacto das variações polimórficas nos níveis salivares de betadefensina.

A pesquisa consistiu ainda na realização de um questionário comportamental entre as crianças para detectar, por exemplo, o número de escovações diárias (1, 2, 3 ou mais), quais crianças escovavam os dentes antes de dormir, quais usavam fio dental e quais ingeriam doces entre as refeições. Os resultados foram tabulados de acordo com a divisão entre crianças livres de cárie e crianças com muitas cáries.

Por fim, foi feita uma análise multifatorial que levou em conta os resultados genotípicos de DEFB1 e do microRNA 202, os níveis de betadefensina na saliva e os critérios de avaliação comportamental das 168 crianças.

“Na primeira parte do trabalho, não conseguimos verificar uma associação entre polimorfismo em DEFB1 e variações nos níveis salivares de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4. Mas, na segunda parte, descobrimos uma associação entre polimorfismo no microRNA 202 e os níveis de betadefensina. A análise genotípica do microRNA 202 demonstrou que o seu genótipo CC estava associado a níveis menores de betadefensina hBD1 na saliva. Houve associação entre o microRNA 202 e a suscetibilidade à cárie”, disse Küchler.

Os resultados sugerem que o genótipo CC do microRNA 202 interage com o RNA mensageiro do gene de DEFB1, já que a expressão da betadefensina hBD1 na saliva é menor nas crianças que carregam o genótipo CC do microRNA 202. E a expressão menor de hBD1 na saliva é um fator de suscetibilidade para o aparecimento de lesões de cárie.

Trata-se de um resultado importante, porém ainda preliminar. O trabalho é o primeiro a sugerir associação entre níveis salivares de betadefensina e polimorfismo no microRNA 202. Para saber se, de fato, o resultado procede, é necessário que a pesquisa seja replicada em outros estudos.

Grupos de pesquisadores de instituições de ensino superior do Paraná e do Amazonas iniciaram a coleta e análise de amostras de saliva em crianças de Curitiba e Manaus. Do resultado dessas investigações depende a validação dos resultados de Küchler, Lips e colegas.

“No futuro, quando identificarmos o conjunto de genes associados ao aparecimento da cárie, será possível detectar, bem cedo, quais crianças teriam maior predisposição ao desenvolvimento de cárie e iniciar tratamento de prevenção”, disse Küchler.

Genetic Polymorphisms in DEFB1 and miRNA202 Are Involved in Salivary Human β-Defensin 1 Levels and Caries Experience in Children (doi: https://doi.org/10.1159/000458537), de Andrea Lips, Leonardo Santos Antunes, Lívia Azeredo Antunes, Júlia Guimarães, Barcellos de Abreu, Driely Barreiros, Daniela Silva Barroso de Oliveira, Ana Carolina Batista, Paulo Nelson-Filho, Léa Assed Bezerra da Silva, Raquel Assed Bezerra da Silva, Gutemberg Gomes Alves e Erika Calvano Küchler, pode ser lido em: https://www.karger.com/Article/Pdf/458537.

MICRORROBÔS 3D PASSEIAM PELO CORPO EM NOME DA MEDICINA

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Firma opera com equipamentos de impressão 3D que produzem estruturas 250 mais delgadas do que um fio de cabelo. Meta é criar robôs microscópicos para auxiliar processos dentro do organismo humano.

É quase impossível imaginar: uma espiral minúscula pega um único espermatozoide e o introduz de modo certeiro num óvulo. O que até agora só funciona na placa de Petri, em laboratório, pode, um dia, talvez ajudar mulheres a engravidarem, prediz o físico Oliver Schmidt, do Instituto Leibniz de Pesquisa de Estado Sólido e Materiais, de Dresden.

“Em alguns homens os espermatozoides não são mais móveis, mas continuam saudáveis. Gostaríamos de poder movimentá-los artificialmente, para que cheguem a seu destino final.” Entretanto o caminho até lá ainda é longo, reconhece o pesquisador.

O maior obstáculo para o uso de tais microrrobôs no corpo são as técnicas de exame de imagem. “No laboratório, podemos fazer tudo com microscopia de alta resolução. Mas assim que entramos mais fundo nos tecidos, essa definição se perde”, explica. Mesmo o tomógrafo computadorizado mais avançado não basta para garantir o direcionamento seguro de um robô tão minúsculo até seu destino. Além disso, é necessário acompanhá-lo em tempo real.

Processo fotoquímico

O microrrobô em forma de espiral foi produzido por numa impressora 3D da empresa alemã Nanoscribe, capaz de imprimir pontos individuais com um diâmetro de 200 nanômetros. Comparando: um fio de cabelo humano tem diâmetro de 50 mil nanômetros.

A impressão é feita com luz laser especial sobre uma resina fotossensível. “Lá onde o laser é focado mais fortemente, o material endurece”, explica o físico Andreas Frölich. “Assim se pode desenhar em três dimensões, como se fosse com a ponta de uma caneta. Movendo esse ponto de laser através do material líquido, formam-se pontos duros nos lugares por onde se passa.” Diversos pontos juntos formam uma estrutura de plástico polímero.

O procedimento se assemelha a um processo fotoquímico convencional, em que uma partícula de luz (fóton) também provoca polimerização numa resina fotossensível. Mas no caso da nanoimpressão 3D isso não é suficiente: é necessário sempre que dois fótons encontrem ao mesmo tempo uma molécula, para provocar algum resultado. Por isso o processo também é denominado polimerização de dois fótons.

Em circunstâncias normais, dois fótons praticamente nunca atuam simultaneamente. Para gerá-los, é necessário um laser de femtosegundo, que produz pulsos muito breves, altamente energéticos mas não excessivamente quentes, ao ponto de queimar ou dissolver a resina.

Espermatozoides contra câncer?

As estruturas são tão pequenas que o trabalho não é feito num recipiente cheio de líquido, mas num chip, em que se podem produzir centenas milhares de tais microrrobôs. “Em seguida, os revestimos com materiais magnéticos”, explica Oliver Schmidt. “E depois, em outro processo, soltamos completamente os robôs, e eles vão parar num líquido.”

Mesmo antes que os microrrobôs sejam capazes de fertilizar um óvulo, uma outra aplicação talvez já seja viável. Schmidt e sua equipe querem aproveitar a capacidade das células reprodutivas masculinas de penetrarem paredes celulares. “Pode-se encher espermatozoides com medicamentos quimioterápicos e eles transportariam a substância, por exemplo, para células cancerosas”, sugere o físico.

O problema com as técnicas de exame de imagem deficientes talvez possa ser resolvido mais facilmente neste caso. Os pesquisadores não estariam controlando um único microrrobô, mas um grande exército deles, o que é mais fácil de se visualizar, mesmo com as opções existentes. Dessa forma, os médicos enviariam as drogas precisamente para onde são necessárias, e uma quimioterapia seria bem menos danosa para a saúde do paciente.

Muitas outras aplicações

Mas a nanoimpressão 3D permite ainda outras aplicações, algumas das quais foram testadas com sucesso. Médicos italianos conseguiram digitalizar a intrincada superfície de um osso, reproduzindo-a fielmente com a impressora 3D. Em seguida, enriqueceram essa estrutura artificial com células ósseas vivas, as quais “foram muito mais bem aceitas do que seria de se esperar de uma superfície lisa”, relata Andreas Frölich, da Nanoscribe.

Também os pesquisadores do Instituto Karlsruhe de Tecnologia fizeram imprimir estruturas para que as células “se sintam confortáveis” e se instalem nelas, fazendo-as crer que estão em seu ambiente natural. E as microimpressoras são igualmente utilizadas na produção de instrumentos para cirurgias minimamente invasivas.

“Temos clientes que imprimem sistemas de lentes para endoscópios avançados ou minigarras montadas em fios metálicos”, diz o Frölich. “Assim é possível observar o local da operação no corpo, e ao mesmo tempo, por exemplo, remover um entupimento da veia com uma garra disposta ao lado.” Essa tecnologia ainda não chegou aos hospitais, mas já está sendo testada.

 

GEL FEITO DE ALGA FECHA QUALQUER FERIDA COMO SE FOSSE UMA COLA

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Um tiro ou acidente na perna capaz de cortar sua artéria femoral causa um sangramento extremamente traumático que pode levar à morte em menos de três minutos. Sem um atendimento médico imediato, portanto, o ferimento pode ser fatal.

Diante do desafio de controlar este tipo de sangramento, um jovem cientista conseguiu desenvolver um gel feito de alga capaz de fechar qualquer ferida como se fosse uma cola. Duvida? Assista o vídeo abaixo.

Gel que “cola” ferimentos

Através de polímeros derivados das plantas, o cientista Joe Landolina criou o produto que, aplicado sobre o ferimento, produz um coágulo capaz de interromper o sangramento em cerca de 12 segundos.

De acordo com Landolina, o gel atua como uma espécie de bloco de Lego que se remonta sobre o tecido, fechando e curando o machucado.

A tecnologia já está sendo usada em clínicas veterinárias para tratamentos em animais e segue em estudo para que, em breve, tenha chances de ser introduzida em procedimentos médicos com seres humanos. Confira no vídeo abaixo detalhes da invenção:

 

Vídeo