COMO A MUDANÇA BRUSCA DE TEMPERATURA PODE AFETAR O ORGANISMO

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Amplitude térmica como a ocorrida neste domingo pode desencadear crises respiratórias

A mudança brusca de temperatura sentida pelos gaúchos neste domingo pode desencadear crises respiratórias em pessoas que têm doenças ou alergias como asma, bronquite, enfisema pulmonar ou rinite. Por isso, quem já tem diagnosticado algum desses problemas deve ficar atento à previsão do tempo.

O pneumologista e chefe do serviço de pneumologia da Santa Casa, Adalberto Rubin, explica que organismo leva algum tempo até se adaptar com a mudança de temperatura. Além disso, o clima frio e a umidade elevada do ar irritam o aparelho respiratório, prejudicando principalmente idosos e crianças.

Para evitar as temidas crises de falta de ar, dor no peito e tosse, que podem levar a internação, é preciso redobrar o cuidado com o vestuário e manter as medicações já indicadas.

— É importante sair bem agasalhado, cuidando principalmente das extremidades (cabeça, mãos e pés). Evitar mudanças bruscas de temperatura como as por ar-condicionado ou com (a ingestão de)alimentos muito quentes ou frios.

Mesmo quem não tem problemas respiratórios precisa ficar atento à mudança de clima, já que a troca de temperatura é uma facilitadora para a proliferação de vírus gripais. Manter a vacinação em dia, principalmente das crianças, lavar as mãos, evitar o contato com pessoas doentes e lugares fechados são os principais meios de prevenção recomendados pelos especialistas.

O pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital São Lucas da PUCRS Alexandre Fiori lembra que não é a mudança de temperatura que deixa as pessoas doentes, mas, sim, o contato com o vírus, exceto para quem já é portador de alguma doença respiratória.

— Obviamente que você tem de aquecer o corpo, é uma forma de prevenção de uma queda de resistência do organismo, mas você só vai contrair uma infecção viral respiratória como resfriados e gripes se tiver contato com alguém doente. O que deixa as pessoas doentes não é o clima, mas, sim, a virose — destaca Fiori.

Atenção com os bebês

Os bebês são os mais vulneráveis a esse tipo de virose. Nesta época do ano, o maior motivo de internação de bebês é a bronquiolite — uma inflamação dos brônquios causada por vírus que pode provocar tosse e falta de ar.

Portanto, o pediatra sugere que os adultos não toquem nos bebês sem lavar as mãos e evitem o contato com eles quando estiverem doentes.

— Mesmo que não estejam doentes, se eles tocarem o bebê com as mãos sujas já é o suficiente para deixá-lo doente — alertou.

Evitar ambientes com aglomerado de pessoas e arejar a casa são outras dicas importantes.

— No frio, alguns pais fecham a casa e não deixam a criança sair na rua. Ninguém fica doente porque foi para a rua. O vírus se pega em local fechado e cheio de gente — completou.

O pneumologista Adalberto Rubin sugere aos pais que, se possível, não levem os filhos doentes para creche até que estejam recuperados, pois eles podem transmitir o vírus da gripe para outras crianças.

 

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ENTENDA COMO O CONSUMO DE CHÁ E CAFÉ AJUDA A PROTEGER O FÍGADO

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De acordo com um novo estudo, o consumo frequente de chá de ervas e café pode ajuda a prevenir contra fibrose do fígado, condição que pode causar cirrose

 

Não são poucos os benefícios para a saúde associados ao consumo de chá e de café. Agora, um novo estudo acaba de dar mais um bom motivo para manter essas bebidas frequentemente no seu cardápio: proteger o fígado. De acordo com pesquisadores da Universidade de Erasmus, na Holanda, o consumo frequente de chá de ervas ou de café reduz o risco de rigidez no órgão, condição associada à cirrose.

A cirrose é uma doença crônica do fígado causada pela fibrose do tecido devido a danos prolongados e que prejudica suas funções essenciais, podendo ser fatal. Geralmente, seu aparecimento está associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, mas a doença também pode afetar pessoas obesas devido ao acúmulo de gordura e e está associada a outros fatores como um estilo de vida pouco saudável e hepatite.

Atualmente, tais condições, das quais existem mais de 200, classificam-se como a 12ª principal causa de morte em todo o mundo. Portanto, além de evitar o abuso do álcool e manter um estilo de vida saudável, a ingestão frequente das bebidas é mais uma forma de manter seu fígado saudável.

Estudo

No estudo, publicado recentemente no periódico científico Journal of Hepatology, os pesquisadores examinaram dados de 2.424 participantes com 45 anos ou mais. Como parte do estudo, cada participante passou uma série de exames, envolvendo medição de índice de massa corporal (IMC), peso e altura, além de exames de sangue, fígado e imagem do abdômen, a fim de rastrear possíveis cicatrizes no fígado, que dão origem à fibrose. Os hábitos alimentares e alcoólicos dos voluntários também foram analisados a partir de um questionário com 389 perguntas, incluindo detalhes sobre o consumo de chá e café.

A partir desses dados, os voluntários foram divididos em categorias, de acordo com o padrão de consumo das bebidas. No caso do chá, as opções eram zero consumo, moderado (até três xícaras por dia), frequente (mais de três xícaras por dia). No que diz respeito ao chá, foi analisado apenas o tipo de chá consumido:  verde, preto ou de ervas.

Prevenção

Os resultados mostraram que o consumo frequente de café (no mínimo três xícaras por dia) foi fortemente associado a baixos níveis de rigidez hepática. Os resultados se repetiram nas pessoas que consumiam qualquer tipo de chá de ervas e permaneceram mesmo após serem considerados fatores como estilo de vida e IMC dos participantes.

Além disso, em pacientes com gordura no fígado não relacionada ao consumo de álcool, o consumo frequente de café contribuiu para a redução da rigidez do órgão. Segundo os pesquisadores, isso indica que a ingestão das bebidas pode prevenir a doença antes mesmo dos primeiros sinais aparecerem.

Embora ainda não se saiba o mecanismo exato pelo qual as bebidas têm esse efeito protetor, acredita-se que os compostos anti-oxidantes presentes em ambos fluem na corrente sanguínea atingindo o fígado.

“Em uma dieta como a ocidental, rica em alimentos processados e artificiais, com pouco valor nutricional, potenciais benefícios em alimentos acessíveis e relativamente baratos, como o chá e o café, podem ser formas viáveis de reduzir os casos da doença”, disse Louise Alferink, principal autora do estudo, ao site especializado Medical News Today.

No entanto, os autores advertem que mais estudos são necessários para entender os mecanismos responsáveis por essa associação.

11 fatos que você não conhecia sobre o seu próprio corpo

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‘Vida após a morte’ de genes e órgão escondido no sistema digestório são alguns dos exemplos de fatos curiosos sobre o corpo humano

Estamos preocupados com o que acontece na política do Brasil, nos acontecimentos do mundo, na vida de nossos amigos e da nossa família. Mas e as últimas notícias com as descobertas sobre o nosso bem mais importante?Pensando nisso, a SicenceAlert preparou essa lista com as novidades encontradas pelos cientistas a respeito do corpo humano.

Vida após a morte
Segundo mostrou um estudo de 2016, milhares de genes continuam a se multiplicar em corpos humanos mesmo depois de quatro dias passados do falecimento da pessoa. Além disso, foi observado uma estranha atividade cerebral durante 14 horas após ser declarada a morte clínica de um paciente no Canadá. O caso continua sem explicação.

Super fígado
Além de conseguir transformar em energia a maioria dos alimentos que você joga pra dentro do estômago, o fígado também consegue diminuir e aumentar de acordo com o horário do dia. De acordo com uma pesquisa feita na Suíça, o fígado cresce em 50% durante as horas em que estamos acordados. Isso porque, durante o dia, sua atividade é bem maior do que à noite.

Desprotegidos
Em estudo recente feito nos Estados Unidos, cientistas descobriram que os testículos possuem uma pequena ligação com o sistema imunológico geral. Antes, acreditava-se que os órgãos não era protegidos pelos anticorpos e possuíam um esquema de defesa próprio. Acontece que o grupo de médicos percebeu que existe uma minúscula porta de entrada para os agentes, o que pode explicar questões referentes à esterilidade.

A origem do mal
Cientistas americanos conseguiram determinar as células responsáveis pela calvície e o tom grisalho dos cabelos. Segundo eles, os dois fatores são intrinsicamente ligados já que sua origem é definida pela existência de uma determinada proteína responsável por fazer os fios crescerem fortes e com cor. Infelizmente, mais pesquisas precisam ser feitas para chegar a uma cura definitiva, mas estamos chegando cada vez mais perto.

Eu estava aqui o tempo todo
Você possui um órgão escondido no seu sistema digestório e nenhum médico sabia da existência dele até o começo de 2017. Ele chama-se mesentério e sua função ainda é desconhecida pela ciência. Os médicos acreditam, no entanto, que obter mais sobre o órgão pode ajudar na cura de doenças abdominais e digestivas.

Um órgão de fôlego
Nosso pulmão está cada vez mais potente.  Além de coletar o oxigênio necessário para a nossa sobrevivência, cientistas norte-americanos descobriram que o órgão também é capaz de produzir mais de dez milhões de plaquetas por hora. Ou seja, eles são os responsáveis pela fabricação da maioria desses tipos de agentes no seu corpo do que qualquer outra estrutura.

Apêndice pra que te quero
O apêndice pode não ser tão inútil quanto se pensava. Segundo estudos recentes, o órgão pode ter tido sua importância diminuída ao longo dos anos, mas não perdeu sua utilidade. Os cientistas acreditam que ele possui um papel importante na manutenção do sistema imunológico do corpo e estimula a produção de bactérias benéficas no intestino.

Pane no sistema
Não dormir pode fazer com que você realmente vire um zumbi. Evidências mostram que a privação de sono crônica acaba causando uma espécie de auto destruição no seu cérebro. É como se ele começasse a realizar uma “limpeza” no hardware: o órgão vai passando a vassoura em sinapses e neurônios que começam a sobrecarregá-lo.

Funções secretas
O cerebelo sempre foi considerado a parte do cérebro responsável por controlar apenas as ações mecânicas de nosso corpo, como a respiração. Mas um grupo de neurocientistas americanos descobriu que ele pode estar associado ao sistema de recompensas da mente e ser muito mais importante do que pensamos.

Pequenos problemas
A população de bactérias que habita nossos intestinos parece ser a grande chave para muitos mistérios do corpo. Estudos já mostraram que elas estão ligadas ao surgimento do mal de Parkinson e à síndrome de cansaço crônico. Além disso, é essa cultura de microorganismos responsável por controlar nosso apetite e também ser responsável por dar início a lesões cerebrais que podem levar a ataques epiléticos.

À flor da pele
A eczema, uma doença da pele que atinge 20% das crianças e 3% dos adultos do mundo, até então era asssociada apenas à falta de uma proteína chamada de fillagrin. Mas uma pesquisa britânica mostrou que o caso é muito mais complexo do que parece. Um total de 17 proteínas parecem estar envolvidas no surgimento da doença. Agora, os médicos poderão trabalhar em um tratamento mais efetivo para o problema.

EXAME DE SANGUE DESCOBRE QUALQUER TIPO DE CÂNCER DEZ ANOS ANTES DE SE MANIFESTAR

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Dentro de dois anos, é possível que um simples exame de sangue possa identificar quaisquer tipos de tumores cancerígenos até dez anos antes que eles se manifestem no organismo. O exame é chamado entre seus desenvolvedores de “biópsia líquida” e é capaz de fazer uma extensa análise do DNA encontrado no sangue, de forma a prever qualquer sinal de eventuais tumores.

O procedimento está ainda sendo desenvolvido pelo Centro de Combate ao Câncer Memorial Sloan Kettering, nos Estados Unidos, de acordo com informações do jornal britânico Daily Mail. Até aqui as pesquisas já realizaram o teste para diagnosticar 161 pacientes de câncer nos pulmões, próstata ou mama.

Exame para detectar câncer precocemente

Os resultados apontam acerto em 90% dos exames. No caso de tumores difíceis de identificar, como o de pâncreas, o aproveitamento é mais baixo, de 55%, mas ainda assim bastante proveitoso, uma vez que este tipo de câncer geralmente é percebido somente em estágios avançados.

A “biópsia líquida” deve ser capaz de identificar qualquer tipo de tumor em qualquer órgão do corpo. No sistema, ocorre um processo complexo de análise de DNA que procura sinais que sejam relacionados ao aparecimento de tumores.

Se o desenvolvimento do projeto der certo, os pesquisadores preveem que seja aplicado como um exame de rotina, como os feitos para detectar colesterol alto ou elevada pressão arterial.

Os pesquisadores estimam que após a popularização deste exame, o número de mortes causadas pelo câncer possa cair até 50%. A empresa Grail, apoiada por multibilionários como Bill Gates, da Microsoft, e Jeff Bezos, da Amazon, tem como objetivo realizar os primeiros testes de mercado já em 2019.

VIX

 

Mesmo que você não beba, possivelmente conhece a história de alguém que tomou aquele pileque e saiu falando um monte de coisas que, depois do fim do efeito do álcool, acabou causando o bom e velho arrependimento.

De mensagens para pessoas do passado a danças no balcão da boate, tem gente que realmente faz o que não queria quando bebe em excesso. A questão é: será que não queria mesmo? Será que a bebida traz à tona um lado oculto da nossa personalidade ou será que a pessoa que somos quando bêbados é, na verdade, a mesma que somos quando sóbrios?

Uma pesquisa divulgada recentemente tem de tudo para acabar com as desculpas daquelas pessoas que, depois de um porre, dizem que não queriam ter feito nada. A verdade é que, ao contrário do que tendemos a imaginar, nossa personalidade não muda quando bebemos.

É fato que pessoas bêbadas se comportam de maneira diferente, geralmente ficando mais extrovertidas e expansivas, com menos medo e vergonha. Para descobrir se aquela história de “fez bêbado, pensou sóbrio” é verdade, os pesquisadores contaram com alguns voluntários, que foram divididos em dois grupos: os que receberam drinks feitos à base de Sprite com vodca e os que não ingeriram bebida alcoólica alguma.

Depois de consumirem a bebida, as pessoas tinham que realizar algumas atividades enquanto seus desempenhos eram avaliados por um grupo de pessoas que elas não conheciam.

As pessoas que beberam o drink com vodca ficaram mais extrovertidas do que a galera sóbria, e os observadores avaliaram seus comportamentos com base em cinco fatores de personalidade. O que se observou também foi que as pessoas bêbadas pareciam menos neuróticas, mas nas áreas relacionadas à conscienciosidade, abertura e conveniência, não houve diferença entre os grupos.

Outras considerações

É preciso levar em conta alguns fatores sobre a pesquisa: os participantes estavam em um ambiente não familiar; as doses foram medidas com a intenção de que eles não ficassem embriagados demais; e os voluntários que beberam álcool foram comparados a outras pessoas sóbrias, e não às suas próprias versões sóbrias.

As pessoas que avaliaram os fatores de personalidade não conheciam nenhum dos participantes, então vale frisar que as anotações nesse sentido não podem ser levadas totalmente em consideração, justamente porque a personalidade de cada pessoa é algo de extrema complexidade.

O que foi avaliado, na verdade, foram as mudanças óbvias de comportamento, que somos realmente capazes de notar até mesmo nas pessoas que não conhecemos.

Esclarescendo

Os pesquisadores deixaram claro que mudanças drásticas de comportamento, especialmente quando a pessoa fica agressiva, indicam que o indivíduo pode ser dependente de álcool ou pode estar com algum problema pessoal ou psicológico. Reagir mal não é, portanto, algo natural.

Os próprios participantes também fizeram um relatório de seus estados de consciência, com relação à abertura para se relacionar com outras pessoas e à afabilidade. De acordo com os pesquisadores, as maiores mudanças mesmo podem ser sentidas pelas pessoas quando bebem internamente e às vezes não podem ser vistas pelos que estão ao seu redor.

Ou seja: ainda que não haja diferença entre quem você é sóbrio e quem você é quando bebe, talvez a maior diferença seja vista apenas por você – a não ser que existam fotos da sua dança em cima da mesa do bar. Aí todo mundo poderá ver mesmo.

ESTUDO INVESTIGA MECANISMOS GENÉTICOS DA CÁRIE

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A digestão dos alimentos começa com a mastigação e a ação da saliva. Além de facilitar a digestão, a saliva tem em sua composição substâncias antimicrobianas que agem no combate a microrganismos que podem causar doenças na boca, entre elas a cárie.

Um destes agentes químicos é a betadefensina (DEFB1), um peptídeo antimicrobiano produzido a partir de informações transmitidas pelos microRNAs associados ao gene que dá origem ao peptídeo – o microRNA constitui uma classe de RNA não recombinante com papel fundamental na regulação da expressão gênica.

Um trabalho que acaba de ser publicado na revista Caries Research, publicação científica focada exclusivamente na pesquisa da cárie, investigou a associação do polimorfismo genético na betadefensina e microRNA 202 com a variação dos níveis do antimicrobiano e o aparecimento da cárie.

A pesquisa reuniu uma equipe de 12 profissionais de São Paulo e do Rio de Janeiro. A primeira autora é Andrea Lips (o estudo derivou do seu trabalho de doutorado), da Universidade Federal Fluminense, e a pesquisadora responsável pelo trabalho é a sua coorientadora de doutorado, Erika Calvano Küchler, Jovem Pesquisadora-FAPESP do Departamento de Clínica Infantil – Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

“É o primeiro artigo em Odontologia a estudar o polimorfismo genético em microRNA”, disse Küchler, que conduz a pesquisa “Avaliação do papel do estrógeno no desenvolvimento dentofacial”, apoiada pela FAPESP.

“A cárie é uma doença multifatorial complexa e que podemos prevenir. Nosso interesse neste trabalho foi tentar entender quais seriam os mecanismos moleculares, principalmente aqueles de origem genética, envolvidos no aparecimento da cárie em crianças”, disse.

O polimorfismo genético designa a existência de diferentes alelos (variações) de um mesmo gene. As formas mais comuns de polimorfismos genéticos são deleções, mutações e substituições das bases que compõem o código de cada gene. Quando há polimorfismo, a informação que o gene carrega é alterada, com consequências (ou não) para a sua ação no organismo.

Os pesquisadores queriam entender se existiria uma relação entre os níveis de betadefensina na saliva – e, portanto, maior ou menor suscetibilidade ao aparecimento da cárie – com a ausência ou a presença de polimorfismo tanto no gene responsável pela produção de betadefensina (DEFB1) quanto no microRNA 202, que atua na expressão daquele gene.

“Em alguns estudos, o polimorfismo no gene que codifica a betadefensina tem sido associado à cárie dentária em humanos. Nossa hipótese partia da ideia de que a falha na ação antimicrobiana das betadefensinas que previnem a formação da cárie poderia estar ligada a malformações (polimorfismos) no gene DEFB1 ou no microRNA 202”, disse Küchler.

“Nosso trabalho consistiu em duas partes. A primeira visou replicar os estudos entre o gene da betadefensina e a suscetibilidade à cárie na população brasileira, para verificar se obteríamos os mesmos resultados. A segunda parte deu um passo adiante, ao fazer uma análise para detectar a associação ou não entre polimorfismo no microRNA 202 e a suscetibilidade ao desenvolvimento da cárie”, disse.

Os níveis salivares dos peptídeos de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4 foram acessados a partir de amostras de saliva de 168 crianças (92 meninos e 76 meninas) entre 2 e 12 anos, da pré-escola e do ensino fundamental de Nova Friburgo, Rio de Janeiro.

Foram incluídas somente crianças livres de cárie (81 crianças) e crianças com grande quantidade de cárie, ou seja, quatro ou mais lesões (87 crianças). Para a coleta, as crianças precisavam estar sem comer nem escovar os dentes há pelo menos 30 minutos, de modo que a composição da saliva fosse a menos alterada possível.

As análises genotípicas de polimorfismo em DEFB1 e nos três genótipos do microRNA 202 (TT, CT e CC) foram feitas nas mesmas amostras, de modo a avaliar o impacto das variações polimórficas nos níveis salivares de betadefensina.

A pesquisa consistiu ainda na realização de um questionário comportamental entre as crianças para detectar, por exemplo, o número de escovações diárias (1, 2, 3 ou mais), quais crianças escovavam os dentes antes de dormir, quais usavam fio dental e quais ingeriam doces entre as refeições. Os resultados foram tabulados de acordo com a divisão entre crianças livres de cárie e crianças com muitas cáries.

Por fim, foi feita uma análise multifatorial que levou em conta os resultados genotípicos de DEFB1 e do microRNA 202, os níveis de betadefensina na saliva e os critérios de avaliação comportamental das 168 crianças.

“Na primeira parte do trabalho, não conseguimos verificar uma associação entre polimorfismo em DEFB1 e variações nos níveis salivares de betadefensina hBD1, hBD2 e hBD4. Mas, na segunda parte, descobrimos uma associação entre polimorfismo no microRNA 202 e os níveis de betadefensina. A análise genotípica do microRNA 202 demonstrou que o seu genótipo CC estava associado a níveis menores de betadefensina hBD1 na saliva. Houve associação entre o microRNA 202 e a suscetibilidade à cárie”, disse Küchler.

Os resultados sugerem que o genótipo CC do microRNA 202 interage com o RNA mensageiro do gene de DEFB1, já que a expressão da betadefensina hBD1 na saliva é menor nas crianças que carregam o genótipo CC do microRNA 202. E a expressão menor de hBD1 na saliva é um fator de suscetibilidade para o aparecimento de lesões de cárie.

Trata-se de um resultado importante, porém ainda preliminar. O trabalho é o primeiro a sugerir associação entre níveis salivares de betadefensina e polimorfismo no microRNA 202. Para saber se, de fato, o resultado procede, é necessário que a pesquisa seja replicada em outros estudos.

Grupos de pesquisadores de instituições de ensino superior do Paraná e do Amazonas iniciaram a coleta e análise de amostras de saliva em crianças de Curitiba e Manaus. Do resultado dessas investigações depende a validação dos resultados de Küchler, Lips e colegas.

“No futuro, quando identificarmos o conjunto de genes associados ao aparecimento da cárie, será possível detectar, bem cedo, quais crianças teriam maior predisposição ao desenvolvimento de cárie e iniciar tratamento de prevenção”, disse Küchler.

Genetic Polymorphisms in DEFB1 and miRNA202 Are Involved in Salivary Human β-Defensin 1 Levels and Caries Experience in Children (doi: https://doi.org/10.1159/000458537), de Andrea Lips, Leonardo Santos Antunes, Lívia Azeredo Antunes, Júlia Guimarães, Barcellos de Abreu, Driely Barreiros, Daniela Silva Barroso de Oliveira, Ana Carolina Batista, Paulo Nelson-Filho, Léa Assed Bezerra da Silva, Raquel Assed Bezerra da Silva, Gutemberg Gomes Alves e Erika Calvano Küchler, pode ser lido em: https://www.karger.com/Article/Pdf/458537.

MICRORROBÔS 3D PASSEIAM PELO CORPO EM NOME DA MEDICINA

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Firma opera com equipamentos de impressão 3D que produzem estruturas 250 mais delgadas do que um fio de cabelo. Meta é criar robôs microscópicos para auxiliar processos dentro do organismo humano.

É quase impossível imaginar: uma espiral minúscula pega um único espermatozoide e o introduz de modo certeiro num óvulo. O que até agora só funciona na placa de Petri, em laboratório, pode, um dia, talvez ajudar mulheres a engravidarem, prediz o físico Oliver Schmidt, do Instituto Leibniz de Pesquisa de Estado Sólido e Materiais, de Dresden.

“Em alguns homens os espermatozoides não são mais móveis, mas continuam saudáveis. Gostaríamos de poder movimentá-los artificialmente, para que cheguem a seu destino final.” Entretanto o caminho até lá ainda é longo, reconhece o pesquisador.

O maior obstáculo para o uso de tais microrrobôs no corpo são as técnicas de exame de imagem. “No laboratório, podemos fazer tudo com microscopia de alta resolução. Mas assim que entramos mais fundo nos tecidos, essa definição se perde”, explica. Mesmo o tomógrafo computadorizado mais avançado não basta para garantir o direcionamento seguro de um robô tão minúsculo até seu destino. Além disso, é necessário acompanhá-lo em tempo real.

Processo fotoquímico

O microrrobô em forma de espiral foi produzido por numa impressora 3D da empresa alemã Nanoscribe, capaz de imprimir pontos individuais com um diâmetro de 200 nanômetros. Comparando: um fio de cabelo humano tem diâmetro de 50 mil nanômetros.

A impressão é feita com luz laser especial sobre uma resina fotossensível. “Lá onde o laser é focado mais fortemente, o material endurece”, explica o físico Andreas Frölich. “Assim se pode desenhar em três dimensões, como se fosse com a ponta de uma caneta. Movendo esse ponto de laser através do material líquido, formam-se pontos duros nos lugares por onde se passa.” Diversos pontos juntos formam uma estrutura de plástico polímero.

O procedimento se assemelha a um processo fotoquímico convencional, em que uma partícula de luz (fóton) também provoca polimerização numa resina fotossensível. Mas no caso da nanoimpressão 3D isso não é suficiente: é necessário sempre que dois fótons encontrem ao mesmo tempo uma molécula, para provocar algum resultado. Por isso o processo também é denominado polimerização de dois fótons.

Em circunstâncias normais, dois fótons praticamente nunca atuam simultaneamente. Para gerá-los, é necessário um laser de femtosegundo, que produz pulsos muito breves, altamente energéticos mas não excessivamente quentes, ao ponto de queimar ou dissolver a resina.

Espermatozoides contra câncer?

As estruturas são tão pequenas que o trabalho não é feito num recipiente cheio de líquido, mas num chip, em que se podem produzir centenas milhares de tais microrrobôs. “Em seguida, os revestimos com materiais magnéticos”, explica Oliver Schmidt. “E depois, em outro processo, soltamos completamente os robôs, e eles vão parar num líquido.”

Mesmo antes que os microrrobôs sejam capazes de fertilizar um óvulo, uma outra aplicação talvez já seja viável. Schmidt e sua equipe querem aproveitar a capacidade das células reprodutivas masculinas de penetrarem paredes celulares. “Pode-se encher espermatozoides com medicamentos quimioterápicos e eles transportariam a substância, por exemplo, para células cancerosas”, sugere o físico.

O problema com as técnicas de exame de imagem deficientes talvez possa ser resolvido mais facilmente neste caso. Os pesquisadores não estariam controlando um único microrrobô, mas um grande exército deles, o que é mais fácil de se visualizar, mesmo com as opções existentes. Dessa forma, os médicos enviariam as drogas precisamente para onde são necessárias, e uma quimioterapia seria bem menos danosa para a saúde do paciente.

Muitas outras aplicações

Mas a nanoimpressão 3D permite ainda outras aplicações, algumas das quais foram testadas com sucesso. Médicos italianos conseguiram digitalizar a intrincada superfície de um osso, reproduzindo-a fielmente com a impressora 3D. Em seguida, enriqueceram essa estrutura artificial com células ósseas vivas, as quais “foram muito mais bem aceitas do que seria de se esperar de uma superfície lisa”, relata Andreas Frölich, da Nanoscribe.

Também os pesquisadores do Instituto Karlsruhe de Tecnologia fizeram imprimir estruturas para que as células “se sintam confortáveis” e se instalem nelas, fazendo-as crer que estão em seu ambiente natural. E as microimpressoras são igualmente utilizadas na produção de instrumentos para cirurgias minimamente invasivas.

“Temos clientes que imprimem sistemas de lentes para endoscópios avançados ou minigarras montadas em fios metálicos”, diz o Frölich. “Assim é possível observar o local da operação no corpo, e ao mesmo tempo, por exemplo, remover um entupimento da veia com uma garra disposta ao lado.” Essa tecnologia ainda não chegou aos hospitais, mas já está sendo testada.

 

GEL FEITO DE ALGA FECHA QUALQUER FERIDA COMO SE FOSSE UMA COLA

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Um tiro ou acidente na perna capaz de cortar sua artéria femoral causa um sangramento extremamente traumático que pode levar à morte em menos de três minutos. Sem um atendimento médico imediato, portanto, o ferimento pode ser fatal.

Diante do desafio de controlar este tipo de sangramento, um jovem cientista conseguiu desenvolver um gel feito de alga capaz de fechar qualquer ferida como se fosse uma cola. Duvida? Assista o vídeo abaixo.

Gel que “cola” ferimentos

Através de polímeros derivados das plantas, o cientista Joe Landolina criou o produto que, aplicado sobre o ferimento, produz um coágulo capaz de interromper o sangramento em cerca de 12 segundos.

De acordo com Landolina, o gel atua como uma espécie de bloco de Lego que se remonta sobre o tecido, fechando e curando o machucado.

A tecnologia já está sendo usada em clínicas veterinárias para tratamentos em animais e segue em estudo para que, em breve, tenha chances de ser introduzida em procedimentos médicos com seres humanos. Confira no vídeo abaixo detalhes da invenção:

 

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Como exames de sangue podem ‘prever’ cânceres

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A partir de um teste de sangue comum dá para diagnosticar bastante coisa. Um alto nível de triglicérides indica a necessidade de adotar uma dieta menos gordurosa, e taxas elevadas de ácido úrico são sinal de que é hora de aumentar o consumo de água, por exemplo. No entanto, o trabalho de cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, pode fazer com que uma informação ainda mais importante possa ser concluída a partir de hemogramas: a presença de câncer.

O método, que é apontado como o mais promissor dos últimos 30 anos, se guia pelo número de plaquetas (trombócitos) no sangue. Essas estruturas são responsáveis por processos como a coagulação sanguínea, mas em quantidades elevadas – situação que apareceria em um laudo médico com nome de trombocitose – podem indicar a presença de tumores, principalmente os ligados a cânceres no intestino e nos pulmões.

O estudo, publicado no periódico British Journal of General Practice, considerou dados de 31.261 pessoas com trombocitose e de 7,969 pacientes cujos níveis de plaquetas estavam normais. No caso do primeiro grupo, a chance de ser diagnosticado com câncer dentro do período de um ano foi de 11,6% para homens e 6,2% no caso das mulheres. A efeito de comparação, para homens e mulheres com quantidade normal de trombócitos, o risco ficou na casa dos 4,1% e 2,2%, respectivamente.

Em um segundo teste, que analisou diagnósticos feitos até seis meses depois do exame de sangue, as chances se mostraram ainda maiores – 18,1% para homens e 10,1% para mulheres.

De acordo com Willie Hamilton, um dos autores da pesquisa, o aumento anormal dos níveis plaquetas foi mais preciso para indicar câncer em homens do um dos métodos mais eficazes e utilizados para detectar a doença: o autoexame para identificar nódulos nas mamas de mulheres.

A técnica de olhar para o sangue para prever o surgimento de tumores já havia sido proposta por estudos anteriores. Você, leitor da SUPER, talvez se lembre de um estudo publicado em fevereiro deste ano que propôs a possibilidade de exames de sangue indicarem a ocorrência de câncer de mama. No caso, os elementos que serviram para o diagnóstico foram as fosfoproteínas presentes no plasma sanguíneo – 144 delas se mostraram especialmente elevadas em quem tinha a doença.

A pesquisa inglesa, no entanto, traz dados que permitem eleger as taxas de plaquetas como forma ainda mais consistente para detectar cânceres. Principalmente se levarmos em conta o caráter silencioso da doença, que faz com que sintomas surjam apenas em estágios mais avançados. De acordo com os pesquisadores, um terço das pessoas identificadas com câncer no pulmão e no intestino não tinham outros sintomas – apenas altos níveis de trombócitos.

“Sabemos que um diagnóstico rápido pode ser vital para o tratamento do câncer. Nossa pesquisa sugere que um número substancial de pessoas podia ter seu câncer identificado até três meses mais cedo se a trombocitose tivesse sido considerada no diagnóstico”, explica Sara Bailey, que liderou o estudo.

 

GRIPE AUMENTA RISCO DE INFARTO POR ATÉ 1 MÊS APÓS

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Um estudo australiano recentemente publicado pelo periódico científico “Internal Medicine Journal” confirma uma relação já há algum tempo suspeita: infecções respiratórias, como gripe e pneumonia, aumentam o risco de infarto. Mas qual é a relação? Explicamos a seguir.

Relação entre infecção respiratória e infarto

Os pesquisadores da Universidade de Sidney analisaram 578 pacientes que, confirmadamente, sofreram infarto do miocárdio e descobriram que 21% dos pacientes que tiveram o ataque cardíaco apresentaram sintomas de doenças respiratórias nos primeiros 30 dias antes do mal súbito

Essa ligação tem motivo: segundo os estudiosos, a formação de coágulos no sangue tende a aumentar após as infecções respiratórias e inflamações e toxinas danosas aos vasos sanguíneos também ficam com graus elevados.

De acordo com os autores da pesquisa, anteriormente, outros estudos realizavam essa correlação sem a confirmação angiográfica do infarto. A angiografia é um exame que analisa o estado dos vasos sanguíneos através de uma inserção de uma pequena câmera nas artérias. É justamente por isso que essa nova descoberta – feita através desse exame – é tão importante.

“Estas conclusões confirmam que a infecção respiratória pode desencadear infartos. Estudos adicionais são indicados para identificar estratégias de tratamento para diminuir esse risco, particularmente em indivíduos que podem ter maior susceptibilidade”, conclui a pesquisa.

Período de risco para infarto

Outra questão descoberta é que o risco de infarto após gripe ou pneumonia não aumenta imediatamente após a infeção. Isso pode durar até os primeiros sete dias depois do surgimento de sintomas de doenças respiratórias. “Apesar de uma redução paulatina, o risco se mantém elevado durante um mês”.

POR QUE SARDINHA É UM DOS MELHORES ALIMENTOS QUE VOCÊ PODE CONSUMIR

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Apesar de ser bem mais acessível que o salmão e diversos outros tipos de peixes, a sardinha é um poderoso alimento que deve estar sempre presente no seu cardápio. Além de ajudar na saúde cardiovascular, a sardinha promove desenvolvimento cerebral e dos ossos e contribui até mesmo para o combate à depressão.

Benefícios da sardinha para a saúde

Um dos principais benefícios para a saúde do alimento é sua concentração de ácido graxo ômega 3, uma gordura boa que, por não ser produzida pelo organismo, necessita ser ingerida por meio da alimentação. A sardinha possui níveis melhores da substância do que o próprio salmão.

O peixe também é rico em vitamina D, que previne depressão e auxilia no desenvolvimento ósseo, no sistema imunológico e no metabolismo. Com elevados níveis de proteína, a sardinha garante saciedade, afasta o apetite exagerado e, consequentemente, contribui para o emagrecimento.

Poucos peixes são tão indicados para a saúde óssea quanto a sardinha. Isso porque, além da presença da vitamina D, o peixe ainda é boa fonte de cálcio, que fortalece os ossos e previne a osteoporose. Para se ter uma ideia, uma única lata de sardinha possui a mesma quantidade de cálcio de um copo de leite.

Sardinha: como escolher e consumir o peixe

Fazer uma boa escolha na feira ou no mercado é essencial para garantir todos os nutrientes da sardinha. O primeiro passo é verificar se as brânquias (camadas ao lado da cabeça do peixe) ainda estão vermelhas e se os olhos estão brilhantes. Além disso, analise o odor: o peixe não deve ter cheiro rançoso, que indica que processo de decomposição.

Para manter as propriedades da sardinha, não é recomendável fritar o peixe. O ideal é que seja consumido assado ou cozinho, como acompanhamento das refeições, sanduíches, sopas ou refogados. Se precisar apostar na versão enlatada, opte pela sardinha mantida em óleo vegetal, com maior presença de ômega-3. A gordura, porém, deve ser descartada no preparo.